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Trump: um governo bonapartista débil

quarta-feira 26 de abril| Edição do dia

Leia na íntegra o manifesto "Construamos um Movimento por uma Internacional da Revolução Socialista

Os primeiros meses do governo Trump foram marcados pelas divisões e rivalidades no interior do aparato estatal. Essas divisões respondem em grande medida à decadência hegemônica dos EUA que deu um salto com as catástrofes do Iraque e do Afeganistão e as disputas em torno da orientação da política exterior frente ao fracasso da recomposição “reformista” da liderança imperialista ensaiada sob a presidência de Obama.

Por sua vez, as eleições presidenciais refletiram o debate existente na burguesia em torno de como enfrentar o esgotamento do ciclo neoliberal que a crise de 2008 expressou. A candidata das grandes corporações e bancos era Hillary Clinton, enquanto que o núcleo duro do apoio a Trump esteve nos pequenos empresários, capitalistas “não globalizados”. No entanto, o “establishment” está adotando uma política pragmática em relação ao novo governo, aproveitando as medidas que podem beneficiá-lo e se opondo de maneira contundente às que afetam seus interesses. Isso está delineando um panorama de blocos instáveis e de alinhamentos complexos dos grandes monopólios.

É neste cenário que Trump emerge encabeçando um governo com fortes traços bonapartistas. Em um contexto de maiores divisões entre os capitalistas, busca arbitrar entre diversas frações da burguesia tentando se apoiar em uma parte do aparato burocrático militar. Nas próprias eleições fez campanha brandindo o apoio público de 88 ex-generais e almirantes. Depois de ser eleito presidente conformou um gabinete composto por grandes empresários e militares aposentados. O aumento do orçamento militar e a ampliação das atribuições do Pentágono vão na mesma direção.

Isso não quer dizer que Trump tenha um apoio uniforme nas fileiras do exército, mas sua política para os militares confirma seus traços bonapartistas. No entanto, como se demonstrou nos escassos meses desde que assumiu, se trata de um bonapartismo débil e não assentado, onde o que prima é a crise política e as disputas entre distintas alas da coalizão de governo e entre o executivo e outros poderes estatais. Outra das debilidades de Trump é a de que ainda não conseguiu transformar seu eleitorado em uma base social sólida para se apoiar e não está claro que possa consegui-lo.

Longe do que alguns analistas e inclusive governos como o de Maduro defendem, a política de Trump não é isolacionista. De conjunto, o nacionalismo econômico que Trump defende implica uma política imperialista mais agressiva no plano externo, guiada pelo unilateralismo militarista, e mais reacionária no plano interno, expressa em sua política anti-imigrante, antissindical e antidemocrática em geral.




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