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PRIMÁRIAS EUA

Trump tem os delegados, Clinton muitos e-mails

Donald Trump conseguiu os delegados e se aproxima da nominação. Nada parecido pode dizer Hillary Clinton quando se publica o informe sobre o escândalo dos emails da ex-Secretária de Estado.

Celeste Murillo

Argentina | @rompe_teclas

sábado 28 de maio de 2016| Edição do dia

Donald Trump superou os 1237 delegados para assegurar a nominação como candidato presidencial do partido republicano. Na quinta 26, Trump recebeu o respaldo de alguns delegados sem mandato frente a o próxima convenção em Cleveland entre 18 e 21 de julho. Ainda que restam eleições de estados importantes como Califórnia e Nova Jersey, Trump já derrotou todos os seus concorrentes.

Isto desarticula instantaneamente os esforços dentro do partido republicano para bloquear a nomeação de Trump? Não necessariamente, porém se coloca custos muito maiores se o establishment do partido finalmente decidir contrariar a vontade da maioria dos votantes das primárias republicanas.

Um caminho pacífico até a convenção em Cleveland?

Nada assegura hoje que a nominação de Donald Trump, que se transformou no porta-voz da raiva da base de direita do partido Republicano, tenha um final feliz. A resistência não provém somente de suas próprias fileiras. As marchas contra as reuniões de campanha de Trump realizadas esta semana terminaram com repressão e enfrentamentos.

Pequenos, porém persistentes, os atos contra Trump têm se mantido como uma constante ao longo das eleições primárias. Esta semana, tanto em Anaheim (California) como em Albuquerque (Novo México) os protestos foram reprimidos pelas policias locais, com pessoas feridas e detidas como saldo. Ainda que esta tendência hoje seja minoritária, nada poderá garantir que se apaguem rapidamente.

Pelo seu lado, o presidente Barack Obama que se manteve até agora à margem da controvérsia, na quinta-feira durante a conferência do G7 no Japão, fez eco com as preocupações que desperta a nomeação do milionário entre os experientes na política exterior. A essas dúvidas se referiu ao dizer que "muitas das propostas que (Trump) já fez demonstram ignorância dos assuntos internacionais ou uma atitude displicente; ou um interesse em obter tweets e titulares, em lugar de analisar cuidadosamente, que é o que se necessita para manter os Estados Unidos a salvo, seguro e próspero, e o mundo equilibrado".

Para Hillary Clinton, a única coisa que cresce é o escândalo

Como se precisasse somar problemas aos que atravessam sua campanha nas eleições primárias, Hillary Clinton enfrenta o "mailgate", um escândalo relacionado com o período em que ocupou o cargo de Secretária do estado durante o primeiro governo Obama.

Na quarta 25, filtrou-se, em alguns meios, o informe da auditoria do departamento de estado que amplia a crise aberta pela utilização indevida dos correios pessoais para assuntos de segurança nacional. Em paralelo, se desenrola uma investigação do FBI que poderia a qualquer momento gerar maiores consequências na corrida pela nomeação presidencial.

Os informes apontam contra Clinton por ter utilizado uma conta de e-mail pessoal enquanto era Secretária do Estado (deveria utilizar somente sua conta oficial), cujas mensagens se encontram em um servidor privado, propriedade da ex-Secretária, localizado na sua residência pessoal. Segundo a auditoria, "não é um método apropriado de preservar os e-mails que podem conter documentos federais".

A campanha de Clinton se defendeu uma vez mais, alegando que todos os secretários de estado utilizam contas pessoais, que sempre havia escondido pela segurança da informação e que havia posto a disposição as mensagens (ainda assim reconheceu que havia eliminado cerca de 30.000 mensagens - pessoais, segundo Clinton).

Este escândalo não poderia chegar em pior momento. Ainda que lidere em quantidade de delegados e superdelegados, Hillary Clinton não se impõe todavia como candidata. Por um lado, não alcançou ainda a quantidade que habilita a nomeação (ainda que a diferença com seu competidor Bernie Sanders seja grande). Por outro lado, não ganhou nem a simpatia da base democrata e nem a confiança dos votantes em geral. De feito, uma de suas características negativas que mais sofre a candidata é que as pessoas não a veem como uma figura confiável.

Neste contexto, o partido democrata se prepara para sua última data decisiva: 07 de Junho. Nesse dia será a votação na Califórnia e em Nova Jersey, com uma grande quantidade de delegados em jogo. Como se trata de um pesadelo, em que o perseguido nunca consegue despistar seu perseguidor, Bernie Sanders a segue mais próximo que o esperado. Em uma pesquisa do Public Policy Institute of California, entre potenciais votantes da primária democrata, colocou Hillary Clinton somente dois pontos à frente de Bernie Sanders, 46% a 44%.

Irreversível

Estava fora o sonho de uma luta de almofadas entre os Bush e os Clinton, herdeiros dos clãs que governaram o país durante 30 anos. A popularidade dos outsiders, Trump à direita e Sanders à esquerda, fizeram eco da agenda dos esquecidos do establishment que se transformaram nos protagonistas inesperados das primárias.

Mas além de como termine a conta final dos democratas, pelo momento tudo indica que Hillary Clinton será nomeada. Se confirmará nas eleições gerais de novembro e se enfrentarão dois candidatos altamente impopulares que ostentam (além de grandes fortunas) altos índices de rejeição. A crise do sistema bipartidário voltará a aparecer com toda a magnitude.




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