Internacional

ASSEMBLEIA GERAL DA ONU

Trump, na ONU, ameaça “destruir” a Coreia do Norte

Este foi o seu primeiro discurso, como presidente dos EUA, na Assembleia Geral da ONU. Criticou o acordo nuclear com o Irã e disse que na Venezuela há uma “ditadura”.

terça-feira 19 de setembro| Edição do dia

No seu primeiro discurso como presidente dos EUA, nesta terça-feira, Donald Trump alertou na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) de que não haverá outra opção a não ser "destruir totalmente" a Coreia do Norte, se Pyongyang continuar ameaçando o seu país.

Na momento anterior, esperava-se que o discurso do presidente estadunidense mostrasse sua política internacional para os próximos meses. Entre os principais temas da agenda estavam a mudança climática, a Coreia do Norte, Irã e Venezuela.

Trump ameaçou abertamente a Coreia do Norte: "É hora da Coreia do Norte se dar conta de que o desarmamento nuclear é o único futuro aceitável", deixando como outra opção “destruir totalmente” este país.

Trump ainda disse que "O homem foguete (em referência ao líder norte-coreano) está em uma missão suicida para o seu regime" e insistiu que os testes nucleares e de mísseis balísticos da Coreia do Norte "ameaçam o mundo inteiro", e pediu unidade para isolar o regime de Pyongyang.

Segundo Trump, que ordenou lançar a chamada “mãe de todas as bombas” contra o Afeganistão, nenhuma nação do planeta pode estar interessada em que o regime de Pyongyang possa ter ao seu alcance armas nucleares.

O presidente estadunidense agradeceu a China e a Rússia por terem votado a favor de sanções contra a Coreia do Norte no Conselho de Segurança da ONU, e ainda assim reclamou que se deve fazer "muito mais".

Trump chama o governo de Maduro de “ditadura” e o cubano de “corrupto”

No seu longo discurso, de 45 minutos, Trump aproveitou para se referir à situação na Venezuela e se pronunciar sobre a relação com Cuba.

Na segunda-feira, o presidente estadunidense se reuniu em um jantar em Nova York com presidentes latino-americanos, onde voltou a ameaçar a Venezuela com mais medidas políticas e econômicas.

Ele afirmou nesta terça que a Venezuela está "a bordo do colapso total" e disse que seu país está pronto para adotar novas medidas se o presidente Nicolás Maduro "persistir no seu caminho para impor um regime autoritário".

"O povo venezuelano está faminto e seu país está colapsando", disse Trump em seu discurso na Assembleia Geral da ONU e agregou: "a ditadura socialista de Maduro gerou uma dor terrível e um sofrimento ao povo desse país".

Também atacou o presidente Maduro, em um tom claramente intervencionista, dizendo que "desafiou o seu povo" impulsionando uma Assembleia Constituinte para "preservar seu desastroso governo": “esta situação é completamente inaceitável e não podemos ignorar" concluiu.

Trump disse que os Estados Unidos "como um vizinho responsável e amigo" da Venezuela, assim como outras nações que não identificou, têm como objetivo "ajudá-los a reconquistar sua liberdade, recuperar o país e restaurar sua democracia". Uma declaração de clara ingerência sobre o país latino-americano e favorável para a política da oposição direitista venezuelana.

Continuando com suas referências sobre a política estadunidense para América Latina, Donald Trump chamou de "corrupto" e desestabilizador o governo cubano e reiterou que o criminoso embargo econômico que pesa sobre a ilha continuará. "Não levantaremos as sanções ao governo cubano até que faça reformas fundamentais", sustentou em sua intervenção.

“America First” para todo o mundo

Trump reiterou que a política exterior de seu governo estará marcada pelo que chamou de “América primeiro”. Afastando-se do multilateralismo e reafirmando várias de suas ações anteriores, como a de não aceitar o Acordo de París contra a mudança climática ou o pacto nuclear com o Irã, reiterou que os acordos internacionais serão feitos sobre a base principal do benefício estadunidense. Resumindo em uma frase: “Sempre colocarei a América em primeiro”.

Trump também chamou outros países a seguir seu exemplo. "Como presidente, sempre colocarei os Estados Unidos em primeiro lugar, como vocês, como líderes de seus países, deveriam sempre pôr seus próprios países em primeiro" e destacou que "todos os líderes responsáveis têm a obrigação de servir seus próprios cidadãos".

Pouco antes, no discurso que inaugurou a Assembleia, o secretário geral da ONU, Antonio Guterres, advertiu sobre a decomposição da comunidade internacional.

No que se poderia ler como uma resposta, já ao final de seu discurso, Trump remarcou a mensagem de tom nacionalista e chamou um "renascimento das nações" e reiterou que sua política exterior está guiada "por resultados, não por ideologia", e que consiste em um "realismo de princípios, baseado em objetivos, interesses e valores compartilhados".

Tradução: Luciana Vizzotto




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