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TRANSPORTES PÚBLICOS

Trens e Barcas terão aumento ano que vem mesmo com péssimos serviços

Trem e Barca terão valor reajustado novamente no Rio, ambas são geridas por empreiteiras com largo histórico de corrupção e beneficiamento junto ao estado. O transporte do Rio de Janeiro é considerado o pior no mundo, segundo estudo.

domingo 23 de dezembro de 2018| Edição do dia

Imagem: Reprodução/ Band Rio

A passagem de trem e barcas irão ficar mais caras a partir de fevereiro. A passagem dos trens vai passar de R$ 4,20 para R$ 4,60, a partir do dia 2 do mês, uma variação de 9,68%. Já a tarifa das barcas vai de R$ 6,10 a R$ 6,30, a partir do dia 12, um aumento de 3,33%. A linha Praça XV-Charitas será reajustada em 4,05%, passando de R$ 16,90 para R$ 17,60, também a partir do dia 12. As informações são do Jornal Extra.

O aumento foi homologado pela agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp) e divulgada no diário oficial da união nessa sexta-feira, dia 21. Segundo comunicado, os usuários “precisam ser informados pelas concessionárias com 30 dias de antecedência”.

O aumento é mais uma afronta a classe trabalhadora, a juventude aos negros e pobres que dependem desses serviços e sofrem diariamente com as condições péssimas dos transportes no Rio. Diariamente a população se enfrenta com a precariedade dos serviços, a super-lotação, e um sistema limitado que não atende a demanda, e ainda é obrigada a conviver com aumentos exorbitantes que só favorecem os lucros das empresas concessionárias. Estas são a CCR, no caso das barcas, e a SuperVia, no caso dos trens.

A CCR-barcas é gerida pelo grupo CCR, que tem em sua estrutura acionária majoritária além da bilionária família Penido, a Andrade Gutierrez e a Camargo Correa, ambas empreiteiras que estão há décadas estabelecendo relações escusas com o estado. Se beneficiaram da ditadura militar para se agigantar, se utilizando inclusive de envolvimento direto em casos de tortura, como denuncia Pedro Campos no livro Estranhas Catedrais. Já a SuperVia é gerida pela Odebrecht, também uma empreiteira marcada pela corrupção junto ao estado brasileiro. Em março, uma empresa japonesa, a Mitsui, deve assumir a malha ferroviária carioca. Se o aumento se concretizar se beneficiará diretamente sem garantias de que colocará um centavo para a melhoria dos serviços.

Um estudo divulgado em julho desse ano feito em 74 cidades colocou o Rio de Janeiro na última colocação no quesito transportes urbanos. Com o aumento nas barcas e trens e nenhuma perspectiva de melhoras para a população, fica ainda mais escancarado a relação de privilégios que as grandes empresas estabelecem com o estado, e a precarização de tudo o que é público em nome do interesse privado. Essa tendência deve se tornar ainda mais grave frente ao governo Bolsonaro, que promete privatizar tudo o que é público e agir em nome do empresariado. Patrões, segundo ele, “tem uma vida difícil no Brasil”. É preciso lutar pelo enfrentamento direto com a “máfia dos transportes”, pela estatização, e controle dos próprios trabalhadores de tudo o que é concessionado nas áreas de transporte no Rio.




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