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Trabalhadores da USP mantem indicativo de greve e aprovam paralisação dia 29/05

Em assembleia realizada dia 24/05, cerca de duzentos e cinquenta trabalhadores da Universidade de São Paulo (USP) aprovaram a manutenção do indicativo de greve e uma forte paralisação no dia 29/05, quando irá ser pautado no Conselho Universitário da USP a proposta do Conselho de Reitores das Estaduais Paulistas (CRUESP) de 1,5% de reajuste salarial.

Babi Dellatorre

Diretora do SINTUSP

Pablito Santos

Trabalhador do bandejão da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo do Sintusp

sábado 26 de maio| Edição do dia

Foto: Ivane Sousa - Sintusp

Depois de muita enrolação, somente na semana passada, dia 17/05, os Reitores da USP, UNESP e UNICAMP agendaram a primeira reunião de negociação entre o CRUESP e o Fórum das Seis (entidade que representa os estudantes, funcionários e professores das três Universidades). Nas três Universidades foi aprovada paralisação das três categorias e um ato com cerca de 1.500 pessoas, com ônibus vindo de várias cidades do interior, foi realizado em frente a reunião de negociação.

Mesmo diante do aumento na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) - verba cuja parcela de 9,57% é repassada pelo Estado às Universidades desde a década de 90 - e da redução de mais de três mil postos de trabalho, sem reposição, somente na USP nos últimos quatro anos, o Reitor da USP, Vahan Agopyan, atual presidente do CRUESP, apresentou como proposta de reajuste salarial míseros 1,5%. E, além disso, vinculou essa decisão à reunião do Conselho Universitário da USP, atitude seguida pelo Reitor da Unicamp, em uma clara tentativa de quebrar a isonomia das três Universidades, esvaziando o próprio CRUESP do poder de negociação com o Forum das Seis. Em relação à pauta estudantil de permanência, teve a pachorra de dizer que sequer seria tratado nas negociações.

A reivindicação do Fórum das Seis, após quatro anos de arrocho salarial, sem que sequer o reajuste da inflação fosse dado, é de 12,5% para suprir a inflação do ano e as perdas acumuladas desde 2014. Para se ter uma ideia da perda salarial, só nos últimos cinco anos os trabalhadores das estaduais tiveram uma perda de 1/3 (33%) no poder de compra e de precarização nas condições de vida. E, mesmo com o reajuste de 12,5%, os trabalhadores do nível básico ainda estaríamos longe do salário minimo do DIEESE, que é calculado em R$3.696,95 para abril de 2018.

Diante dessa proposta dos Reitores o Fórum das Seis se reuniu e aprovou levar para as suas bases o indicativo de greve a partir do dia 28/05, além da realização de um forte ato no dia 29/05 em frente aos Conselhos Universitários da USP e da Unicamp para impedir essa manobra divisionista dos reitores. Na Unicamp os trabalhadores realizaram uma assembleia e decidiram iniciar a greve já no dia 22/05. Já os professores da USP aprovaram início da greve dia 29/05. Na UNESP, professores e trabalhadores estão realizando rodadas de assembleia em cada campi aprovando, em alguns, a greve a partir do dia 28/05 e, em outros, paralisação dia 29/05 com nova assembleia. Os professores da Unicamp aprovaram paralisação dias 29 e 30/05 com nova assembleia na semana seguinte. E na quinta, em assembleia com mais de 500 estudantes na USP foi aprovada greve a partir do dia 29/05.

Todas essas assembleias e decisões expressam a indignação de trabalhadores, estudantes e professores com a política de arrocho e desmonte das Universidades que vem sendo levado a cabo, com particular rapidez nos últimos quatro anos. O dia 29/05, em que os Reitores da USP e Unicamp pretendem levar a discussão do reajuste para os CO’s será um dia decisivo e termômetro para a perspectiva de um aumento na mobilização e greve nas estaduais paulistas.

Os trabalhadores da USP realizaram a maior assembleia do ano com informe de mais de vinte reuniões de unidades mostrando uma tendência ao crescimento da mobilização. Diante desse cenário, já esperado pela Diretoria do SINTUSP - de um crescente na mobilização, mas que ainda precisa ser massificado para a deflagração de uma greve forte que consiga impor nossas demandas à Reitoria - a Direção do Sindicato defendeu a paralisação dia 29/05 e a manutenção do indicativo de greve na perspectiva de massificar o movimento, com uma nova assembleia para o dia 05/06, em que, a partir do desenvolvimento da mobilização e da paralisação e ato dia 29/05 seja possível realizar mais e novas reuniões de unidade na perspectiva de deflagrar uma forte greve unificada entre estudantes, trabalhadores e professores das três estaduais paulistas.

Lamentavelmente, setores minoritários que se auto-intitulam como oposição ao Sintusp e que, baseados apenas em uma visão parcial e inflada de suas próprias unidades, queriam aprovar a greve já a partir do dia 28/05, sem se preocupar com a necessária massificação e unidade do movimento, saíram da assembleia criticando a decisão da categoria. Esse setor é o mesmo que, durante a greve de 2016, em que a categoria foi derrotada exatamente pelo fato de não ter conseguido manter a massificação do movimento, defendia a continuidade da greve mesmo com mais de seiscentos trabalhadores estando há dois meses com salário descontado.

Essa linha aventureira da oposição, mais preocupada em se diferenciar e se mostrar mais "combativa" do que a Diretoria do Sindicato do que ser consequente nas possibilidades de organizar a vitória do movimento, demonstram apenas uma irresponsabilidade com a categoria de trabalhadores da USP, separando a vanguarda da massa da categoria.

Para além disso, porém, a tendência a massificação do movimento é evidente e cabe a cada Diretor de Base e representante de unidade passar em cada setor na segunda-feira, dia 28/05, para mobilizar os trabalhadores a paralisarem no dia 29/05 e participarem do ato em frente ao Conselho Universitário a partir das 10h da manhã. Diante da conjuntura nacional marcada pelo uso de diversos setores patronais dos bloqueios dos caminhoneiros à serviço de seus interesses burgueses, do avanço das medidas repressivas de Temer como o decreto da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e da divisão entre os interesses eleitorais do PSDB e PSB no Estado, se torna ainda mais urgente que avancemos na massificação do movimento nas estaduais.

Somente o trabalho de base na construção de um forte ato e paralisação no dia 29/05 é que poderemos barrar a manobra dos Reitores, impedir a manutenção do arrocho salarial, garantir mais verbas pra permanência estudantil e termos condições de colocar a categoria de trabalhadores da USP em uma forte greve a partir do dia 05/06 para uma luta unificada com as demais categorias da USP, UNESP e Unicamp, que barre o projeto de desmonte e a privatização das Universidades Estaduais Paulistas e pressionem as grandes centrais sindicais a saírem de seu imobilismo e convocar uma greve geral para que toda a classe trabalhadora entre em cena contra as reformas do governo golpista e pela redução do preço de todos os combustíveis com uma Petrobrás 100% estatal sob controle dos trabalhadores.




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