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Trabalhadores da AlmaViva BH se levantam contra retirada de direitos

Reproduzimos abaixo depoimento enviado para o Esquerda Diário por trabalhadora que participou da paralisação.

terça-feira 17 de maio de 2016| Edição do dia

Então, lá na AlmaViva, na última sexta-feira (13) teve uma paralisação, porém não foram todas as equipes do setor que paralisaram, foram apenas algumas. E aí, as pessoas estavam com raiva porque no setor a gente tem a variável (remuneração variável, RV) e se bater a meta a gente folga, ou tem a possibilidade de conseguir a folga. Acontece que eles cortaram e dificultaram muito para gente conseguir a folga e diminuíram muito a nossa variável. E isso deixou todo mundo chateado e duas equipes pioneiras começaram uma paralisação.

Isto foi no começo da manhã, na hora que a gente chegou. Eles começaram esta paralisação sem o apoio do sindicato e aí o coordenador tentou fazer uma mediação com esta galera. O acordo que ele propôs foi, “volta pra dentro, continua atendendo e vendendo, quando for quarta-feira ou quinta-feira eu dou uma resposta para vocês, tentando mudar esta situação dos cortes que vocês tiveram”.

Na hora que isto aconteceu tinham acabado de ligar para o sindicato e a resposta deles foi “fala para o pessoal não entrar que nós estamos indo aí”. Nisso eles ligaram para a empresa para fazer a mediação. Quando chegaram lá, na mesma hora a empresa arredou meio pé para trás e falou que tudo ia voltar a ser como era antes. Aí todos comemoraram e isto vai ser até o dia 19. No dia 19 vai ter uma reunião com o sindicato e segundo a diretora do sindicato a folga é uma coisa que eles não vão negociar. Disseram que ficaram sabendo que banco de horas, que é o que estão fazendo na Alma Viva, para seis horas e vinte é ilegal. Falou que vão colocar tudo isso na ata de reunião.

Foi basicamente isso, tivemos como resposta que vai continuar tudo da forma que está e que o sindicato foi lá mais para que não tivesse nenhuma punição para ninguém que tivesse aderido à paralisação, esta foi a maior garantia que eles deram pra gente e que não vão negociar está questão relacionada à folga.

E ai assim, voltou todo mundo lá pra dentro e teve muita pressão psicológica dos supervisores em cima dos operadores, um supervisor em particular não quis deixar a equipe dele sair, outro supervisor por exemplo ficou muito nervoso. Foi realmente uma pressão psicológica em cima de todo mundo que aderiu a isso. Tanto que quando eles foram avisar pra gente que ia continuar do jeito que foi antes, até o dia 19, eles fizeram em separado, eles avisaram separados os que estavam lá dentro de quem tava lá fora.

Foi isso que rolou, a revolta dos trabalhadores foi pelo corte da nossa folga mesmo, porque já não tinha variável, a hora extra virou banco de horas, a única coisa boa era a folga. Isso porque tem outros planos que são muito difíceis de pegar a RV e de folgar. Pra gerar lucro, a empresa cortou muita coisa da gente. A hora extra tava sendo praticamente de graça, porque se daqui a 3 meses a empresa não puder pagar, você só pode folgar no dia que eles deixarem ainda. Então, a luta continua!




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