Gênero e sexualidade

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Trabalhadores USP se mobilizam em campanha contra a cultura do estupro

Dentre os milhares de estupros que ocorrem no Brasil, principalmente nos dois casos mais recentes (um no Rio de Janeiro com 33 homens que violentaram coletivamente uma mulher; e um no Piaui com 5 homens e uma garota) o Sindicato de Trabalhadores da USP lança a campanha para que toda as escolas, universidades e locais de trabalho se posicionem contra a cultura do estupro!

segunda-feira 30 de maio de 2016| Edição do dia

O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), já tem em sua tradição a organização das mulheres trabalhadoras e a luta contra o machismo. É por isso que impulsiona uma Secretaria de Mulheres que realiza encontros das mulheres trabalhadoras nos quais ocorrem diversos debates e iniciativas para lutar contra o machismo dentro e fora da universidade.

São diversos os casos dentro da universidade que expressam o machismo sob muitos aspectos. Em grande parte deles, a USP é conivente ou agente direto da violência contra as mulheres. Podemos citar, por exemplo, as condições de trabalho das terceirizadas, em sua esmagadora maioria mulheres negras, que não apenas recebem salários muito inferiores ao dos trabalhadores efetivos, como também têm recorrentemente seus direitos desrespeitados pelas empresas terceirizadas e pela universidade. O Sintusp há muitos anos se coloca na linha de frente da defesa dessas trabalhadoras, não apenas apoiando ativamente suas greves e reivindicações, mas levantando o programa de sua efetivação sem concurso público, e inclusive levando esse debate para a CSP-Conlutas, central sindical à qual é filiado. Em outros setores muito precarizados, como nos bandejões, onde a sobrecarga de trabalho adoece os trabalhadores, também é muito grande o número de mulheres, e ali a principal luta é por contratações, pelo fim do assédio e da sobrecarga que acaba com os trabalhadores.

Mas o machismo que atinge as trabalhadoras da USP não está só nas condições de trabalho. Ele se expressou de forma brutal em março do ano passado, quando a funcionária da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Geiza Martins, foi sequestrada e assassinada pelo seu ex-companheiro. A Secretaria de Mulheres do Sintusp em diversos momentos realizou atos públicos exigindo justiça para Geiza, como no 25 de novembro, dia de luta contra a violência à mulher

E a cultura do estupro está viva também na USP, e é institucional. Isso se demonstra nos diversos casos de violência contra a mulher que ocorrem dentro do Conjunto Residencial da USP (CRUSP), a moradia estudantil, e que são sistematicamente abafados pela reitoria. O último deles levou a que as mulheres estudantes moradoras do CRUSP organizassem a ocupação da sede do Serviço de Assistência Social (SAS) da USP e só saíssem com suas reivindicações para combater a violência na moradia atendidas. Escandaloso também foi o caso da CPI dos estupros, que só ocorreu a partir da mobilização das estudantes da Faculdade de Medicina, e trouxe à tona uma rotina sistemática de assédios, abusos e estupros dentro daquele curso. A reação institucional foi emblemática: o diretor da Faculdade de Medicina, José Otávio Costa Auler Júnior, preocupado unicamente em preservar a imagem da universidade (evidentemente ele sabe o que ocorre ali há muitos e muitos anos), declarou em uma reunião da Congregação da Faculdade que ““As vítimas de estupro devem ter a hombridade e honestidade de comunicar pessoalmente o caso à direção”. Ao fim da CPI, a reitoria da USP assinou embaixo da cultura do estupro sem nenhum pudor: a única punição em relação às centenas de casos denunciados foi uma suspensão de um semestre para um único estudante.

É diante de toda essa cultura do estupro, que se encontra também enraizada nessa universidade racista e elitista, que a greve dos trabalhadores da USP se colocou hoje, e por isso se fará presente também na próxima manifestação de rua contra a cultura do estupro, no dia 01/06, quando haverá atos em diversas cidades.




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