Educação

CRISE NO RIO

Todos contra o fechamento da UERJ!

A crise do estado do Rio de Janeiro ameaça fechar as portas da UERJ. Para respondermos esse problema, precisamos construir uma forte luta unificada com todos os setores e a população. E sabermos que a resposta para a crise da UERJ não pode existir sem uma resposta para a crise que afeta todo o estado. É necessário lutar pelo não pagamento da dívida pública para podermos acabar com a crise e pagar imediatamente todos os salários atrasados.

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT pelo PSOL em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

quinta-feira 12 de janeiro| Edição do dia

Não é de hoje que a UERJ está numa crise estrutural: no ano passado, uma greve de cinco meses lutou contra o desmonte da universidade, que afeta também dramaticamente o Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), de cujo atendimento dependem milhares de pessoas.

Hoje, essa crise ameaça fechas as portas da universidade, questão admitida publicamente pela reitoria e os ex-reitores. A UERJ é uma das poucas universidades públicas em que os filhos da classe trabalhadora conseguem ter mais acesso, pois, ainda que se mantenha o filtro elitista e racista do vestibular, ela foi a primeira universidade do país a implementar o sistema de cotas, e seu corpo discente expressa isso. É uma universidade com uma grande composição de negros e trabalhadores, diferente de tantas outras universidades públicas em que esses quase não conseguem entrar. A luta em defesa da UERJ é uma luta pela democratização da educação, é uma luta de todos os trabalhadores.

Muitos têm lamentado a possibilidade de fechamento da UERJ, que tem causado comoção em setores que vão muito além do que os que trabalham e estudam ali. Precisamos transformar esse sentimento de medo e solidariedade em uma forte campanha que lute pela manutenção da universidade, com o imediato pagamento de todos os salários atrasados, de trabalhadores efetivos e terceirizados, e de todas as bolsas atrasadas dos estudantes.

As ocupações de escola e universidades em todo o país nesse ano e no ano passado, bem como a importante greve que foi feita na UERJ, demonstram que existe muita disposição de luta. Os funcionários técnico-administrativos votaram em sua última assembleia por entrar em greve a partir de segunda-feira, 16. No dia 18 os docentes terão sua assembleia para discutir a situação.

O que precisamos hoje é de uma organização e um programa à altura da crise para podermos impedir o fechamento da UERJ. O DCE da universidade infelizmente não tem ajudado em nada para mobilizar os estudantes, e muito menos a UNE. Precisamos exigir que essas entidades coloquem seu peso político e seus recursos a serviço de construir a luta, organizarmos assembleias nos cursos e na universidade, construirmos fortes atos de rua como o que ocorreu nessa quinta-feira, 12, em frente ao HUPE, para poder levar adiante essa luta.

É necessário que construamos uma aliança muito forte entre funcionários técnico-administrativos, docentes e estudantes, pois somente uma greve unificada pode ter força para barrar os ataques. Mas também não podemos nos restringir à luta na UERJ: a crise que está ameaçando a universidade de fechar suas portas é uma crise do estado, ligada à crise nacional. Por isso, nossa luta tem que se aliar aos demais setores em luta, como os servidores que hoje lutam contra os ataques de Pezão. O STF, Pezão e Temer preparam um pacote de ataques a todos os trabalhadores e aos serviços públicos, o que inclui a privatização de empresas como a CEDAE. Enquanto isso, Picciani quer se livrar da UERJ dizendo a Pezão que a passe para o governo federal, o que é só uma forma velada de dizer que defende a privatização da UERJ, já que é isso que Temer quer fazer com todas as estatais fluminenses.

Nesse momento, todos os que trabalham e estudam na UERJ estão pensando quais os rumos da universidade e preocupados com o seu fechamento. Essa é uma oportunidade que temos de nos dirigir à comunidade da UERJ para trazer todos para a luta em defesa da universidade, colocando um programa que possa de fato impedir o seu fechamento. É por isso que consideramos fundamental que a luta da UERJ tome em suas mãos uma campanha pelo não pagamento da dívida pública, que é uma forma dos patrões nos roubarem e garantirem lucros milionários com o orçamento roubado da saúde, educação, transporte e todos os direitos sociais.

O acordo que vem sendo costurado por Pezão e Temer envolve uma série de ataques contra os trabalhadores e o povo pobre do Rio em troca da suspensão do pagamento da dívida por três anos. Mas ela continua lá, para seguir roubando o dinheiro público e destinando a banqueiros e especuladores assim que esse prazo terminar. Temos que dizer não a isso! Nenhum centavo a mais para esses parasitas que nos roubam, enquanto milhares estão sofrendo com a destruição da educação e da saúde, morrendo em filas de hospitais lotados e sem remédios, sem salas de aula para estudar, com professores, médicos e enfermeiros sem receber salários!

Isso é inadmissível! Chega de encher o bolso desses parasitas! A UERJ não pode fechar suas portas, e por isso vamos lutar! Não ao pagamento da dívida pública! Taxação às grandes fortunas! Basta das isenções milionárias concedidas por Cabral e Pezão para esquemas de lavagem de dinheiro! Que os capitalistas paguem pela crise que criaram!

*Carolina Cacau é professora da rede estadual do Rio, militante do MRT e foi candidata a vereadora pelo PSOL em 2016.




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