Gênero e sexualidade

NOVAS DENÚNCIAS

Terríveis abusos sexuais a meninas centro-africanas por soldados franceses

98 meninas da República Centro-africana denunciaram abusos por soldados franceses e de outros países em missões da ONU. Algumas foram obrigadas a fazer sexo com um cachorro.

Josefina L. Martínez

Madrid | @josefinamar14

terça-feira 5 de abril de 2016| Edição do dia

A ONG Aids Free World informou esta semana sobre novos casos de abusos sexuais a meninas na República Centro-africana, onde operam “missões de pacificação” da ONU. As denuncias apontam especialmente soldados franceses integrantes da “Operação Sangaris”.

Há duas semanas UNICEF entrevistou 98 meninas em uma província da República Centro-africana, que relataram ter sofrido abusos sexuais por tropas de “missões de paz” internacionais.

Em 26 de março, três meninas entrevistadas por um funcionário de Direitos Humanos da MINUSCA (Missão de Nações Unidas na República Centro-africana) relataram que em 2014 quatro delas foram nuas e amarradas dentro de um campo militar comandado por Sangaris da França. Os militares as obrigaram a manter relações sexuais com um cachorro, como “espetáculo” para todos os presentes. Ao finalizar, deram 5000 francos centro-africanos a cada uma ( 9 dólares). As três meninas entrevistadas buscaram tratamento médico depois destes terríveis acontecimentos. A quarta menina morreu poucos meses depois de uma doença desconhecida. Estes abusos são especialmente traumáticos em sociedades que estigmatizam fortemente as meninas e mulheres que sofrem violações e abusos. Uma das meninas contou que em sua comunidade foi insultada, sendo chamada de “o cachorro de Sangaris”.

A ONG obteve também a denúncia de uma mãe, que disse que sua filha de 16 anos foi sequestrada por um oficial das forças “de paz” congolesas. Quando foi questionado por estes fatos, o militar alegou que havia pagado a ela entre 2000 e 3000 francos centro-africanos.

Diante de um novo escândalo envolvendo as forças de “paz” em abusos sexuais, a ONU se viu obrigada a emitir um comunicado em 30 de março, explicando que enviou uma equipe especial a zona para investigar os fatos.

“Ainda estão sendo determinados o número exato e a natureza destas acusações extremamente preocupantes. A equipe identificou os contingentes em questão como os proporcionados por Burundi y Gabón. Argumentos apresentados contra as forças francesas Sangaris na mesma zona também estão sendo investigados. “Supostas vítimas estão sendo entrevistadas e será proporcionado a elas a assistência e o apoio psicossocial e médico”.

Estes abusos se somam aos numerosos casos que já foram denunciados nos últimos
meses e que estão sendo protagonizados por militares franceses.

Em 17 de dezembro de 2015 foram conhecidas as conclusões de um painel independente que investigou as denuncias de abuso sexual de menores por parte de soldados franceses na República Centro-africana, ocorridas em 2014. Segundo esta investigação, as Nações Unidas não deram nenhuma resposta em relação às denuncias das vítimas de abusos, e permitiram que esses abusos continuassem.

O estudo confirmou a veracidade das denúncias que já eram conhecidas há mais de um ano. Meninos de até 9 anos de idade eram violados e abusados por soldados franceses em troca de dinheiro ou comida, em meio a uma situação de guerra e desespero. As principais acusações pesam sobre o comando Frances da operação Sangaris, que opera na zona sob autorização do conselho de segurança da ONU.

O informe do painel de investigação aponta que os funcionários da ONU não prestaram atenção às denuncias de abuso sexual com as crianças por uma questão de “interesses políticos” do governo francês. Quer dizer, houve uma ocultação intencional das denuncias.




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