Juventude

ACAMPAMENTO COMUNISTA

Termina acampamento da Faísca e Pão e Rosas, centenas de jovens saem preparados pras lutas

Terminou na tarde desse domingo o acampamento de inverno organizado pela juventude Faísca e o grupo de mulheres Pão e Rosas sobre os 100 anos da revolução russa e o comunismo hoje. No seu encerramento, foram discutidos quais os nossos principais desafios hoje e as tarefas da juventude frente a eles.

segunda-feira 31 de julho| Edição do dia

Centenas de jovens que estiveram presentes no acampamento receberam uma calorosa saudação de Catalina e Camilo, trabalhadores da Pepsico na Argentina que estão na linha de frente de uma luta contra o fechamento da fábrica e 600 demissões que já se tornou uma grande batalha de classe no país vizinho.

Os companheiros trabalhadores da Pepsico contaram sobre sua importante luta, como enfrentam os patrões de uma grande multinacional, aliados ao governo e com a conivência de uma burocracia sindical traidora do sindicato da alimentação, dirigido por Rodolfo Daer. Também falaram sobre a imensa importância nessa luta da atuação decidida de seu partido, o Partido dos Trabalhadores pelo Socialismo (PTS), organização irmã do MRT na Argentina, e fundamentalmente do papel protagonista de jovens e mulheres nesse conflito.

Ainda agradeceram pelo apoio e as medidas de solidariedade que aqui no Brasil a Faísca e o Pão e Rosas têm tomado para que a luta deles triunfe. Seja divulgando, tirando fotos e enviando apoios, organizando atos em frente às fábricas e distribuidoras, chamando ao boicote dos produtos da Pepsico, a Faísca e o Pão e Rosas têm se colocado ativamente em solidariedade a essa luta que é de todos.

Outra saudação internacional no acampamento foi de Tatiana Cozzarelli, militante do Left Voice, um portal da esquerda que faz parte da rede internacional do Esquerda Diário. Tatiana contou sobre o atual estágio da luta de classes e da consciência política nos EUA, alertando para o importante fato de que setores expressivos da população passam a ver o comunismo de uma forma muito distinta do que há poucos anos, quando era praticamente unânime a visão de que ele pertencia ao passado e era algo “impossível”. Como expressão desse fenômeno de politização pela esquerda de setores de massas, Tatiana lembrou as massivas manifestações de mulheres contra Trump, e também as grandes ações em aeroportos que ocorreram contra suas medidas anti-imigrantes.

Além disso, o grande apoio a Bernie Sanders – que, ainda que seja um político imperialista, membro do partido democrata que é um dos pilares de sustentação político da burguesia nos EUA, se identifica como “socialista” – é também um sinal de que já não é tão mal visto quanto antes se dizer socialista no país que é coração do imperialismo e onde a propaganda anti-comunista foi a mais intensa e massacrante do mundo. Da mesma forma, o crescimento no período pós-eleitoral do Democratic Socialists of America (DSA), um partido social-democrata reformista, mas que se reivindica socialista também, que hoje reúne 24 mil membros, é outra expressão de que há um novo setor social com o qual os revolucionários devem discutir ofensivamente as ideias do comunismo e da revolução socialista contra o capitalismo.

Como parte da continuidade da luta internacionalista, foi colocado nesse encerramento do acampamento a perspectiva de seguir apoiando e organizando uma solidariedade ativa em torno da luta da Pepsico para que os trabalhadores na Argentina possam triunfar e fortalecer o combate de toda nossa classe contra o capitalismo.

Outro tema muito importante levantado no encerramento do acampamento foi a criminosa violência policial promovida pelo estado contra a população pobre e os trabalhadores, principalmente a juventude negra, e que encontra no Rio de Janeiro sua expressão mais nefasta. Com as medidas que os governos implementam para fazer com que os mais pobres paguem pela crise criada pelos capitalistas, o aumento do desemprego, da desigualdade e da miséria social lança ainda mais jovens na triste perspectiva do tráfico e do crime. A solução levantada pelos governos é uma repressão ainda maior e mais assassina, e a recente decisão de enviar mais efetivos da Força Nacional de Segurança para patrulhar as ruas e os morros cariocas é a expressão mais atual e brutal dessa política. Com mortes cada vez mais frequentes, inclusive de crianças como Maria Eduarda, e até mesmo do bebê Arthur, que foi atingido e morto ainda na barriga de sua mãe, torna-se cada vez mais monstruosa essa repressão.

Por isso, os jovens presentes no acampamento decidiram redobrar seus esforços para lutar contra essa barbárie promovida pelo Estado capitalista, fazendo uma campanha contra as ocupações da Força Nacional de Segurança, contra as ações criminosas das operações policiais nos morros, e também pela liberdade de Rafael Braga, que é uma das mais emblemáticas vítimas da justiça e do sistema carcerário monstruosamente racista que existe no Brasil em nome da manutenção dos lucros e do capitalismo.

Outro tema político de grande importância na atualidade e que foi colocado com peso no encerramento do acampamento foram as reformas de Temer, em particular a reforma trabalhista recém-aprovada, e que coloca retrocessos históricos em relação aos direitos dos trabalhadores que foram conquistados por meio de greves e lutas ao longo de décadas, e que agora os patrões e seu governo golpista tentam arrancar da noite para o dia para defender seus privilégios. A legalização e institucionalização de diversas formas de precarização do trabalho, bem como a aprovação de que as gestantes e lactantes se submetam a absurdos como condições insalubres de trabalho fazem parte desse pacote que inclui literalmente centenas de ataques aos trabalhadores brasileiros.

Tendo isso em vista, o acampamento também debateu em seu encerramento tomar como tarefa dos que ali estavam presentes a construção de uma grande campanha militante contra a reforma trabalhista, para que os trabalhadores sejam protagonistas, com a juventude ao seu lado, da derrubada desse ataque sem precedentes.

Finalmente, também foram colocadas nossas perspectivas frente à educação no Brasil, que vem sendo um dos setores mais atacados pelo governo golpista de Temer, e que já vinha sofrendo imensos cortes com o governo de Dilma. As ocupações de secundaristas que se espalharam pelo país foram um marco e um exemplo de luta. Também as lutas que conquistaram as cotas raciais na USP e Unicamp foram um exemplo. Mas é necessário seguir lutando para que o acesso ao ensino superior seja universal, com o fim do vestibular e a estatização das universidades privadas onde a juventude trabalhadora é obrigada a pagar caríssimas mensalidades por algo que deveria ser um direito.

Além disso, o conhecimento que hoje é produzido nas universidades está a serviço dos lucros dos capitalistas, e nunca das necessidades fundamentais dos trabalhadores e do povo pobre. A luta para que o conhecimento seja desenvolvido e direcionado para as necessidades dos setores mais pobres e oprimidos, bem como a luta pela universalização do acesso, passam necessariamente por também questionar a estrutura de poder das universidades, que hoje são geridas um pequeno punhado de burocratas que a destroem e privatizam de acordo com seus interesses pessoais. São também parte dos que enriquecem com esse modelo de universidade. Por isso, a luta pela democratização do governo, com uma gestão feita pelos estudantes, funcionários e docentes, faz parte da luta da faísca.

Para levar tudo isso adiante, foi levantado o objetivo de seguir com uma grande campanha financeira, como a que foi feita para viabilizar o próprio acampamento. Por meio da atividade militante dos companheiros presentes foi arrecadado o dinheiro para custear todos os aspectos do acampamento. E, para seguir construindo uma juventude forte, combativa e aliada aos trabalhadores, será necessário fortalecer esse aspecto para que a independência política da juventude e todas as suas atividades possam ser financiadas.

Após dias de debates profundos e com muitas contribuições sobre as lições da centenária revolução russa, da luta das mulheres nesse processo, das contribuições teóricas, programáticas e estratégicas que o marxismo nos deixa em mais de 150 anos de história se fazendo presente no combate da classe trabalhadora pela emancipação dos seus e de toda a humanidade, o encerramento do acampamento foi um momento de olhar para o presente e ver a juventude, alçada sobre os ombros gigantescos de todos os que viveram e lutaram incansavelmente antes de nós, nos darmos os desafios de encarar de frente os grandes combates de classe que temos hoje pela frente.

Armados dessas lições, podemos ter a confiança e a certeza de que somos fortes, e seremos muitos e muitos mais, a cada dia mais preparados e decididos a dar um combate sem trégua contra essa sociedade que só nos traz miséria, desigualdade, injustiça e sofrimento. Como disse Rosa Luxemburgo pouco antes de seu assassinato durante a duríssima luta revolucionária alemã, temos todo um velho mundo a destruir, e todo um novo mundo a construir. Mas nós conseguiremos, jovens amigos, não é verdade?




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