Juventude

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Termina a ocupação da PUC-Rio

quinta-feira 22 de dezembro de 2016| Edição do dia

No último domingo (18) o pilotis da PUC-Rio foi desocupado pelos estudantes. Após uma longa reunião com a vice-reitoria comunitária os ocupantes decidiram por não mais ocupar o campus da universidade.

Desde o início do movimento de ocupação na universidade grupos de estudantes, a ex-gestão do DCE a chapa MUDA (PSDB), ex-alunos e pais de alunos a todo o momento tentaram deslegitimar o movimento. Desde o dia 16 de novembro os alunos vêm resistindo e denunciando as ameaças de violência e lutando contra a oposição criada por alguns setores dentro da PUC-Rio. Indo um pouco mais além, estes mesmos alunos se posicionaram contra a PEC 55 e ao lado dos coletivos – como já mencionados aqui no Esquerda Diário– se posicionando ao lado da classe trabalhadora e dos estudantes que combatem os ataques do governo golpista a nível nacional. No entanto, principalmente depois da ameaça da arquidiocese do Rio de Janeiro, os estudantes sentiram que o momento era favorável à desocupação.

Na nota emitida pela página do Ocupa Puc-Rio há um indicativo que o movimento deva se reinventar, saindo do pilotis e tomando outros espaços dentro da universidade a fim de que lá também se possa construir um espaço de discussão política. Nesse sentido, a proposta feita em contrapartida da desocupação foi que a universidade subsidiasse o “trabalho de formação interna” proposto pelos estudantes e pelos coletivos da universidade. A vice-reitoria comunitária concordou em dar o auxílio financeiro para os alunos se deslocar até a universidade e fazer suas refeições, além de subsidiar o espaço onde ocorrerão o “trabalho de formação interna”. Tal trabalho corresponde a mesas de debates, aulas públicas e palestras que os coletivos da PUC-Rio irão organizar. Além disso, se discutirá questões referentes aos adicionais de periculosidade atrasados há dois anos dos seguranças patrimoniais e das questões referentes aos trabalhadores terceirizados da universidade.

Decerto, construir um movimento estudantil a partir das demandas que dizem respeito aos coletivos e aos trabalhadores da universidade é bastante progressista. Desocupar é um momento crítico onde se deve analisar não só os aspectos de fundo da conjuntural nacional, mas também aquelas condições mais próximas que dispõem os ocupantes a agir. Ao fim e ao cabo, a desocupação surgiu como saída num momento em que a arquidiocese do Rio de Janeiro pressionou a universidade para que os alunos se retirassem do pilotis. Tal solução não saiu de forma espontânea por parte dos alunos, pelo contrário, ela foi imposta e por conta disso, estes tiveram que dialogar e procurar uma solução que também fosse favorável a eles. O que se deve chamar a atenção é a falta de liberdade presente no movimento estudantil da PUC-Rio, qualquer decisão, neste caso de ocupação ou desocupação, deve ser tomada pelos estudantes sem que nenhuma interferência externa venha tolir, censurar ou cecear a liberdade e o direito político dos estudantes.

Como ressaltam os estudantes na nota do Ocupa PUC-Rio, eles continuam em luta e batalham para transformar a universidade num melhor espaço para os estudantes e os trabalhadores.

Leia mais: Devemos disputar o conceito de ocupação




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