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Terceira sexta-feira de protestos no Chile: massivo rechaço a agenda repressiva de Piñera

Depois de manter um estado de emergência declarado, o governo anunciou mas repressão. Porém as ruas se manifestaram com um contundente rechaço. Faz falta um plano de luta para que seja efetiva e permanente a greve geral até que caia Piñera e a herança da ditadura.

sábado 9 de novembro| Edição do dia

A agenda social do governo não foi efetiva para descomprimir o conflito aberto no país e Piñera decidiu ir além. Esta semana anunciou sua agenda de segurança, endurecendo a criminalização dos protestos com 10 medidas, dentro das que se destacam as leis anti-capuz e anti-barricadas, a entrega de mais financiamento às polícias e a modernização da inteligência. Um ataque direto contra a juventude, as mulheres, aos povos originários e o povo trabalhador.

A marcha desta terceira sexta de rebelião mostrou um brutal rechaço às propostas do governo, reativando a massividade das ruas e o enfrentamento contra a polícia.

Esta enorme força mobilizada nas ruas mostra que existe o ânimo para derrotar o governo, apesar da enorme repressão, das centenas de feridos e mais de 20 mortos, e apesar da política negociadora dos partidos da antiga coalizão Concertación, que hoje estão na oposição mas administraram durante décadas o regime legado pela ditadura. Estes partidos buscaram negociar com o governo acordos sobre medidas “curativas” para estancar e dar uma rápida saída para a crise.

Plano de luta e greve geral para derrubar o governo: não negociamos nossos mortos!

Esta terça 12 de novembro, está convocada uma greve geral sob o chamado da Mesa de Unidad social, composta por importantes organizações sindicais, como a CUT, Colégio de Professores, portuários, organizações sociais e estudantis, onde o Partido Comunista e a Frente Ampla possuem um importante peso de direção.

O chamado a greve geral é totalmente necessário e devemos impulsioná-lo com todas nossas forças. Contudo, a Mesa Social não apresenta como primeira medida a principal exigência das ruas: “Fora Piñera!”, permitindo que sobreviva este governo e o regime herdado da ditadura, que o mundo inteiro vê sucumbir. Em vez de que a classe trabalhadora com o conjunto do povo possam golpear com um só punho, desvia para negociações com um governo criminoso em nome de uma democracia que golpeia, viola e mata.

Porém, a política da Frente Ampla e do PC se concentra em dar saídas institucionais à crise, buscando descomprimir com um plebiscito sobre a Assembleia constituinte, quando a possibilidade concreta de realizar qualquer tipo de processo constituinte, apenas pode ser assegurada por nossa mobilização massiva nas ruas. É bastante idealista crer que um plebiscito não vinculante possa convencer a um governo que se mostrou completamente surdo às demandas que exigem milhões de pessoas mobilizadas em todo o país,

Além disso, esta política que por um lado se mostra combativa, mas que por outro busca soluções dentro de uma institucionalidade herdade da ditadura, começa a gerar fricções e desacordos: recentemente a ACES (Assembleia Coordenadora de Estudantes Secundários), decidiu sair da Mesa de Unidade Social, porque “não querem legitimar este governo” e afirma que a luta de 2011 pela educação gratuita também foi desviada para o parlamento “vendendo nossa luta”.

A greve geral ativa e um plano de luta que nos prepare para passar por cima da intransigência do governo, é hoje uma necessidade imperativa. Devemos nos organizar a partir das bases para implementá-la, como vem fazendo os trabalhadores da saúde de Barros Luco, junto ao Cordão Centro que reúne e coordena os trabalhadores, artista e estudante, que hoje, sábado, convocaram um Encontro Aberto para levar estas demandas.

O genuíno ânimo para organizar amplos setores da população, gerou diversas formas de auto organização que vão desde assembleias, coordenações, comitês de emergência ou inclusive brigadas de primeiros socorros. Esses espaços tem uma leitura realista do momento: o governo não quer entregar nenhuma mudança estrutural, cada demanda que se instalou nas ruas só será conquistada pela luta, para isso a greve deve ser ativa, que realmente se paralise a produção.

A greve geral deve exigir o julgamento e punição dos assassinos do povo, a liberdade dos presos, direito de se manifestar. Mas isso só será possível se preparamos um plano de luta que permita estender e aprofundar a greve geral, através de assembleias de bases e coordenações, onde se prponha levar adiante a vontade das ruas que esta sexta voltaram a se expressar com força: “que caía Piñera!”

Com esse ponto de partida - e em combinação com a enorme força dos trabalhadores mobilizados - podemos conseguir a unidade e a força para derrotar Piñera, a herança da ditadura e passar por cima dos dirigentes burocráticos que historicamente nos pressionam a aceitar migalhas, mudando questões mínimas para não ter que transformar tudo, mas como dizem nas ruas, está dado que o Chile seja o berço e o túmulo do neoliberalismo.




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