Internacional

ELEIÇÕES FRANCESAS

"Temos de acabar com o colonialismo francês", diz candidato anticapitalista Philippe Poutou

sexta-feira 7 de abril de 2017| Edição do dia

O candidato anticapitalista do NPA (Novo Partido Anticapitalista, onde atua a organização irmã do MRT na França, a Corrente Comunista Revolucionária), operário Philippe Poutou, atacou o colonialismo francês em meio ao debate presidencial desta terça-feira na França. Enfrentando frontalmente os principais candidatos dos capitalistas - Marine Le Pen, Emmanuel Macron e François Fillon - Poutou foi destaque do debate, assunto em todos os locais de trabalho e capa dos jornais franceses e europeus. O combate contra o imperialismo francês e suas guerras na África e no Oriente Médio - que aumentaram brutalmente no governo Hollande - é um ponto programático irredutível para uma política operária internacionalista.

Para ler o conteúdo do debate, clique aqui: Conheça o operário Philippe Poutou, anticapitalista que se destacou no debate presidencial da França

Para ver a legenda, clique em "Legendas/CC"

Poutou: Bem, de início, nós não colocamos o problema assim, como “nós franceses”, porque nós nos dirigimos ao conjunto da população... afinal, “francês” quer dizer o que, que não contamos com os estrangeiros, que não contamos com os residentes que vêm de outros lugares? Então, voilà, é por isso que nos dirigimos ao conjunto da sociedade e particularmente aos explorados desta sociedade, aos que pagam tão caro pela crise, aos que sentem cólera do sistema... então, são todos estes que nós queremos reunir. Depois, a palavra “francês” é tão injusta que me remete à questão da Guiana (colônia francesa), da luta que se pode vir a travar hoje contra a pobreza (ah, mas sim, justamente eu quero dizer duas palavras sobre o assunto), contra a pobreza, por serviços públicos, para que de fato a população possa viver normalmente, e lá eles lutam também contra o monopólio sobre suas riquezas – porque a Guiana é um país rico, mas suas riquezas são monopolizadas pelo Estado francês, o que considero um resquício do império colonial francês – et nós, nós defendemos esta luta social e a cólera da população guiana, e ao mesmo tempo colocamos o problema do direito à auto-determinação dos povos contra o colonialismo francês, contra seus resquícios. Então é por isso que falamos da Guiana, é por isso que temos coisas a adicionar sobre esta questão nacionalista e chauvinista. Bem, justamente, o exemplo da luta do povo guiano é um exemplo de que podemos resistir às políticas de austeridade, à exploração e ao monopólio da riqueza sob os capitalistas. Esta luta mostra que nós podemos nos fazer ouvidos seja pela via da greve, ou das ocupações, dos bloqueios (piquetes e cortes de rua)... tudo isso, para nós, é importante de se reter porque essa cólera de hoje pode vir a se apagar, e o que nos falta hoje é a confiança que poderíamos ter em nós mesmos, em nosso clã social, falta-nos justamente sentir nossa capacidade de nos fazer respeitados, de nos defender (...)

Apresentadora: a conclusão é de 1 minuto...

Poutou: sim, mas bem, e depois, como é que a gente faz com a diferença de tempo (de fala)? Porque tem um problema aqui, tem gente que vai partir (do debate) antes, algo vai se passar aqui depois, tem um espaço de tempo aí... enfim, há batalhas sociais a se travar, um pouco disto que discutimos hoje – bem, é assim que é... – e finalmente, votar no NPA (Novo Partido Anti-capitalista) é fazer um voto útil, e desse ponto de vista, é exprimir essa perspectiva de luta, de revanche, de combate social, de fazer os ricos pagarem pela crise, e é por isso que será interessante votar em nós, e um score relativamente importante para nós poderia trazer de volta a confiança ao clã dos explorados.




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