Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Temer desespera e apela: quer Silvio Santos e Ratinho fazendo propaganda da reforma da previdência

Michel Temer teve um jantar na noite desta quinta-feira, 20, com o empresário e apresentador, dono do SBT, Silvio Santos. O encontro foi, principalmente, para que Temer acertasse com o homem do baú, que é amplamente conhecido nas classes populares, uma ajuda ao governo para divulgar suas mentiras a respeito da reforma da Previdência.

Iaci Maria

Belo Horizonte

sexta-feira 21 de abril| Edição do dia

O encontro foi acertado na semana passada, quando Temer esteve em São Paulo e quem mediou foi o amigo em comum, também apresentador do SBT, ninguém menos do que o reacionário Ratinho, aquele que não tem nenhum pudor em exibir uma mulher sendo agredida em seu palco.

A ideia de Temer é apelar para o poder de comunicação de Silvio Santos para que ele possa usar seu controle da mídia, seu alcance e popularidade para fazer propaganda positiva da reforma da previdência, para tentar ganhar o apoio de trabalhadoras e trabalhadores ao seu projeto de ataques e retirada de direitos. A intenção de Temer é que o próprio Silvio Santos – e, consequentemente, toda sua emissora, que é uma das principais do país – faça defesa da reforma em seu programa. Temer não quer ele mesmo ir ao programa defender seu projeto porque sabe que seu apoio na população é de apenas um dígito, ou seja, ele é cada vez mais rejeitado à medida que trabalhadores e juventude questionam suas reformas que apenas descarregam a crise nas costas dos trabalhadores.

O apresentador Ratinho, velho conhecido pelo seu programa machista que já exibiu uma mulher sendo agredida no palco, onde despeja reacionarismos em rede nacional, já se comprometeu com Temer a usar seu programa para fazer propaganda da reforma. Temer ainda pretende, em data ainda a ser marcada, aparecer no programa de Ratinho. Temer está atirando para todos os lados e agora apelando até para os setores mais abertamente reacionários da mídia, que declaradamente reproduzem cenas de opressão todos os dias em rede nacional, para propagandear sua retirada de direitos.

O presidente tem intensificado sua agenda de entrevistas e encontros com políticos, em uma verdadeira romaria em defesa da reforma da Previdência. Esta semana foram apresentadas as primeiras campanhas com mensagens mais apelativas e outras já estão sendo preparadas. Além de propaganda defendendo as mudanças na Previdência, o Planalto quer divulgar proximamente, também, campanha defendendo a reforma trabalhista, que também é rejeitada pelos trabalhadores pois ataca e destroi a CLT.

Ainda nessa quinta Temer também deu um enquadro nos seus ministros, ameaçando-os de serem obrigados a deixar seus cargos se não convencerem os deputados de seus partidos a votarem a favor da reforma da previdência. O presidente golpista está desesperado para conseguir aprovar todas as reformas e cumprir com o motivo de existência de seu governo, que são a aprovação desses ataques.

E não é por acaso que Temer da essa ofensiva agora e seguirá nos próximos dias. A situação da conjuntura nacional segue permeada por um lado pelos rumos da operação Lava Jato e, por outro, pela paralisação do 28A. Temer quer o SBT propagandeando sua reforma antes da greve geral que está convocada para daqui uma semana, e é provável que venham mais ofensivas e apelações dos golpistas em defesa de seus interesses.

Temer está desesperado e a classe trabalhadora, junto com a juventude, pode aproveitar essa certa instabilidade para fazer tremer o governo, e o dia 28A pode cumprir um importante papel. É possível construir uma greve geral efetiva que derrube as reformas e o governo, mas para isso é necessário que as centrais sindicais, a CUT e a CTB, construam assembleias e organizem os trabalhadores pela base para que a greve seja real e efetiva, ao invés de negociarem com os golpistas mudanças na reforma. Uma mobilização como essa pode avançar para apresentar uma alternativa anticapitalista para a crise no país, que levante a necessidade de uma Assembleia Constituinte livre e Soberana onde os trabalhadores possam ser protagonistas na construção de um programa que os patrões e capitalistas paguem pela crise.




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