Política

OPINIÃO - TEMER E CRISE RJ

Temer: cinismo e chantagem com reforma da previdência e crise do Rio

Em entrevista dada hoje à rádio CBN, o presidente golpista não poupou cinismo e disse que a reforma da previdência precisa ser aprovada para o Brasil não virar o Rio de Janeiro. Se trata do contrário, Temer, ao lado de Pezão e toda corja de políticos patronais na Alerj vem fazendo do Rio de Janeiro um laboratório de ataques contra o povo. Este é o exemplo que Temer pretende dar, de que é possível fazer os trabalhadores sangrarem e pagarem pela crise que os capitalistas criaram. Mas o Rio também pode ser laboratório de resistência e mostrar que é possível barrar os ataques!

sexta-feira 10 de março de 2017| Edição do dia

O golpe institucional que colocou Temer no poder veio pavimentado pelo falso discurso de que foram os direitos trabalhistas e conquistas sociais democráticas, resultado da luta histórica dos trabalhadores, a razão da crise econômica que corroe a vida da população. Enquanto isso seguimos desempregados, submetidos a trabalhos precários, baixos salários, morrendo nas filas dos hospitais, sem acesso à educação, perdendo a vida espremidos pelas máfias patronais que chamam de transporte público. Toda mídia colabora diariamente com esse objetivo, de fazer com que acreditemos que a crise é nossa, que apesar de toda miséria cotidiana, os mínimos direitos são na verdade privilégios e que precisamos pagar.

Perderam qualquer vergonha que talvez um dia tivessem. O PMDB, ou novas caras da direita juvenil como o MBL, com campanhas nas redes sociais e na TV, abusam descaradamente da chantagem, “Se a reforma da previdência não sair, tchau bolsa família, FIES...”. Desde o macabro discurso de posse, Temer insiste na historinha ridícula da família que precisa apertar os cintos para passar pela crise e retomar a prosperidade depois da tormenta. Os trabalhadores, mulheres, jovens, negros seguem na tormenta de sempre, enquanto eles, políticos, empresários e juízes, cada dia vinculados a um novo caso de corrupção, se abundam em banquetes oferecidos para negociar nossas vidas e gozam a vida com seus (esses sim) privilégios, altos salários e garantia de boas taxas de lucro.

O Rio de Janeiro, assim como o Rio Grande do Sul e Minas Gerais, são os Estados onde a crise econômica chegou ao ponto mais profundo. No Rio, o sonho dos mega eventos, enfiados goela abaixo com muita demagogia, deixaram um legado de rombos nas contas publicas. Cunha, Cabral, Garotinho e companhia, agora presos, garantiram o seu, as empreiteiras e outras tantas grandes empresas também, os juízes que hoje se acham heróis e lideram uma Lava Jato que não quer acabar com a corrupção, mas limpar a cara de um sistema completamente pobre, tem a palavra privilégio até no foro.

Agora, o “pacote de maldades” de Temer e Pezão que quer acabar com o funcionalismo publico do Estado, atingindo a vida de toda população que precisa dos serviços, é o exemplo de “salvação” da economia, bem como quer vender a reforma da previdência. Deixar trabalhadores sem trabalho, salário, carreira, os serviços públicos sem investimento, entregar o petróleo, a água e até as terras, tudo que for possível para seguir pagando a divida publica que garante a fortuna sempre crescente dos banqueiros nacionais e internacionais. Eis o plano brilhante e exemplar de Temer e sua ponte para o abismo, no Rio de Janeiro e em todo o país!

PEC 55, Reforma do Ensino Médio e agora a Reforma da Previdência e Trabalhista, uma boa combinação para os golpistas. Afinal, quem precisa de previdência se for para morrer mais rápido, sem acesso à formação e emprego, sem saúde? Melhor (para eles) trabalhar a exaustão, sem nenhum direito, dar o máximo de lucro possível enquanto estivermos saudáveis e morrer apenas com o sonho da aposentadoria.

É trágico o que pretendem para nós, mas não está feito! A juventude que resistiu nas milhares de ocupações, tomando as ruas contra Temer e pelos direitos mais elementares de não morrer pelo machismo, LGBTfobia ou racismo, os trabalhadores que defenderam seus empregos, os serviços públicos de qualidade para o povo e nossos recursos naturais, como na luta contra a venda da CEDAE no Rio, mostram em pequeno a grade insatisfação social, disposição de resistência e perspectiva de um futuro de verdade.

Essa insatisfação social precisa se colocar em movimento para tirar a política das mãos sujas dos políticos profissionais e seus clientes empresários e banqueiros. Isso só será possível quando as organizações de massas dos trabalhadores, como a CUT e CTB romperem com sua oposição controlada e o pacto de não “incendiar o país”. Podemos começar por um dia 15 de paralisação real. Para isso precisamos exigir a partir de cada pequena luta de resistência, que se construa uma unidade dos setores operários, com planos reais de luta em cada local de trabalho e estudo. As figuras políticas do PSOL, pelos quais se deposita esperança numa alternativa à esquerda do PT, precisam colocar seu poder de influencia a serviço dessa tarefa, mobilizar nas bases contra os ataques. Assim seria possível resistir e ir por mais.

Leia mais em: Que o PSOL e os sindicatos convoquem plenárias abertas para massificar a luta pela base




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