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GREVE DOS CORREIOS

TST golpista mantém ataques aos trabalhadores dos Correios em greve

segunda-feira 21 de setembro| Edição do dia

O Tribunal Superior do Trabalho, ainda não declarando abusiva a greve dos Correios, manteve ataques históricos aos trabalhadores. Além disso, a chantagem do judiciário está montada: se os trabalhadores seguirem em greve, a abusividade será declarada, com aplicação de multa contra o sindicato. O julgamento propôs finalizar a greve com dias parcialmente compensados, reajuste de 2,6% e reinício do trabalho nesta terça-feira. O julgamento acontece nesta segunda-feira (21/9) na Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC).

Para negar a abusividade temporária da greve, a ministra relatora, Kátia Arruda, houve “patente conduta negacionista” dos Correios para tentar negociar o conflito, de forma que a greve foi a única solução encontrada pelos trabalhadores. Entretanto, na decisão final vários ataques econômicos ficam de pé. No julgamento do dissídio, o TST decidiu manter as nove clausulas oferecidas pelos Correios durante a negociação salarial – que incluem a oferta de plano de saúde e auxílio-alimentação – e outras 20 cláusulas sociais, que não representam custos extras aos Correios.

As outras 50 cláusulas do antigo acordo coletivo de trabalho foram canceladas. Ademais, os trabalhadores vão ter que compensar metade dos dias não trabalhados e ainda vão sofrer corte de metade dos dias não trabalhados.

Por trás da cortina de fumaça, são ataques claros aos funcionários.

Os trabalhadores dos Correios representam a última barreira de defesa contra a privatização dos serviços postais, que já teria acontecido há muito tempo não fossem suas greves, por vezes em condições muito difíceis. A privatização dos Correios é almejada pelos abutres do Palácio do Planalto, mas também pelos togados de Brasília, que fazem todo o possível para atender de joelhos aos interesses dos investidores e empresários que querem controlar a estatal.

A decisão do TST foi arrancada pela luta dos trabalhadores, não pela "santidade" do judiciário, em quem não podemos confiar. Estão prontos para atacar os Correios, encabeçados pelo inapresentável Ives Gandra Martins, direitista apoiador de primeira hora do golpe institucional.

Há anos o judiciário brasileiro é um inimigo jurado dos trabalhadores. Foi a tropa de choque dos ataques trabalhistas do Estado, desde o golpe institucional até Bolsonaro. Foi o próprio Supremo Tribunal Federal que iniciou a infernal reforma trabalhista em 2017, adiantando a flexibilização de todos os direitos trabalhistas, a terceirização universal, contratos de trabalho por produtividade, “mini-jobs” (contratos precários de meio-período) e a extensão da jornada de trabalho para 12h.

O Tribunal Superior do Trabalho atua como despachante das federações empresariais, articulando todos os casuísmos necessários para impor derrotas aos trabalhadores que reivindicam direitos elementares. Em meio à greve dos Correios de 2019, o TST decidiu pela exclusão de pais e mães do plano de saúde da empresa.

Os trabalhadores dos Correios podem triunfar se cercarmos de solidariedade essa batalha, que é um exemplo de ativismo operário nas mais difíceis circunstâncias. Difíceis também porque encaram os obstáculos das próprias centrais sindicais. O que a CUT e a CTB estão fazendo? Dirigem enormes contingentes de carteiros, e reduzem ao mínimo possível o impacto da greve (a CTB sequer mobilizou trabalhadores para Brasília).

As centrais sindicais, a começar pela CUT e a CTB, devem romper imediatamente a trégua que estão com Bolsonaro e organizar uma solidariedade e apoio ativo à greve dos Correios. É uma greve dura, mas que pode ser um ponto de apoio fundamental para enfrentar o conjunto dos ataques do governo, como a reforma administrativa.

Nós do Esquerda Diário estamos cobrindo a greve desde o primeiro momento, presencialmente nas marchas e manifestações, nos centros de distribuições e nos centros das cidades. Chamamos todos os nossos leitores a apoiar essa greve.

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