Mundo Operário

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TIC TAC II: tempo, o bem mais precioso para a classe trabalhadora.

O cotidiano de trabalho, essa luta de classes silenciosa, a batalha a todo instante para ter mais alguns segundos ou minutos para descansar e se distrair.

quarta-feira 20 de julho de 2016| Edição do dia

Quatro e meia da manhã soa o primeiro alarme, depois o segundo e assim sucessivamente. Aos poucos o som invade os sonhos, começa a perturbar, não tanto pelo barulho, mas pelo que ele significa. Corpo cansado, cabeça e pernas relaxadas são obrigadas a se levantar rapidamente, primeiro se senta e entende pouco ou quase nada e, então cai a ficha de que tem que levantar-se e só voltará tarde da noite. Outro dia se vai trabalhando.

8, 10, 12, 14 ou 16 são as horas que muitos chegamos a ter que suportar em nossas jornadas de trabalho que se multiplicam por 5, 6 ou 7, com turnos e rotatividade, "invenções americanas" que aumentam as semanas, que dão um franco ou dois. Extras, obrigadas pela pressão, ameaças ou um salário que não dá para nada. Prêmios pela produção, pelas vendas ou pela pontualidade, não são mais que outro meios de extorsão. E assim, realizando as mais diversas cominações, chegamos a essa vida de trabalho cotidiano em que se desenvolve uma luta de classes silenciosa e não por isso menos cruel: odiamos ir ao trabalho, lutamos para ter mais alguns minutos ou segundos para descansar e se distrair, fazendo de tudo mais lento, indo ao banheiro ou desafiando os limites temporais do descanso enquanto as horas NÃO passam, os ponteiros do relógio pesam, não se movem, não vemos a hora que isso termine.

A Revolução Industrial e o avanço das tecnologias vieram com uma falsa promessa: a possibilidade de trabalhar menos. Cada fabrica e empresa é posta em funcionamento para que uma inversão econômica que gera ganancias e, jamais se põem em curso pelo exclusivo interesse de ser um suporte a sociedade e ao bem-estar dos que vivem nela. E assim que todo esse potencial organizativo do homem, é desviados para uma imensa maquina de produzir o que seja, como seja, desde que se possa vender sem importar os danos ambientais que possam causar. Os "avanços" foram para produzir mais em menos tempo, com menos trabalhadores, ganhar em competências, conquistar novos mercados destruindo os anteriores. Onde trabalham milhares, as maquinas reduzem os postos de trabalho para centenas. Esse cento trabalha mais horas, em um ritmo mais intenso, quando o ideal seria que os milhares trabalhassem poucas horas, com mais descanso, mais rotação.

É assim que o tempo da jornada de trabalho tem sido uma imensa luta entre os explorados e os exploradores. A maquinaria não trouxe as 8 horas, ainda que o desenvolvimento tenha sim permitido diminuir as horas de trabalho necessárias para uma sociedade. A redução da jornada de trabalho foi conseguida através de greves, paralisações, lutas organização e mortos, como os Mártires de Chicago ou os 44 dias de greve geral em Barcelona que foram a chave na conquista da jornada de 8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas para se viver.

Por sua vez a indústria, com as leias capitalistas, trouxe algo terrível: desumanizar a atividade produtiva, converter os trabalhadores em um apêndice, apenas uma peça das maquinas, tirando deles a essência humana da criação de objetos e causando uma insatisfação em algo que não faz mais parte de si. Ninguém quer que chegue a hora de ir trabalhar e todos esperamos a hora de terminar.

O trabalho não dignifica (grande falatório se houver), não nos pertence, nos sentimos infelizes e esperamos poder nos sentir donos de nossas vidas (ainda que com outras limitações). O trabalho, que é o que diferencia e é o traço característico do ser humano, deveria nos gerar prazer, sentir com isso que nossa atividade será um suporte para a sociedade e que com um pequeno esforço alcançará seu objetivo.

Para aquele que possuem fabricas, empresas, terras ou bancos sua fonte de riqueza segue sendo nosso trabalho. A grande maioria da população mundial só tem a sua força de trabalho para sobreviver. Utilizam a energia de nosso braços e pernas, nosso tempo e capacidade durante longas horas. Mas de toda essa interminável jornada, com poucas horas de trabalho já gerariam o equivalente para nosso salário, o pagamento que só se alcança para sobreviver e assim ter que sempre voltar no outro dia. Todo o resto de nosso trabalho ficam com eles, esse pequeno punhado de capitalistas que dia-a-dia pensam como seguir roubando-nos e se ocorrem a eles a ideia de trabalho negro, terceirizado, por agencias, por contrato, acelerar o ritmo do trabalho, exigir mais horas, liquidar direitos, despedir, etc. O que termina fazendo com que o abismo entre ricos e pobres seja cada vez maior e insuportável.

Quando nós comunistas dizemos que queremos uma vida livre de toda forma de opressão, pretendemos um mundo onde não haja nem exploradores nem explorados, onde os meios de produção deixem de ser privados e a produção não seja regida por um afã de lucro se não, pelas necessidades do conjunto da sociedade na maior harmonia possível com a natureza, chegando a um nível tal que cada integrante da sociedade em condições de trabalho possa cumprir uma cota de dever com uma minima quantidade de horas necessárias, 3 ou 4 horas diárias e 4 vezes por semana, deixando todo o tempo que resta para desfrutar a vida, dedicarmo-nos ao ócio, a arte, a cultura, aos estudos, as ciências, ao bem-estar de nossa saúde e todo tipo de expressão humana em que sentirmos vontade.

Só desta maneira estarão dadas as condições para um exponencial desenvolvimento da sociedade, marcando uma nova etapa na história da humanidade.




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