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Suspeito de corrupção nas creches de SP e inimigo das mulheres: conheça Ricardo Nunes, vice de Covas

Empresa do vereador do MDB e vice de covas, recebeu da prefeitura milhares de reais por contratos sem licitação para prestação de serviços nas creches da cidade de São Paulo. O político conservador ainda acumula um histórico contra os direitos das mulheres e dos LGBTQI+

quinta-feira 19 de novembro| Edição do dia

Foto: Bruno Santos/Folhapress

Ricardo Nunes, indicado por Dória para figurar como vice de Covas na eleição municipal, é parte do fortalecimento das coligações com o "centrão" por parte do PSDB. O vereador do MDB é fortemente acusado de ter beneficiado a empresa Nikkey Serviços, criada por ele mesmo em 1997 e que tem como sócia sua esposa, Regina Carnovale Nunes.

O vereador se beneficiou de contratos sem licitação para prestação de serviços de dedetização a pelo menos oito creches da cidade de São Paulo que são administradas pela Associação Amigos da Criança e do Adolescente (ACRIA), cuja presidente é Eliana Targino, ex-funcionária de Ricardo Nunes e o vice é pai de uma assessora do vereador. A associação, que pela natureza da entidade pode negociar com a prefeitura sem licitação, recebia verba pública da prefeitura e repassava para a Nikkey.

A ACRIA passou a fazer negócios com a prefeitura de São Paulo em 2016 durante um processo de expansão de vagas nas creches do município. Nesse mesmo ano recebeu R$ 4,9 milhões para gerenciar uma creche com 400 alunos em Parelheiros. Com Nunes já vereador e aliado de Dória na Câmara, a associação expandiu seu negócio para 9 creches, tendo entre 2018 e 2019 um faturamento anual de cerca de R$17 milhões por ano e nesse ano já recebeu mais R$11,3 milhões.

Além disso, como a Folha de São Paulo noticiou, também faziam parte dos esquemas de favorecimento, a locação de imóveis de empresas de aliados de Nunes.

Com esse histórico, Nunes é fortemente suspeito de chefiar a máfia das creches da cidade de São Paulo.

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Por trás do discurso de bom administrador, experiente e contra a corrupção que adota Covas, “brilham” empresários capitalistas inescrupulosos como Nunes que favorece a si mesmo e a aliados com dinheiro público que seria destinado a resolver o problema das creches da cidade. Essa é mais uma clara evidência de que Covas e seus aliados estão empenhados em abrir as portas da prefeitura e os cofres públicos aos capitalistas, favorecendo a farra dos empresários com o dinheiro público, também conhecido como neoliberalismo.

Degrada ainda mais a prestação de um serviço tão essencial aos trabalhadores e especialmente às mulheres que são as que mais sofrem com a carência de vagas nas creches públicas.

Uma história de combate aos direitos das mulheres e da população LGBTQI+

Vereador eleito em 2016, Ricardo Nunes faz parte da bancada religiosa na câmara de vereadores de São Paulo e com fortes ligações com os setores mais conservadores da igreja católica, o que rendeu a Covas uma importante soma de votos no primeiro turno. O vereador do MDB é parte do "centrão", conjunto de partidos fisiológicos de direita e extrema direita, fortes aliados do PSDB e de Dória, compondo a coligação de Covas para a prefeitura da cidade. Conservador, machista, tem histórico destacado contra o direito das mulheres, da população LGBTQI+ em seus mandatos de vereador.

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Em 2015 foi um dos principais articuladores na votação contra as menções a diversidade sexual no texto do plano municipal da educação de São Paulo. Na votação fez couro com outros conservadores gritando “eu sou pela família, gênero não”. O plano foi aprovado excluindo totalmente as discussões sobre gênero e sexualidade nas escolas, como querem a bancada da Bíblia e a extrema direita conservadora.

Foi um grande entusiasta do projeto "Escola sem partido", conhecido como "lei da mordaça" que buscava perseguir e criminalizar os professores como parte de uma cruzada conservadora contra a esquerda, mais um flanco da luta da extrema direita contra os trabalhadores, o povo pobre e as mulheres.

Em 2017, a atuação de Nunes como interlocutor da igreja católica foi fundamental para assegurar o perdão das dívidas dos templos religiosos na capital, que totalizavam R$ 120 mil.

Em 2018 o vereador foi forte combatente contra um projeto de lei que previa a “humanização do aborto legal”, dizendo que “não podemos permitir isso de forma nenhuma”, agradando seus pares conservadores da “bancada da bíblia”, erguendo mais uma barreira entre as mulheres e o direito mais que legítimo de decidirem sobre seus corpos e sobre a maternidade, dando as costas às milhares de vítimas de abortos ilegais no país, uma maioria pobre que não tem acesso a clínicas de qualidade como as mulheres ricas.

Além de todo esse ativismo misógino e reacionário, Nunes é acusado de agressões e injúrias contra sua ex-esposa e pelo não pagamento de pensão alimentícia para sua filha.

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