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Super-terça: Biden arranca apoiado pelo establishment e Sanders fica com a Califórnia

A saída de Pete Buttieg e Amy Klobuchar da disputa teve o intuito de fortalecer a opção favorita do establishment democrata, o ex vice-presidente Joe Biden. Os primeiros resultados da super-terça indicam que houve sucesso. Biden arrancou na maioria dos estados, incluindo Texas, e Sanders ficou com o populoso estado da Califórnia.

quarta-feira 4 de março| Edição do dia

As primeiras projeções dão como ganhador o ex vice-presidente Joe Biden em Virgínia, Alabama, Arkansas, Massachusetts, Minnesota, Carolina do Norte, Oklahoma e Tennesse, que tem em jogo 99, 52, 31, 91, 75, 110, 37 e 64 delegados, respectivamente, para a convenção democrata, e Bernie Sanders em Vermont, seu estado natal, que conta com 16 delegados, em Colorado (67 delegados) e Utah (29 delegados) e a Michel Bloomberg no território da Samoa Americana, com 6 delegados.

Ao publicar este artigo, foi recentemente publicado o resultado no Texas, um dos principais estados com 228 delegados, onde Biden terminou se impondo por dois pontos. A maioria dos resultados prévios dava Sanders como vencedor neste estado, portanto a mudança de tendência mostra o resultado da política do establishment democrata de girar o maquinário do partido em apoio concentrado a Biden para frear o crescimento de Sanders.

Finalmente, ainda faltam os resultados de Maine e Califórnia. Este último estado é sem dúvidas o mais importante com 415 delegados, e alí Sanders se impulsionou, ainda que não tenha terminado o escrutínio dos votos. Isso acabará modificando a contagem final de delegados que por enquanto estava um pouco a favor de Biden.

O ex-vice-presidente vem da conquista das primárias na Carolina do Sul no sábado passado, sua primeira vitória, e acrescentou apoio com a convocação de Klobuchar e Buttigieg, dois dos candidatos que se retiraram da disputa para votar nele e com o apoio do establishment do partido. No entanto, até 29 de fevereiro, Sanders tinha 54 delegados na convenção, Biden 44, Pete Buttigieg 26, Elizabeth Warren 8 e Amy Klobuchar 7.

No final desta edição, com os resultados parciais da super terça-feira, Biden conta com 384 delegados, Sanders 319, Warren 35 e Bloomberg 12.

Dessa forma, a opção Biden parece ter se fortalecido como parte da campanha interna do Partido Democrata "Anyone but Sanders" [“Qualquer um menos Sanders”], enquanto publicamente agitavam a bandeira "Anyone but Trump" [“Qualquer um menos Trump” NdT].

Embora o grande capital respire ao dar vantagem ao seu candidato Biden, nada pode esconder que ele esteve envolvido em negócios obscuros, como veio à tona durante a investigação do impeachment de Trump.

Seu filho, Hunter Biden, estava no diretório da Burisma Holdings, uma das maiores empresas de gás natural da Ucrânia. Ele ganhava US $ 50.000 por mês nesse cargo, mais do que grandes setores americanos ganham no ano todo. Foi uma demonstração de nepotismo que serviu para aumentar a fortuna de Hunter Biden.

Um sistema eleitoral fraudado contra as maiorias

O processo apresenta vários tipos de eleições primárias de acordo com o estado e o partido político: eleições apenas para membros registrados, abertas a não-filiados ou mistas. Do mesmo modo, variam as regras, o funcionamento e distribuição dos delegados correspondentes a cada partido em cada estado. As primárias são indiretas, os delegados são votados nas convenções partidárias, que são quem escolherão o candidato ou candidata. A eleição pode ser do candidato ou diretamente dos delegados.

No caso da convenção democrata, se nenhum dos participantes obtiver 1991 delegados, entram em cena os “superdelegados”, que não são escolhidos por ninguém, são figuras do establishment do partido e que podem impor o candidato que eles consideram mais alinhados com seus interesses. Outra mostra do caráter profundamente antidemocrático do sistema eleitoral estadunidense.

As eleições presidenciais no imperialismo governado hoje por Trump, com um complexo sistema de internas e várias instâncias da eleição, apresentam um véu democrático, que não nada mais do que uma aparência. Na realidade, se trata de um processo eleitoral projetado pelas maquinarias milionárias dos partidos Republicano e Democrata. Seu caráter restritivo torna impossível a participação de um terceiro partido fora do bipartidarismo histórico a nível nacional, especialmente para os partidos de esquerda, dos trabalhadores ou outras organizações sociais.

Como afirmamos diante do escândalo da demora na apresentação dos resultados em Iowa, todo o processo de primárias e Caucus [convenções políticas NdT] é antidemocrático: um sistema no qual alguém poderia ganhar na contagem de votos populares e não no Caucus ou nas primárias. Todo o sistema eleitoral é projetado em torno da alternância no poder de um dos dois partidos do imperialismo norte-americano, o Democrata e o Republicano.

Notícia em desenvolvimento

Tradução: Ítalo Garcia




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