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LITERATURA / OPINIÃO

"Sonhos e devaneios de um surrealista": sobre o "Meu último suspiro" de Buñuel

Cineasta, ateu “graças a Deus” e militante contra o franquismo, Luis Buñuel relata suas experiências (su)reais em seu último suspiro.

segunda-feira 9 de janeiro| Edição do dia

Quando nos deparamos com uma autobiografia, logo esperamos que leremos aquelas histórias de sempre e aquela autoexaltação. Mas o livro de Luis Buñuel sobre sua vida não é assim. Logicamente o autor fala muito de suas obras, porém faz mais críticas do que elogios, e critica muito mais ainda quem buscou entende-las.

Quando começamos a ler a sua história começamos a ver que Buñuel se preocupa muito mais em relatar os episódios engraçados e os prazeres de sua vida.

O capítulo mais divertido e inusitado, talvez não tão inusitado para um surrealista, é Sonhos e Devaneios onde o cineasta vai relatar quando e quais sonhos ele costumava ter e os devaneios que tinha e como que influenciaram muito em sua obra.

Buñuel também se mostra muito crítico à psicanálise, pois acha que essa é uma ciência das elites, além de dedicar um capítulo inteiro para falar de cigarros, mulheres e bebidas.

Não só no âmbito de sua vida particular, dedica um capítulo a um dos momentos mais importantes da Espanha do século XX, a Guerra Civil Espanhola, neste capítulo o cineasta vai nos mostrar seus ideais políticos e suas críticas aos movimentos de esquerda envolvidos no conflito.

E por fim um capítulo que vale destaque é o intitulado Ateu Graças a Deus, aqui o cineasta espanhol nos revela um ateísmo particular onde, segundo ele, acreditar ou não acreditar é indiferente. Sem dúvida uma obra que vale a pena, além de contar sobre a obra do maior cineasta e espanhol e o representante do surrealismo no cinema, também é divertida e engraçada.




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