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Somente metade dos brasileiros inscritos no programa Mais Médicos se apresenta

O governo federal abriu um edital com 8.517 vagas para preenchimento após a saída dos médicos cubanos devido às ameaças de expulsão por parte de Jair Bolsonaro. Porém, segundo o Ministério da Saúde, somente metade dos profissionais selecionados para atuar nas respectivas cidades se apresentaram, a poucos dias do fim do prazo, que vence no dia 14.

quinta-feira 13 de dezembro de 2018| Edição do dia

Imagem: André Ávila / Agencia RBS

Desde que os médicos cubanos deixaram o país devido aos ataques de Jair Bolsonaro, milhares de cidades sofrem com a falta, ainda maior diga-se de passagem, de médicos disponíveis, tendo em vista que as populações das cidades longínquas do interior dos estados dependiam exclusivamente do atendimento desses médicos cubanos.

Cerca das quase 8500 vagas deixadas pelos cubanos, que atendiam cerca de 24 milhões de brasileiros, foram disponibilizadas em edital, 106 vagas ainda não foram preenchidas e das vagas preenchidas somente metade dos médicos brasileiros que as ocuparam não se apresentaram em seus respectivos locais de trabalho, considerando que o prazo final é pra essa sexta-feira, dia 14.

Segundo Mário Scheffer professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, em pesquisa recente, apontou que 84% dos recém-formados em medicina têm nas condições de trabalho o principal fator determinante para fixação em uma instituição ou cidade após a graduação ou residência. A segunda condição mais apontada foi a qualidade de vida, seguida pela remuneração. Por isso, as vagas em locais mais distantes, geralmente com infraestrutura mais precária, costumam ser ignoradas como opção para os médicos brasileiros.

Além do próprio processo de formação do “profissional da saúde” no Brasil. Pesquisa publicada pelo Instituo Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2013 revela que, em cada 100 alunos formandos em medicina, apenas 5 revelaram desejo de trabalhar em cidades pequenas e apenas 20% referem que gostariam de atuar em clínica geral ou programa de saúde da família, o que revela uma associação entre a origem sócio econômica do recém formado (a maioria dos médicos formados vem de famílias que ganham acima de 10 salários mínimos) e sua escolha profissional que recai sobre especialidades valorizadas pelo mercado, o que em última instância será o parâmetro para a atuação desses médicos, pois não interessa ao mercado a medicina preventiva, uma vez que os lucros bilionários vem da venda de remédios e da assistência médico hospitalar.

Essa situação escancara a lógica da medicina do capital, cujo único objetivo é o de identificar doenças, fazer diagnósticos e medicar o paciente para que retorne o mais rápido possível para as suas funções, principalmente de trabalho, para que a margem de lucro do patrão não diminua.

Nesse sentido, toda essa precarização da saúde que Bolsonaro já dá mostras de que vai aprofundar, tem um objetivo claro: a entrada cada vez maior do capital privado no ramo da saúde. Para a medicina do capital, a saúde é uma mercadoria que deve ser explorada pelos capitalistas. É neste sentido que Bolsonaro já anunciou seu ministro da saúde, o deputado Luiz Mandetta, um defensor ferrenho dos interesses dos empresários de planos de saúde, a exemplo da empresa Amil, que financiou sua candidatura em 2014.

A Amil foi vendida recentemente para uma gigante estrangeira da saúde, a United Health, que representa o capital internacional que vem para sugar e ocupar todo e qualquer espaço que gere lucro. Para tanto, o Governo de Bolsonaro será um servo fiel desses interesses, enquanto afunda cada vez mais os direitos fundamentais da população e da classe trabalhadora como o acesso à saúde, o saneamento básico e a moradia digna, colaborando para uma precarização da condição de vida e de saúde do povo pobre.




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