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SUAS GUERRAS, NOSSOS MORTOS, SOLIDARIDADE AS VÍTIMAS

Solidariedade as vítimas do massacre de Nice, Hollande nos leva ao desastre

Outra vez mostra-se, tragicamente, que a política bonapartista repressiva e de “ultra segurança” de Hollande nos leva ao desastre, com novos ataques pagos pela população com dezenas de mortos em Nice.

sexta-feira 15 de julho de 2016| Edição do dia

Um caminhão avançou contra uma multidão em Nice justamente no final da exibição dos fogos de artifício do 14 de julho. Seu trágico saldo se agrava a cada hora. Depois do que parece ser um atentado comandado pelo Estado Islâmico, o governo Hollande soltou um chamado público a conformação de uma “frente única” nacional. Hollande anuncia o reforço da política de segurança e a intensificação da participação imperialista francesa nos bombardeios da Síria e Iraque.

Frente a extensão monstruosa, dentro da França, da guerra assimétrica que levam adiante as forças jihadistas, o governo intensifica uma lógica cada vez mais reacionária. O governo, que já vem e um golpe muito forte recebido após o triunfalismo de seus discursos pós Eurocopa e do tradicional discurso oficial de Hollande de 14 de julho, propõe intensificar as políticas reacionárias. Estas políticas levam os trabalhadores e a juventude ao desastre.

Um caminhão arremessado a toda a velocidade contra os pedestres reunidos na principal avenida de Nice em um dia de fogos de artifícios e se escutaram alguns tiros de revolver que haviam sidos disparados pelo condutor, antes de ser abatido pela polícia. Esta é a cena nefasta que se presenciou em Nice um pouco antes da meia-noite do 14 de julho.

Além da consternação e do horror frente este cenário de guerra – que chega pouco depois do atentado de Bagdá que teve como resultado 300 mortos na semana passada –, nós negamos a seguir o passo de “marcha militar” que impulsiona Hollande, Valls e o conjunto dos políticos de centro-esquerda e de direita.

Respostas que alimentam o fogo

A reação do governo no plano interior foi intensificar o arsenal repressivo que até o dia de hoje serviu para instaurar um clima reacionário que depois dos atentados de novembro e sobretudo, durante o movimento contra a lei de reforma trabalhista, tem servido principalmente para atacar setores mais combativos da juventude e dos trabalhadores.

Hollande anunciou, por um lado, o reforço da militarização do país, da operação “sentinela” que permite passar de 7 mil para 10 mil o contingente de soldados ocupados em operações policiais. Além disso, pela primeira vez em 50 anos, reservistas foram convocados para estas operações. E, por último, a extensão por três meses do estado de emergência.

Duas horas antes do atentado, Hollande havia anunciado que terminaria o estado de emergência, instaurado originalmente em 15 de novembro, por 90 dias.

Este é o arsenal repressivo que Hollande decidiu implementar, somente um degrau abaixo do artigo 16 da constituição, que outorga ao chefe de estado poderes excepcionais.

Esta seria a solução para “erradicar a peste do fundamentalismo islâmico” que exige Marine Le Pen. Política a qual faz o jogo Sebastien Pietrasanta, deputado do PS e porta-voz da comissão de investigação parlamentar sobre os atentados de janeiro e novembro de 2015, quando pede a “erradicação” do Estado Islâmico.

No entanto, a “luta contra o islamismo”, já começou há algum tempo. Começou oficialmente em 2001 e com a primeira intervenção imperialista contra o Afeganistão. Desde então o jihadismo reacionário tem saído fortalecido com a sucessão dos crimes de guerra, dos danos colaterais contra os civis e do apoio a ditaduras e regimes sanguinários que vão desde o Paquistão até a Líbia. Estado Islâmico é a última expressão, particularmente monstruosa, de um jihadismo financiado desde o fim dos anos 70 pelas próprias potencias ocidentais e as petromonarquias do golfo.

Mais uma vez somos nós os que pagam o preço de suas guerras e de suas crises. Desde a intervenção imperialista do Afeganistão em 2001 e da segunda guerra contra o Iraque em 2003, as forças reacionárias jihadistas nunca foram tão mortíferas como agora.

No Oriente Médio, em um primeiro momento, na França e na Bélgica depois, são as populações civis as que pagam os custos mais altos.

A raiz dos massacres

Ainda que o atentado de 14 de julho não tenha sido reivindicado, parecia que foi cometido em nome do Estado Islâmico. Tanto o cenário como o autor do massacre se parecem fortemente aos dos ataques terroristas anteriores, efetuados contra brancos vulneráveis da população. Um jovem de Nice, francês de origem tunisiana ou de nacionalidade tunisiana, mas vivendo na França, com antecedentes criminais comuns, teria sido o autor deste massacre.

Na França as principais zonas de recrutamento para os jihadistas são as zonas mais atingidas pela crise como a periferia de Paris ou a região de Nice. Este é o reflexo aterrorizante de décadas de criação de guetos e de pauperização. Mas o governo tem escolhido dar uma resposta seguindo a mesma lógica que antes e aprofundando-a.

Com estes atentados, o jihadismo alimenta e aprofunda as divisões estruturadas pelo sistema capitalista entre os explorados e os oprimidos no Oriente Médio e hoje também nos países ocidentais. De forma espetacular e com uma simetria sinistra o imperialismo alimenta o jihadismo, que, por sua vez, reforça essa lógica.

Desde o massacre, os meios dominantes – mais sensacionalistas dos que nunca – não se privam de dar a palavra continuamente aos responsáveis políticos, tanto socialistas como de direita, que assinalam com o dedo o “inimigo interior” e se prepara para voltar a propor todas as “soluções” mais reacionárias e liberticídas para enfrentar uma ameaça que, na realidade, finca raízes em uma situação geopolítica e sistemática da qual o imperialismo e seus aliados são os principais responsáveis.

As “respostas” do governo, após os atentados em janeiro de 2015 não puderam evitar os atentados de novembro nem este último massacre. Estas políticas alimentam um espiral infernal e reacionário que em vez de “proteger-nos” ameaça com encerrar nossas vidas na loucura da “segurança”. As organizações de juventude e dos trabalhadores devem pôr fim a este círculo vicioso combatendo esta lógica “segura” e bonapartista e oferecer perspectivas para dar uma alternativa ao desespero social que nutre as pressões reacionárias no interior de nossa classe.

Um fim de clico de Hollande que pode acelerar

A curto prazo, após os discursos triunfalistas de Cazeneuve (ministro do interior) sobre a “segurança assegurada” durante a Eurocopa, de haver passado por decreto a reforma trabalhista no Parlamento, e os três dias de duelo nacional, não se pode excluir que o governo sofra uma crise política ainda maior aberta pela direita.

Semelhante atentado em um dia festivo nacional põe em questão a capacidade do governo de responder aos “perigos do terrorismo” que devia combater, segundo seu discurso. O atentado debilita ainda mais o governo e pode transformar radicalmente a agenda política e eleitoral as portas das eleições presidenciais de 2017, questão que não deseja nenhum dos setores mais lúcidos do establishment político e patronal. Um “fim de ciclo” falido para quem está a mando da segunda potência da União Européia, poderia revelar-se catastrófico para a burguesia francesa e europeia. Ainda mais após o brexit, cujas consequências ainda não terminaram de se delinear. Todo isto quando surgem hipóteses de uma possível recuperação da crise financeira.

Neste marco, a juventude e o movimento operário devem se propor a delinear os contornos de um amplo movimento contra a guerra e suas consequências, contra o ajuste e o desemprego, contra o racismo, a islamofobia e pela unidade de nossa classe em torno de lutas comuns com o fim de frear a política do imperialismo e em particular o governo francês. Caso contrário, a política e os discursos da esquerda social liberal completamente queimada e da direita clássica abrirão espaço para a extrema direita reacionária, os Trump e os Le Pen de todo tipo.

Este massacre é um novo sinal, trágico e sanguinário, da urgência da situação.

Paris, 15 de julho de 2016, 13 horas.




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