Mundo Operário

Sindicato dos municipais de Campinas quer excluir não sindicalizados de acordos coletivos

Daniel Oliveira

Professor municipal de Campinas

terça-feira 6 de março| Edição do dia

O sindicato que representa os Servidores Municipais de Campinas (STMC) vem a cada dia alimentando a ira dos servidores da cidade. O último absurdo é que o sindicato quer que as negociações e ganhos, como a campanha salarial, sejam efetivados apenas para trabalhadores associados. A informação foi veiculada pelo portal de notícias Acidadeon.

A trajetória recente do sindicato conta com histórico vergonhoso de fraudes eleitorais nas eleições sindicais, negociações rebaixadas e encerramento das greves à revelia das assembleias. Isso para uma categoria que vem se enfrentando com constantes atrasos nos salários, não pagamento do 13º salário e não tem reajuste salarial.

Para se ter uma ideia a última greve da categoria encerrou-se em 2017 com a inacreditável proposta de 3,26% de reajuste salarial parcelado até 2020, acordo negociado à portas fechadas, sem divulgação da reunião e sem sequer submeter a decisão à assembleia.

Tantas manipulações e traições tem provocado na categoria uma indignação que vem se expressando em uma grande número de desfiliações, uma vez que a categoria não se vê representada.

Não obstante, a diretoria sindical fez aprovar em uma assembleia quase secreta no último dia 23 de fevereiro, a cobrança compulsória da contribuição sindical dos mais de 17 mil servidores públicos municipais. Diante da corrida dos servidores para protocolar documento contra o desconto, a diretoria do sindicato dificultou ao máximo a entrega das cartas criando filas gigantescas na porta do sindicato, sob o sol quente, sem água e sem poder usar as dependências do sindicato sequer para ir ao banheiro, os servidores ficaram por horas na fila.

Esse sindicato já tem dado várias mostras de que não representa de fato os trabalhadores, e agora busca essa medida absurda de dividir a categoria, entre filiados e não filiados. A reforma trabalhista de Temer e o fim do imposto sindical é uma forma de diminuir o papel dos sindicatos, em um claro ataque aos instrumentos e métodos de luta dos trabalhadores. No entanto, direções sindicais como a do STMC são traidoras convictas da sua base e inclusive contribuem para o descrédito que muitos sindicatos possuem, já que de fato não tem representado os trabalhadores.

Por isso é fundamental que o conjunto dos trabalhadores tomem para si a construção dessa importante ferramenta de luta. Construindo uma oposição pela base, combativa e que arranque das mãos da burocracia o controle das lutas dos trabalhadores.




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