Política

RIO GRANDE DO SUL

Servidores na miséria e sem 13º para garantir mesada dos banqueiros e isenções

Este foi o pior Natal e fim de ano da vida de muitos professores e servidores do Rio Grande do Sul. Uma mal necessário? Necessário para quem?

quinta-feira 29 de dezembro de 2016| Edição do dia

Depois de um ano inteiro de parcelamento, endividamento e humilhações, o governo não pagou o 13º, um direito histórico, conquistado pelos trabalhadores com muita luta. É um verdadeiro absurdo o que o governo vem fazendo, jogando os trabalhadores na miséria para sustentar isenções e sonegações bilionárias, além da dívida pública que enriquece cada vez mais os banqueiros.

Nenhuma das medidas de austeridade tomadas pelo governo irão solucionar os problemas econômicos do estado. Mas isso não impediu que, para garantir os ataques, trabalhadores que lutavam contra suas demissões fossem covardemente agredidos pela polícia de Sartori em frente à Assembleia Legislativa durante toda a semana passada.

Tudo isso para sustentar os privilégios de uma elite que usurpa nossas vidas, com o aval de um governo burguês que não vê pessoas e nem animais, mas só vê números. Quem ja foi garçom, manobrista ou serviu de alguma forma essas pessoas que se acham acima do bem e do mal, sabe que sua pompa de seres divinos é pura máscara de podridão. Sustentam seus luxos com o suor de quem trabalha.

O governador, um gringo pacóvio que deve se basear na mentira de que funcionário público é vadio, tem vida fácil, tem férias longas, como no caso dos professores, parcela os salários e dá calote no 13º dos trabalhadores enquanto paga religiosamente a dívida pública aos banqueiros. Ele não está disposto a tomar medidas como fiscalizar e cobrar as sonegações. Só em 2016 o "sonegômetro" estima que R$ 7 bilhões que deveriam ter entrado nos cofres públicos foram sonegados pelos empresários no RS. Isso sem falar nas isenções fiscais, que, segundo investigação do Ministério Público, podem chegar a R$ 9 bilhões!

Admira muito que o governador Sartori tenha diploma em filosofia. Como será que conseguiu se formar? Um candidato que fugia dos questionamentos por meio de piadinhas de muito mal gosto, como dizer aos professores ir "buscar piso no Tumeleiro". Quem será que alfabetizou esse ingrato?

Enquanto os políticos e os grandes empresários e banqueiros credores da dívida pública se esbaldam em suas festas de Natal, farinha de milho para fazer cuscuz, quando muito, foi o que sobrou para muitos colegas. E as crianças? Não puderam cantar: "como é que Papai Noel, não se esquece de ninguém...". Incontáveis lágrimas e juros imperdoáveis ocuparam as mentes e os ambientes no silêncio e na escuridão de algumas casas, cuja luz já foi até cortada.

Triste, triste mesmo. A educação pública faleceu, já negamos, barganhamos, nos deprimimos e ficamos com raiva, essas são as cinco fases do luto. Que essa raiva que sentimos agora possa se transformar em luta organizada. Cabe aos dirigentes principalmente do CPERS, o maior sindicato do estado, mover todos os seus esforços para não permitir que nenhum professor ou funcionários de escola passe por dificuldades. Para além de solicitar à justiça que obrigue o governo a pagar, que libere urgentemente o fundo de greve e se preciso ponha a venda os bens do sindicato para alimentar a nossa categoria! Pois se trata de uma questão de emergência quando falta alimento na mesa dos trabalhadores.

Muitos educadores e educadoras acreditam na educação como meio de transformar o mundo. Ser educador não é apenas uma profissão, mas, um projeto de vida. Muitas horas de trabalho em casa deixando de dar atenção aos próprios filhos e família, muitos "não posso, tenho que preparar aula" e "não posso preciso terminar de corrigir os trabalhos dos alunos", fazem parte da vida dos professores.

Merecemos muito mais! E exigimos que o governo pague imediatamente nosso 13º, corrigido com base nos juros do cheque especial!

Apesar da renegociação da dívida com a União em 2016, a dívidia externa do RS continuou a sugar o dinheiro público, e os professores e demais servidores continuaram a receber seu salário parcelado, e tiveram novamente negado seu direito ao 13º. Mais do que nunca é necessário dizer NÃO AO PAGAMENTO DA DÍVIDA, que serve só para entregar o dinheiro público, pago pelos trabalhadores, nas mãos dos banqueiros!




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