Política

PRISÃO DO MARQUETEIRO

Sergio Moro trabalha pelo impeachment via TSE

Sérgio Moro, juiz responsável pela operação Lava-Jato tem demonstrado muita disposição em colaborar com a oposição tucana para fortalecer a possibilidade de impeachment de Dilma Rousseff via Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

quarta-feira 24 de fevereiro de 2016| Edição do dia

Nesta segunda (22) se iniciou a 23ª fase da Operação Lava-Jato que começou com um mandato de prisão para João Santana e sua esposa, Monica Moura, marqueteiros do PT acusados de recebimento ilegal de 3 milhões da Odebrecht. No dia seguinte o PSDB já estava preparado para pedir que estas novas provas fossem anexadas ao processo de impeachment que corre pelo TSE.

Ao fim da primeira quinzena desse mês Sérgio Moro ainda encaminhou ofícios sugerindo que o TSE deveria ouvir seis dos delatores da operação Lava-Jato, afirmou também que as provas relacionadas aos casos de corrupção na Petrobras serviam também para o processo de impeachment aberto pela coligação do senador Aécio Neves, que acusa a presidente de crime eleitoral, já que se referem ao recebimento ilegal de dinheiro para campanha eleitoral.

A colaboração de Moro em garantir que todas as provas da operação Lava-Jato contra Dilma, Lula e o PT, como o caso mais recente do marqueteiro acusado, cheguem ao TSE tão rápido quanto necessário para o bom desenvolvimento do processo de impeachment não é lealdade jurídica, ou compromisso com a justiça.

Enquanto Moro caça marqueteiros, investiga diretorias da Petrobras com menor rendimento e ligadas aos petistas e peemedebistas, a mais poderosa das diretorias, a de Exploração e Produção que reserva as relações com as gigantes terceirizadas das plataformas Halliburton, Schlumberg, Transocean, entre outras são algumas das maiores ganhadoras na operação, porque permanecem blindadas.

A retomada do impeachment no jogo do regime político

A importância das ações de Sergio Moro são um sinal significativo para a conjuntura política: o suposto “juiz neutro contra a corrupção” agora coloca as mangas de fora e vem atuando sistematicamente para facilitar o processo de cassação do mandato de Dilma pela via do TSE. Isso quer dizer que Moro muda de estratégia e já aparece publicamente mais articulado com as ações que podem levar ao golpe institucional, utilizando manobras jurídicas para impor a queda da presidente Dilma.

Naturalmente, os setores da esquerda e comprometidos com a luta dos trabalhadores devem fazer uma critica implacável ao ajuste fiscal e aos distintos ataques que o governo do PT tem aplicado ao conjunto da classe trabalhadora e a juventude. No entanto, é chamativa a campanha hiper articulada entre os políticos da oposição burguesa, as principais mídias e Sergio Moro, que tem relações com gigantes petrolíferas que visam a exploração da commoditie no país. Um impeachment imposto por esses setores reacionários só poderia significar um cenário de ataques ainda mais duros contra os trabalhadores.

Com a prisão de João Santana, homem forte do PT, a alimentação de “provas de práticas criminosas” para o processo no TSE e as sucessivas investigações de Lula, que visam enfraquecer a principal figura política do PT, pode se estar abrindo um cenário em que o impeachment volte a “ordem do dia”. Se esse processo vai se desenvolver ou não depende de uma combinação de fatores que mudem a relação de forças a favor da oposição de direita e setores pró-impeachment.

A oposição ainda não encontrou seu “FIAT Elba”, um carro popular que foi peça chave como prova da corrupção no caso de Collor, o que facilitaria muito as coisas para uma busca do xeque-mate da direita.




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