Política

EXTREMA-DIREITA

Reacionário Major Olímpio apoia Bolsonaro na venda de reservas indígenas e fim do desarmamento

Major Olímpio, eleito senador pelo PSL neste domingo, apoiará venda de reservas indígenas, fim das torcidas organizadas, revogação do estatuto do desarmamento para “possibilitar que o cidadão de bem se defenda” (sic) e redução da maioridade penal.

Cássia Silva

estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

terça-feira 9 de outubro| Edição do dia

Major Olímpio, eleito senador pelo PSL neste domingo, apoiará venda de reservas indígenas, fim das torcidas organizadas, revogação do estatuto do desarmamento para “possibilitar que o cidadão de bem se defenda” (sic) e redução da maioridade penal.

Com 28,81% dos votos válidos, o capitão reformado do Exército e coordenador da campanha do selvagem Jair Bolsonaro foi eleito senador pelo estado de São Paulo. Ultrapassando a eleita Mara Gabrilli do PSDB e Eduardo Suplicy do PT, ele foi o candidato mais votado em SP.

Em entrevista à Folha de São Paulo, o soldado mais fiel do rebanho de Bolsonaro, Major Olímpio, disse que a redução da maioridade penal “é questão de honra”, fazendo coro com a entrevista que o candidato da extrema-direita deu ao Jornal Nacional ontem, segunda (08), um ataque brutal à juventude brasileira, especialmente a juventude negra, que será privada de construir seu futuro com a aprovação de um projeto desse. Essa proposta prevê a diminuição da idade penal de 18 para 16 anos. Ao contrário dos discursos dos reacionários e conservadores que a defendem, a redução não está a serviço de acabar com a violência inerente a um sistema baseado na exploração e opressão de uma classe sobre a outra. Pelo contrário, visa na verdade acabar com a liberdade e o futuro de milhares de jovens. É uma tentativa de disciplinar pela repressão uma geração que não se conforma ao ver os custos da crise capitalista sendo descontada em nossas costas, por meio do desemprego ou da precarização do trabalho, da falta de acesso à educação, lazer, cultura e todas as mazelas que essa burguesia racista impõe cotidianamente.

Também disse que sua prioridade é a revogação do estatuto do desarmamento “para possibilitar que o cidadão de bem se defenda” (sic) e que vai lutar para a implementação do já aprovado Sistema Único de Segurança Pública. Este último projeto consiste na ação combinada das polícias e os sistemas de segurança do país, assim como a intervenção federal no Rio de Janeiro conta com a ação combinada das polícias e de tropas do Exército, que teve 297% de aumento de mortes em cinco anos e que assedia e estupra meninas nos morros cariocas.

Sobre as torcidas organizadas, Major Olímpio disse que se tornaram organizações criminosas e que fizeram campanha para não votar nele em São Paulo.

Com muita confiança, também afirma que Bolsonaro terá “vitória avassaladora, com mais de 70% dos votos no segundo turno”. Inclusive, quando fala em Bolsonaro, se inclui não somente na confiança de vitória, mas também no projeto que quer vender as reservas indígenas. Além disso, depois dessa destilação de ódio fantasiada de alternativa para a crise social, diz com muita convicção e pouca vergonha na cara que Jair Bolsonaro não é autoritário, que “querem colocar esse estigma devido ao fato de ele ser militar”, em suas próprias palavras.

Quanto ao apoio de João Dória do PSDB, candidato que enfrentará Márcio França do PSB no segundo turno para o governo do estado de São Paulo, a Bolsonaro, o Major diz que achou “antiético” porque o PSL apoiava o candidato do PRTB, Rodrigo Tavares, que não foi para o segundo turno. Nesse sentido, afirmou que a candidatura de extrema-direita a presidente do Brasil do PSL se manterá neutra quando a SP, além de dizer que Dória está sendo oportunista por querer “pegar uma carona na popularidade do Bolsonaro”.

Em relação às afirmações do general Hamilton Mourão (ou Augusto Mourão, segundo Bolsonaro na entrevista para o JN ontem) sobre a realização de uma Assembleia Constituinte Nacional que não aceitava eleitos pelo povo, Major Olímpio também desdisse o vice da extrema-direita, porque para ele seria “um esforço muito grande” e também que produziriam muito pouco.

É óbvio, somente uma Frente Única dos trabalhadores com uma forte aliança com a juventude, com as mulheres, com os negros e com as LGBT que canalize o ódio à extrema-direita é que pode barrar o triunfo de Bolsonaro do primeiro turno e dar uma saída de fundo para a crise, para que os capitalistas é que paguem por ela, porque foram eles que criaram, e que possamos impedir de ela continuar sendo descarregada em nossas costas. Começando pelo não pagamento da dívida pública, pela anulação de todas as leis reacionárias votadas pelos governos anteriores, mas também debatendo seriamente todo um programa pela reestatização sob gestão dos trabalhadores e controle popular de todas grandes empresas estratégicas como a Petrobras, a Eletrobras, os serviços de água e transporte, que passem a ter licitações públicas transparentes e controladas pela população é onde reside o triunfo dos trabalhadores e de toda a população.




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