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SÃO REMO

Sem uma solução real dos governos, moradores da favela São Remo se organizam em um coletivo contra a Covid-19

segunda-feira 6 de abril| Edição do dia

Frente a inação dos Governos, que não demonstraram um combate real a pandemia de Covid-19, seja no negacionismo ou quarentena vertical de Bolsonaro, seja na quarentena geral adotada pelos governadores, como Witzel e Dória, que não se aplica na realidade na maioria da classe trabalhadora, moradores da favela. Na São Remo, favela da Zona Oeste de São Paulo, moradores se organizam para tomar medidas preventivas contra o Coronavírus e recebem apoio dos centros acadêmicos da USP, CAELL e CAPPF, e trabalhadores da USP do movimento Nossa Classe.

Veja aqui o video gravado pelas entidades:

No Sábado e no Domingo (04 e 05), diretores dos centros acadêmicos da faculdade de Letras e Educação, Caell e CAPPF respectivamente, somaram-se na ação organizada pelo coletivo São Remo contra o Coronavírus, para montar e distribuir kits de limpeza e higiene pessoal para moradores da favela. Essa ação reflete não só a solidariedade entre moradores e na capacidades de trabalhadores de se auto-organizar, mas no total descaso dos governantes em dar uma verdadeira solução para essa camada de trabalhadores.

A maioria dos moradores das favelas no Brasil são negros que perante a “normalidade” do sistema capitalista brasileiro, o qual foi fundado a custo do suor e sangue do escravo, ja vivem em situações degradantes, tanto nos postos de trabalhos que são destinados a eles quanto no dia a dia sofrendo com a repressão policial. Essa realidade não é diferente na São Remo, onde a maioria dos moradores possuem trabalhos informais ou são terceirizados.

Muitos trabalhadores efetivos e terceirizados que trabalham na USP são moradores da São Remo, a qual é separada da universidade por muros e catracas, literalmente. Uma demonstração do caráter elitista e racista da universidade, outro exemplo é que dentro do campus central possui um Hospital Universitário, que detém potencialidade não só de atender os estudantes e trabalhadores, mas também de ser referência e estar a disposição a toda zona oeste ao combate ao Coronavírus e atendimentos em geral, mas nenhum dos casos acontecem.

Toda produção não só da universidade de São Paulo, mas de todas as universidades do Brasil não está voltada a solucionar os problemas reais da sociedade, elas estão a serviço da garantia das pesquisas que deem grandes lucros aos capitalistas. Isso se mostra em prática quando a universidade terceiriza ainda mais seus serviços e não garante as mínimas condições para esses trabalhadores enfrentar a pandemia, pelo contrário, criam uma segregação entre os terceirizados e efetivos.

Indo de contra com essa lógica, todos os centros acadêmicos que são dirigidos pela Faísca e independentes veem a necessidade de lutar contra essas políticas reacionárias e autoritárias em busca da verdadeira solução para os trabalhadores, pelos trabalhadores. Um exemplo disso, foi o Caell e CAPPF em se juntar a ação feita na São Remo para ajudar os moradores a combater a pandemia, já que vivem em situação de insalubridade. Lutemos para um combate mais efetivo é necessário testes massivos a todos aqueles que precisarem e quiserem realizá-lo. E convidamos a todos a se somarem juntamente conosco nas próximas ações.




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