Juventude

UERJ EM CRISE

Sem condições de não lutar: resposta ao reitor

Em artigo intitulado “Sem Condições de Funcionar” publicado no dia 22/05 no jornal O Globo, o atual reitor, Ruy Garcia, expõe alguns elementos pelos quais a UERJ se encontra a quase 3 em greve. Não é de hoje, porém, os problemas estruturais que a Universidade do Estado do Rio de Janeiro vem enfrentando. Ao tomar posse, a atual gestão da Reitoria já estava ciente de tais problemas da universidade. Durante o próprio processo eleitoral, porém, não apresentou nenhum programa que buscasse responder a fundo os desafios que estavam colocados.

Isa Santos

Assistente social e pós graduanda na UERJ

Demar Oliveira

Serviço Social - UERJ

quarta-feira 1º de junho de 2016| Edição do dia

Em artigo intitulado “Sem Condições de Funcionar” publicado no dia 22/05 no jornal O Globo, o atual reitor, Ruy Garcia, expõe alguns elementos pelos quais a UERJ se encontra a quase 3 em greve. Não é de hoje, porém, os problemas estruturais que a Universidade do Estado do Rio de Janeiro vem enfrentando. Ao tomar posse, a atual gestão da Reitoria já estava ciente de tais problemas da universidade. Durante o próprio processo eleitoral não apresentou nenhum programa que buscasse responder a fundo os desafios que estavam colocados. Não buscou nem mesmo expor ou dialogar sobre seu programa durante o processo eleitoral, que ocorreu durante um processo de mobilização devido aos recorrentes atrasos de pagamentos dos terceirizados e fugiu do debate político com a chapa concorrente.

Não buscou nem mesmo expor ou dialogar sobre seu programa durante o processo eleitoral, que ocorreu durante um processo de mobilização devido aos recorrentes atrasos de pagamentos dos terceirizados, e fugiu do debate político com a chapa concorrente.

Os atrasos de salários dos trabalhadores terceirizados, que não são considerados parte integrante da “comunidade uerjiana” pela reitoria, são anteriores a atual gestão e permanecem entregues ao descaso. É dessa gestão, porém a demissão dos funcionários terceirizados que prestavam serviço ao HUPE e também os serviços de segurança da universidade. É também dessa gestão o mais completo silêncio quanto ao fato desses trabalhadores terem sido, em sua maioria, desligados das respectivas empresas sem nenhum dos seus direitos pagos, nem mesmo com o pagamento dos salários que se encontravam atrasados. Ruy Garcia tenta se livrar transferindo ao governo do Estado toda a responsabilidade pelo não pagamento dos funcionários terceirizados. Essa postura ficou evidente em uma reunião convocada por alunos do Comando de Greve da UERJ com a reitoria, na qual o reitor se limitou a dizer que não é de responsabilidade dele cobrar às empresas terceirizadas uma auditoria fiscal (uma das demandas dos alunos) e, disse não entender tal proposta. O senhor reitor prefere ignorar que a UERJ também é responsável pelo pagamento dos trabalhadores que prestaram e continuam prestando serviços à UERJ durante 7 meses sem receber seus salários.

A graduação que atualmente possui 27 mil alunos presenciais, dos quais 10 mil são cotistas que sofrem com atrasos recorrentes no auxílio-permanência, cujo valor é de 400 reais, não possuem direito a moradia, ônibus Inter campi, não tem bilhete único intermodal ou intermunicipal ou creche e viram o Restaurante Universitário (único existente entre os diversos campi UERJ e fruto de uma luta intensa dos estudantes) ser fechado por falta de verba para sua manutenção. É esse setor, junto aos terceirizados, que enfrenta mais cotidianamente as expressões do sucateamento do ensino superior público e que se mobiliza em defesa de condições dignas de aula, pesquisa e trabalho.

Ao ressaltar que mesmo em greve “os nossos servidores permanecem desempenhando atividades essenciais que, se paralisadas, ocasionariam graves prejuízos ao Erário e à população do nosso estado.” esquece ele de esclarecer que para isso, trabalhadores terceirizados executam suas funções com mais de seis meses de atraso em seus salários. Esquece ele de que as pesquisas, as “muitas aulas, para cerca de seis mil estudantes, nos mais de cem cursos de mestrados e doutorados” são oferecidas em condições insalubres e inseguras oferecendo riscos aos alunos e também aos trabalhadores.

Ao reverenciar o posto de 8ª universidade do país em pesquisa, os 30 municípios em que a universidade se encontra presente o reitor ignora por exemplo que o campus de Teresópolis possui salas sem quadros ou que no Pavilhão João Lyra Filho não há tomadas em diversas salas e os banheiros estão em péssimas situações. Não diz à comunidade do Estado do Rio de Janeiro a serviço de quem estão as pesquisas dentro da universidade. Pesquisas que produzem conhecimento e tecnologia que servem para enaltecer o projeto de UPP responsável pela morte de Amarildo, Cláudia, DG e muitos outros jovens negros com aval do estado, como o livro “Os donos do morro”, escrito por professores da UERJ, ou sobre os conhecimentos da engenharia que estão voltados na produção de tecnologia que permitam caveirões mais leves que só favorecem ao extermino da juventude negra e pobre.

Como será o amanhã?

Ruy termina seu artigo, depois de afirmar que com o fim da greve é necessário restabelecer a normalidade e que para isso é preciso garantir as condições mínimas de funcionamento da Universidade, fazendo um chamado a quem puder responder a seguinte questão “Como será amanhã? ”O amanhã depende de qual resposta daremos hoje para a crise da universidade. E esta resposta não é nem de longe a resposta que o reitor nos dá, que concretamente significa, além de não se posicionar, entrar em férias desde o dia 24 de maio com objetivo de estudar para o concurso de professor titular, concurso esse que ocorrerá no dia 13 de junho, ou seja, em meio a greve o reitor literalmente ignora o cenário estarrecedor ao qual nos encontramos para garantir no seu futuro, uma melhor aposentadoria. E nós como ficamos? Qual será nossa resposta pra tamanha desdenha?

A resposta para a crise na UERJ hoje passa por questionar o sistema hierárquico e antidemocrático que é a reitoria e fazer com que a democratização se radicalize dentro da universidade e que cada pessoa da comunidade acadêmica possa escolher sua representação (estudantes, funcionários, professores e terceirizados).
À serviço de quem está o conhecimento que ali é produzido? A resposta é clara: para as grandes empresas e para legitimar a ideologia burguesa. Devemos lutar para que este conhecimento esteja disponível para os trabalhadores e para a população, que se produza conhecimento de acordo com as necessidades dos trabalhadores e do povo pobre e não de empresários. Que se rompam os muros da universidade com cotas proporcionais ao número de negros e pobres e que se acabe com o filtro social do vestibular. Devemos exigir que a reitoria abra o livro de contas da universidade, pois somente dessa forma iremos saber para onde vai os investimentos destinados à universidade e como se chegou a uma dívida que cresce 20 milhões a cada mês e que em junho atingirá 170 milhões de reais. A resposta é incorporar os terceirizados sem concurso publico, pagando todos os salários e direitos trabalhistas atrasados

A resposta para a crise da Universidade está na unificação das lutas com os outros setores da educação que, travam hoje, uma verdadeira batalha, tanto do Rio como nacionalmente, contra os cortes e ataques dos governos, em defesa de uma educação pública gratuita e de qualidade. A vitória não virá sem um enfrentamento direto com os projetos de privatização defendidos pelo governo golpista de Temer, que busca descarregar nos trabalhadores e na juventude, através de cortes e extinção de diversos serviços de atendimento à população, a conta de uma crise que não fabricamos.




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