Mundo Operário

TRABALHO POR APLICATIVO

“Se eu tô correndo a milhão, é pra receber 4 reais a entrega” denuncia trabalhador de aplicativo

Aconteceu uma paralisação dos entregadores de aplicativos na tarde de hoje, em São Paulo, na Paulista, expondo as condições precárias de trabalho em que estão submetidos pelas empresas.

sexta-feira 5 de junho| Edição do dia

Com gritos de “Vem pra rua, vem! O aplicativo não tá pagando bem” os trabalhadores de entrega pararam a Avenida Paulista nesta tarde, em frente ao MASP. Os entregadores deram vários depoimentos ao Esquerda Diário, relatando as péssimas condições de trabalho que sempre estiveram submetidos e que agora se tornaram mais agudas durante a pandemia.

As empresas pagam por quilometragem e, na pandemia, em que os serviços de delivery se tornaram mais frequentes, devido à quarentena, esses trabalhadores estão recebendo cada vez menos dos aplicativos, como foi relatado por um dos trabalhadores, que recebe 4 reais por entrega.

Além da exposição que já tinham de dirigir ou de pedalar pelo trânsito das grandes cidades, se arriscando entre carros,ônibus e caminhões, sem amparo da empresa em caso de acidentes, durante a pandemia correm o risco de se contaminarem e de transmitirem o vírus aos seus familiares.

O coronavírus só está escancarando a face cruel desses aplicativos que, com esse discurso de “empreendedorismo” e de “seja você o seu próprio patrão”, faz esses jovens, a maioria negra, arriscarem suas vidas, a passarem até mais de 12 h por dia andando, pedalando ou dirigindo, para, no final do mês, não receberem nem 1000 reais,o que é insuficiente para levar o sustento às suas famílias.

Além disso, empresas como Rappi e IFood, não estão disponibilizando EPIs básicas, como máscaras, luvas e álcool em gel, expondo ainda mais esses trabalhadores ao coronavírus. Segundo um dos manifestantes, a Rappi disse que disponibilizou esses materiais, mas foi só 1 par de luvas e álcool em gel e ainda puniu os que pegaram a mais.

Esses trabalhadores precarizados, em sua maioria negros, deixam cada vez mais evidente como a luta contra o racismo tem que se somar à luta por condições adequadas de trabalho, principalmente durante a pandemia, em que, além de receberem EPIs, deveriam receber, no mínimo, um salário de 2000 reais.

Por isso, nós, do Esquerda Diário e do MRT, fazemos um chamado para todos os trabalhadores de aplicativos que puderem se somarem aos atos de domingo, dia 7, contra o fascismo e o racismo. A luta pela não precarização do trabalho é uma luta de toda a classe trabalhadora!

"Vamos nas manifestações de domingo contra o racismo e por uma nova Constituinte contra Bolsonaro", diz Marcello Pablito




Tópicos relacionados

ifood   /    Rappi   /    Classe Trabalhadora   /    precarização   /    Trabalho Precário   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar