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Se aprofunda o saque: chaves do novo acordo com o FMI

Christine Lagarde, a diretora do FMI, e Nicolás Dujovne, ministro da Fazenda argentino, anunciaram de Nova York a ampliação do empréstimo com o FMI por US$7.100 e o adiantamento de desembolsos. Sandleris confirmou mudanças no regime monetário, acompanhando o acordo. A seguir veja os pontos chaves do saque anunciado.

quinta-feira 27 de setembro| Edição do dia

Do coração das finanças mundiais, a diretora do FMI, Christine Lagarde e o ministro da Fazenda argentino, Nicolás Dujovne, anunciaram brevemente o novo acordo ao que chegaram. O mesmo amplia a quantidade do Stand By à Argentina que atravessa uma forte crise econômica, com elevados níveis de volatilidade cambial.

O anúncio pretende levar tranquilidade aos “mercados” após a renúncia do ex titular do Banco Central, Luis Caputo, simultânea à jornada de paralisação geral desta terça, que expressou o descontentamento de milhões de trabalhadores produto das medidas de ajustes levadas adiante pelo Cambiemos (coligação do governo de Macri).

A seguir repassamos as chaves das medidas anunciadas por Lagarde, Dujvone e o novo presidente do BCRA, Sandleris, que marcou o fim das metas de inflação e um novo regime de política monetária a partir de 1° de outubro.

1) Ampliação do empréstimo com o FMI

O FMI e o governo acordaram uma ampliação de US$ 7.100 milhões sobre o empréstimo Stand By inicial. Desta forma a dívida total se eleva em 14%, dos originais US$50.000 milhões a US$57.100 milhões. Apesar do otimismo de Dujvone e a equipe econômica a quantidade é menor que os US$20.000 que alguns dias atrás anunciaram como possíveis desde o governo.

Isto mostra que desde o FMI há “respaldo ao programa econômico” mas que também exigem resultados. A respeito Lagarde disse: “Respaldo ao plano econômico para restabelecer a confiança nos ambiciosos planos do governo e para proteger os mais vulneráveis”.

2) Adiantamento dos desembolsos

O adiantamento dos fundos era algo vital para o governo tendo em conta que pelas corridas cambiais fugiram até agora neste ano mais de 20.000 milhões de dólares das reservas, ou seja, a totalidade dos 15.000 milhões que entraram pelo Stand By e mais.

Entre 2018 e 2019 serão recebidos 19.000 milhões de dólares dos quais serão repartidos em 8.000 milhões para o ano em curso e 11.000 milhões para 2019.

No total durante 2018 se receberá a soma de US$13.400 milhões, enquanto em 2019 os desembolsos totalizariam US$22.800 milhões.

3) O fim das metas de inflação

O acordo pôs ponto final à política monetária com “inflation targetting” implementada pelo “renunciado” Federico Sturzenegger, mas sobre as altas taxas de juros que se encontram em 60%. Até o momento a taxa de juros foi usada como contenção para o tipo de câmbio. O resultado esteve longe de ser exitoso, não somente porque o tipo de câmbio saltou, mas também porque a taxa chegou a níveis recordes e gerou um forte efeito recessivo na economia.

Neste sentido Dujvone assinalou que ante a volatilidade, se decidiu “substituir metas de inflação por uma regra simples e verificável sobre os agregados monetários para reduzir a inflação”.

Enquanto o presidente do Banco Central explicou em conferência de imprensa rodeado de sua equipe, que se muda o regime de política monetária, trocando o esquema de metas de inflação por um restrito controle da base monetária que terá crescimento zero.

4) Estrito controle da Base Monetária para conter a inflação

A base monetária (BM) é constituída pelo dinheiro legal em circulação (tanto notas como moedas), mais os depósitos dos bancos em pesos que se encontram no Banco Central. Até agora se crescia a inflação a quantidade de pesos em circulação aumentava em uma proporção relativamente similar. Sandleris afirmou que a nova medida implica “num controle muito estrito da quantidade de dinheiro na economia”.

Para cumprir este objetivo o governo poderá utilizar a taxa de juros de forma tal a reduzir todo o incremento de dinheiro em circulação para voltar ao valor inicial. No imediato, este “torniquete monetário” poderá implicar um incremento nas taxas de juros que já se encontram em valores recordes, com o consequente encarecimento nas taxas de crédito e como consequência de tudo isso um aprofundamento da situação recessiva que já atravessa a economia.

O uso de altas taxas de juros junto ao dólar que se move e valores predeterminados, segundo os anúncios do governo, anunciaria a volta do “Carey trade” melhor conhecido como bicicleta financeira. Esse esquema de bicicleta financeira foi o que garantiu lucros milionários especulativos a bancos e “investidores” privados durante boa parte da presidência de Sturzenegger no Banco Central, assim como quando esteve sob o mando de Caputo.

5) Zonas de não intervenção na taxa de câmbio

Após mostrar uma intervenção errática no mercado cambial que levou a que o Banco Central doasse milhões de dólares sem conseguir conter a subida do dólar, o governo anunciou ontem que avançará em um regime de “zonas de intervenção cambial”.

O dólar terá uma “flutuação livre” dentro de “zonas” ou valores mínimos e máximos pré estabelecidos. Segundo o comunicado oficial do BCRA “a zona de não intervenção cambial se define inicialmente entre US$ 34 e US$ 44, se ajustará diariamente a uma taxa de 3% mensal até o fim do ano e se recalibrará no começo do próximo ano”.

Quando o tipo de câmbio se aproximar do valor mínimo o BCRA poderá intervir para que o valor não caia abaixo, enquanto que se o tipo de câmbio se aproximar do valor máximo poderá fazer o mesmo, para “conter” o bilhete verde. O novo sistema monetário no qual se garante um tipo de câmbio entre zonas que se atualizam mensalmente é um aviso, de que veremos novos movimentos de desvalorização da moeda.

O novo acordo, ou pacto de colonização com o FMI, implica um aumento do endividamento e uma aceleração do ritmo do ajuste. A subida das taxas da FED no dia de ontem podem gerar novos estremecimentos sobre a moeda local, aumentando a volatilidade cambial.

É mais que claro que o Orçamento de 2019 está elaborado em base aos requerimentos do FMI, neles pretendem destinar mais da metade dos ajustes para pagar os juros da dívida. É preciso rechaçar esse orçamento do FMI e não pagar um só peso da fraudulenta e ilegítima dívida externa para frear o saque que está em curso.




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