Cultura

CULTURA

Sarau Anticapitalista chega a sua terceira edição com o tema É PROIBIDO PROIBIR!

segunda-feira 2 de outubro| Edição do dia

É PROIBIDO PROIBIR! Além de uma temática, é um grito forte que queremos que ressoe e exploda o tímpano de cada reacionário que defende a censura da arte. Setores reacionários, animados ou raivosos com a situação política atual, colocam suas asinhas de fora e começam uma guerra ideológica no campo da arte: a linha é prisão e censura à toda manifestação artística contestadora; seja dos costumes patriarcais, machistas e/ou dos governos de turno.

Diversas apresentações teatrais de rua tem sido reprimidas diretamente pela polícia por fazerem críticas a essa carcomida instituição ou por atentarem contra o “pudor”. Exemplo disso foi o caso de ator paranaense Maikon Kempinski, que teve sua performance invadida pela polícia militar, que o arrancou nu de sua apresentação. Maikon, que se apresentava na Praça do Museu da República, DF, foi encaminhado à delegacia para “prestar esclarecimentos”.

Recentemente acompanhamos também os casos da exposição QUEERMUSEU, que foi fechada deliberadamente a mando do gigante financeiro Santander. Depois da nebulosa manifestação de setores minoritários reacionários, que se sentiram moralmente “ofendidos”, uma das obras da artista Alessandra Cunha foi removida do museu e confiscada para averiguação da polícia. Trata-se do quadro “Pedofilia” ou “Ropre”, um claro protesto contra a exploração sexual de crianças. Alessandra foi acusada de difundir justamente isso que ela critica e denuncia na obra. Em sua carta de esclarecimento (e desculpas aqueles que foram moralmente “ofendidos”) o Santander defende que: “Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perde seu propósito maior, que é elevar a condição humana”.

A partir dessa premissa fica a dúvida: Qual é o conceito de “inclusão” para o Santander? Abrange, por exemplo, o cristianismo que é tratado de maneira crítica pelos LGBTs porque estes lutam pelo seu direito de existência e tem que se chocar com essa moral e suas determinações? Ou a polícia, que historicamente é o braço armado do Estado para reprimir manifestações de juventude e de trabalhadores e inclusive manifestações artísticas contestadoras? Ou os heterossexuais que “sofrem tanto” com imagens e manifestações homoafetivas?

A batalha ideológica da burguesia é pelo não crítico, pela conformidade, ou seja, pela arte que mente, que pinta, canta e interpreta o mundo como uma grande fantasia sem contradições. Sabemos que a cultura é relegada a uma posição secundária na sociedade. As atividades relacionadas a arte ainda carregam o estigma de serem algo etéreo, e que somente servem ao capitalismo quando dialogam e reafirmam sua lógica enquanto mercadoria/produto, que é consumido pelo público/consumidor.

Fica clara a relação que se estabelece a partir dessa realidade: toda e qualquer manifestação artística que não está a serviço da lógica capitalista, a ela não serve e portanto é hoje brutalmente combatida. Cabe a este sistema opressor, afastar do imaginário popular a certeza de que a arte e a cultura são direitos e não privilégio, e que deveriam fazer parte de nossas vidas de modo orgânico e não como alienação e mercadoria. Para isto tem utilizado das medidas mais sórdidas.

A burguesia historicamente se apropria da arte ceifando as produções independentes e cooptando materialmente os artistas que consideram um “bom negócio” para a manutenção de seus interesses. Durante a Revolução Russa, a primeira revolução operária vitoriosa da história, um grande feito de milhões de mulheres e homens que derrotaram o império czarista e a burguesia, a burguesia através de suas empresas de mídia, com um verdadeiro cerco midiático, disseminava notícias falsas sobre a revolução para o restante do mundo. Ainda assim, e por cima das possibilidades capitalistas, a classe operaria demonstrou, em poucos anos, as imensas possibilidades que tinha um pais pobre como a Rússia de desafiar toda a órbita capitalista mundial.

Da mesma forma querem distorcer e transformar em seu contrário nossas vitórias e lutas. Querem esconder as feridas que possam surgir da arte contestadora. Nesses tempos em que a naturalização de absurdos ganha forma e eco através de figuras públicas disseminando discursos recheados de ódio, homofobia, preconceito, machismo e todo tipo de atrocidade, nesses tempos em que a indústria cultural cumpre a função de reafirmar e potencializar os ideais do capitalismo e simultaneamente, as vertentes artísticas e iniciativas anticapitalistas são covardemente cerceadas de possibilidades materiais, são censuradas abertamente. É primordial que busquemos retomar as bases, que revistemos conceitos e teorias para que fortalecidos e imbuídos da paixão pela arte e pela revolução, sejamos capazes de dialogar efetivamente, de movimentar nossa subjetividade em comunhão com a classe trabalhadora, com a clareza de que nessa base capitalista, nada de emancipador florescerá senão as sementes de sua própria destruição.

Faremos o lançamento do livro Modernidade e a estética do credo vermelho sobre o conceito de arte revolucionária no Brasil (1930-1949), com a presença do autor de Afonso Machado, que discutirá conosco os debates na vanguarda artística brasileira acerca da questão da arte revolucionária na época.

Por isso chamamos a todas e todos a participarem do Sarau Anticapitalista É PROIBIDO PROIBIR, dia 21 de outubro, na Casa Marx em SP, a partir das 16:00, e formem conosco essa barricada em defesa da independência total da arte. Que ecoe nosso grito: os reacionários de plantão não passarão!




Tópicos relacionados

Arte   /    Cultura

Comentários

Comentar