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CRISE DO CORONAVÍRUS

São Paulo já conta com 5 mil profissionais de saúde afastados e 12 mortos

A rede municipal de saúde da cidade de São Paulo, entre casos confirmados e suspeitos, 5 mil profissionais de saúde afastados frente a Covid-19. Somente nas estruturas mantidas pela prefeitura o número ultrapassa os 5% do total de funcionários de hospitais, unidades básicas e prontos-socorros, 80,9 mil.

quarta-feira 22 de abril| Edição do dia

Em meio a inúmeras denuncias de falta de EPIs e de negligências com trabalhadores de grupos de risco, o número de profissionais de saúde mortos já chega a 12 pela Covid-19. A técnica de enfermagem Luzanira, trabalhadora em uma UPA no zona sul, foi uma das vítimas. Ela morreu, no dia 5 de abril, no mesmo local em que trabalhava em um leito improvisado enquanto esperava transferência para o Hospital das Clínicas. A última morte foi de um médico de 32 anos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Itaquera.

Apesar das inúmeras denuncias e mesmo protestos feito por profissionais de saúde como profissionais do Hospital Tide Setúbel, no dia 16 de abril, as secretarias municipais e estaduais de Saúde simplesmente ignoram e não se pronunciam sobre as evidentes faltas de EPIs e desgastes desumanos que passam os profissionais. Somente até o começo do mês Associação Médica Brasileira recebeu 855 denuncias de faltas de EPIs no Estado de São Paulo. 255 destas denuncias são na capital paulista. A maior parte das denúncias, 90% delas, são de faltas de máscaras. Porém, as denuncias de falta de álcool gel também são grandes.

Não é de se espantar que com essas condições o número de profissionais de saúde doentes só aumente com o agravar da crise. O número oficial de contaminados no Estado já chega a 15 mil e ultrapassa o número de 1000 mortes. O próprio secretário municipal de saúde não esconde a possibilidade de que se faltem leitos com o agravamento da crise. Para evitar a quebra do sistema de saúde pela falta de leitos é urgente a estatização dos leitos particulares.

Além dos infectados, os trabalhadores da saúde são os primeiros a serem vitimados não só pela Covid-19, mas pelo descaso de políticos que projetaram um sistema de saúde precário enquanto priorizam lucros de empresários e iniciativas privadas. É fundamental garantir a organização dos profissionais de saúde para que eles definam a necessidade e quantidade de EPIs necessário. Não é possível que governador, prefeitos e secretários coloquem em riscos a vida de trabalhadores negando o óbvio que é a insuficiência de materiais hospitalares básicos. A partir das necessidades impostas por estes trabalhadores é necessário garantir o material hospital de proteção para que não se contaminem e eventualmente morram.




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