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SAÚDE PÚBLICA

Santa Casa de São Paulo demitirá 1.397 funcionários

A Santa Casa de São Paulo, maior hospital filantrópico da América Latina e que passa pela pior crise financeira de sua história, iniciou nesta terça-feira (13) o processo de demissão de 1.397 funcionários –cerca de 12% da equipe que atuava na instituição.

quarta-feira 14 de outubro de 2015| Edição do dia

Ajustes do PSDB de Alckmin na saúde são sentidos no maior hospital filantrópico da América Latina e levarão à demissão de 12% dos funcionários, entre médicos, trabalhadores da saúde, técnicos de segurança e psicólogos.

A Santa Casa disse que "lamenta o desligamento dos colaboradores, mas ressalta que a medida ajudará a reequilibrar as contas, garantir os atendimentos, mantendo os outros 9.000 postos de trabalho. A nova gestão está trabalhando para garantir a reestruturação completa do maior hospital filantrópico da América do Sul".

Diante de um cenário nacional em que a saúde é a segunda área mais afetada pelos cortes do governo federal, a crise financeira na Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo, demonstra mais uma vez como os partidos da ordem, unificados, precarizam os serviços públicos e descarregam a crise sobre os trabalhadores, que não têm acesso a um sistema de saúde de qualidade.

A Santa Casa, que chegou a administrar 39 instituições, conta agora com 28, sendo 6 hospitais de complexidades variáveis e 22 UBS (Unidades Básicas de Saúde), administradas por meio de Organizações Sociais de Saúde. Com a redução do número de unidades, muitos colaboradores retornaram destas unidades e foram incorporados ao quadro de funcionários do Hospital Central.

Apesar de a atual gestão do hospital garantir que essas demissões não afetarão o SUS (Sistema Único de Saúde), o que está colocado para a próxima etapa não assegura nem mesmo os 9 mil postos de trabalho que supostamente essas demissões resguardariam. O que a instituição prevê como um "futuro sustentável" se choca com o rombo de R$ 773 milhões nas contas do hospital e encontra respaldo em burocracias sindicais conciliadoras, dentre as quais, em um total de 13 sindicatos, mais da metade (7) concordou com as demissões.

O atual provedor da Santa Casa, José Luiz Setúbal, pediatra, assumiu em Junho deste ano com o objetivo de renegociar as dívidas e recuperar um hospital que, de pronto-atendimento, atende cerca de 1200 pessoas diariamente. Já em Junho, declarou que, uma vez reduzidas as unidades de saúde da Santa Casa de 39 para 28 nos últimos dois anos, o hospital não mais arcaria com a realocação dos funcionários, antecipando as demissões a que assistimos agora.

Ao mesmo tempo, como parte da recuperação, propôs que, na função de um hospital filantrópico que deve garantir no mínimo 60% do atendimento ao SUS, pago pelo governo, a Santa Casa focaria nos dois hospitais privados da instituição para aumentar seu orçamento.

Essa redução das unidades de saúde atendidas pela Santa Casa está relacionada ao aumento das OSs (Organizações Sociais) e escancara o projeto privatista de Alckmin para os serviços públicos. Enquanto a receita do hospital cai de R$1,5 bilhão para R$800 milhões, precarizando cada vez mais o atendimento à população, pinta-se como única saída para a saúde pública a privatização.

O plano do PSDB em escala estadual, fazendo coro ao ajuste fiscal de Dilma a nível federal, é exatamente esse: precarizar os serviços públicos, como temos visto com o ataque ao Ensino Básico e o fechamento das escolas, para pintar como única saída possível a privatização.




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