Gênero e sexualidade

TRANSFOBIA MATA

Sandra, mulher trans, é mais uma vítima fatal da transfobia

Sandra de Souza Medeiros, mulher trans habitante de São Carlos, de 35 anos, foi mais uma vítima fatal da transfobia. Ela cometeu suicídio, um destino tão trágico quanto frequente entre a população trans.

Fernando Pardal

@fepardal

quinta-feira 29 de junho| Edição do dia

Sandra foi encontrada morta em sua própria casa na noite do último domingo, 25. Ela havia se enforcado, provavelmente dois dias antes. Ela deixou um bilhete com mensagens de despedida e orientações sobre seu funeral.

O suicídio de Sandra, como de tantas pessoas trans e outros LGBTs, foi motivado pela sempre presente transfobia em sua vida. Ela havia, após muita luta, obtido na justiça o direito a mudar legalmente seu nome. Uma escolha que deveria ser tão simples, mas que pelo imenso desafio jurídico que representa para a população trans, é simbólico do peso que a discriminação impõe em cada simples aspecto da vida dessas pessoas.

Sair na rua, usar o banheiro, arrumar um emprego: aspectos cotidianos da vida que, entre tantos outros, trazem consigo o peso da transfobia. Sandra morreu com 35 anos. Essa é a mesma idade que representa a expectativa de vida das pessoas trans no Brasil, metade da expectativa de uma pessoa cis.

A morte de Sandra foi praticada por suas próprias mãos, mas todos sabemos que foi um assassinato cometido pela brutalidade de uma sociedade incapaz de respeitar algo que deveria ser simples e elementar para qualquer ser humano: sua identidade.

Nessa semana, em que a revolta de Stonewall, um grito de resistência e rebeldia dos LGBTs contra a polícia e o Estado que a comanda, completa 48 anos, sentimos a morte de Sandra como um ataque profundo a todos os que lutam pelo direito à livre identidade de gênero e expressão sexual. Sandra vive em nossa luta.

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