Sociedade

VALE ASSASSINA

Salim Mattar declarou querer entregar mais ações da Vale ao capital imperialista

Em uma conversa com jornalistas após o seminário "Abertura do Ano de 2019" da Revista Voto, Salim Mattar, o secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia de Paulo Guedes do governo Bolsonaro falou em "reprivatizar" a Vale, em alusão absurda ao fato de que há fundos de pensão de empresas estatais que ainda possuem ações da empresa.

quinta-feira 14 de fevereiro| Edição do dia

Salim Mattar, secretário de Desestatização e Desinvestimento (ao centro da foto) em um evento com jornalistas falou de sua vontade de entregar mais ações da empresa ao capital imperialista, além de elogiar a mineradora responsável pela morte de mais de 150 pessoas: "A Vale não foi privatizada, porque fundos de pensão ainda detêm o controle da empresa". Foto: Simone Kafruni/CB/D.A Press

Menos de um mês após o horrendo crime socio-ambiental de responsabilidade da Vale, que matou centenas de pessoas e vitimou mais um sem-número, entre desaparecidos, pessoas que perderam suas casas, índios expulsos de suas aldeias, além de danos de longo prazo à saúde da população, o secretário de Bolsonaro, sedento para entregar ao máximo nossas riquezas para o capital financeiro internacional, já exalta as "virtudes" da empresa e expressa sua vontade de fazer com que as ações em posse de empresas do governo (não do governo diretamente, mas de fundos de pensão de estatais) sejam postas à venda, para que banqueiros possam lucrar ainda mais enquanto destroem o meio ambiente e arriscam a vida dos trabalhadores e da população para lucrarem mais!

O secretário ainda chegou ao grotesco nível de comparar a tragédia a uma queda de avião diminuindo a importância das mais de 160 mortes, ignorando a destruição e os danos ambientais irreparáveis, tudo para lavar a cara dos donos da Vale. "Nós temos uma média de um ou dois grandes aviões [que caem] por ano. Morrem 120, 250 pessoas. Quando acontece um acidente dessa monta pede-se que a diretoria caia, demoniza-se a companhia, ou os órgãos buscam as causas? Em Brumadinho caiu um grande avião, ou dois aviões. Como seria um tratamento de uma companhia aérea?" disse.

Os fundos de previdência do Banco do Brasil (Previ), Caixa Econômica (Funcef) e Petrobras (Funcef) são acionistas da Vale. Mattar agora fala em "descobrir o melhor timing para a venda de ações da Vale", completando que "esse governo veio para desestatizar, é natural que num período de tempo essas ações sejam vendidas".

Foi nas mãos dos acionistas privados da Vale, sob decisão de seu conselho de diretores, que se decidiu que seria mais barato pagar indenizações que reparar as barragens, foram eles que sabiam que estavam quebrados os sensores de risco da barragem antes dela romper foram seus lobistas que barravam fiscalizações ambientais e foram eles que não pagaram um centavo das multas ambientais que devem pela última tragédia que protagonizaram, onde mataram dezenas de pessoas em Mariana, além de destruir o Rio Doce e todo o meio ambiento de seu entorno.

Pode te interessar: Saldo da privatização da Vale: mortes, destruição e R$320 bilhões para os banqueiros

Frente a tudo isso, o governo Bolsonaro só vê a chance de jogar ainda mais ações da empresa para as mãos sujas de sangue dos acionistas internacionais. Inclusive, Mattar está longe de ser a primeira figura do governo a ceder graças à Vale em um tempo deselegantemente curto após a empresa ser responsável pela destruição de uma cidade, a perda de centenas de vidas e mais uma catástrofe ambiental. Evandro Negrão Jr., vice-presidente do partido Novo, do Governador de Minas Gerais Romeu Zema, já se adiantou no Twitter para dizer que "não podemos demonizar a Vale, é uma baita empresa". Onyx Lorenzoni também não deixou dúvidas ao afirmar que o governo, apesar de detentor do "golden share" da Vale, não iria interferir de maneira alguma na empresa, pois poderia ser uma má sinalização ao mercado, isto é, "o mercado" não gostaria que executivos fossem punidos (ou mesmo afastados) por tragédias decorrentes de sua negligência assassina e sede de lucro. Salim Mattar, contudo, foi um passo além, usando a entrevista para tentar vender a imagem da empresa, possivelmente para atrair futuros compradores das ações, chamando a Vale de "uma fantástica companhia e estava prestes a se transformar na número um do mundo".

Pode te interessar: As privatizações e a política de Bolsonaro prometem novos Brumadinhos e Marianas

É frente a esse completo descaso, com os trabalhadores, com a vida da população e com o meio ambiente, é frente a essa sede de lucro desenfreada dos banqueiros donos da Vale, e à sanha entreguista do governo Bolsonaro que sustentamos que a Vale deve ser imediatamente reestatizada, sob gestão dos trabalhadores e controle da população, ambientalistas, comunidades indígenas e ribeirinhas, sem nenhum ressarcimento ou indenização aos atuais proprietários, rumando para pensar um tipo de atividade mineradora mais segura e menos predatória. Longe da influência criminosa da ganância dos banqueiros e acionistas e sem a interferência do governo entreguista de Bolsonaro, lambe-botas de Trump e do capital imperialista, a mineração deve ser repensada para proteger o meio ambiente e os interesses da população, não alimentar a fortuna de uma meia duzia de capitalistas!

Leia: Pela re-estatização da Vale sob gestão dos trabalhadores e controle popular, para enfrentar a mineração predatória




Tópicos relacionados

Brumadinho    /    Governo Bolsonaro   /    Vale    /    Minas Gerais   /    Imperialismo   /    Privatização   /    Sociedade

Comentários

Comentar