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INTERVENÇÃO FEDERAL

Saldo dos 5 meses de intervenção: mais tiroteios, chacinas e 2 crianças mortas

Nessa segunda-feira, as Forças Armadas contemplaram o quinto mês de operações no Rio de Janeiro realizando megas-operações e um espetáculo de assassinatos nas comunidades do Rio de Janeiro e em cidades da região metropolitana do Rio. Segundo estudos, o saldo é aquele esperado pelo governo Temer, a Globo e os empresários do Rio: mais sangue de negros e jovens, medo nas famílias e violência nas ruas.

segunda-feira 16 de julho| Edição do dia

Alguns dados divulgados pelo Observatório da Intervenção e pela ONG Fogo Cruzado mostram um saldo ainda mais sangrento para as comunidades. Na Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, um mês após as forças de segurança deixarem o local, a comunidade considerada modelo da intervenção, moradores relataram ao jornal Extra que a intervenção “enxugou gelo”.

“O que fizeram aqui se chama enxugar gelo. Vieram, passamos por alguns dias de mais tranquilidade, mas agora olha só: os criminosos voltaram às ruas com força total. Este domingo foi um inferno. Bandidos de fora invadiram.

Fonte

Estado de sítio para os negros e pobres do Rio de Janeiro

Durante os cinco meses de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, dez crianças foram baleadas. Duas delas morreram. Os dados são de um balanço divulgado pela organização não governamental Fogo Cruzado, que levanta e disponibiliza num aplicativo informações coletadas por usuários, imprensa, mas também polícias.

Nas estatísticas da violência está Benjamin, de apenas um ano de vida, morto em seu carrinho de bebê, atingido durante um tiroteio em 16 de março, na favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio. Três semanas antes, o menino Marlon, de 10 anos, também perdeu a vida durante um tiroteio no Morro do Cantagalo, na zona sul da capital.

O número de tiroteios e disparos na região metropolitana saltaram 37% durante a intervenção federal, em relação aos cinco meses anteriores. De acordo com a organização, foram registrados 4.005 tiroteios e disparos entre 16 de fevereiro e 15 de julho, contra 2.924 entre 16 de setembro de 2017 e 15 de fevereiro deste ano. Desse total, 690 episódios (17%) contaram com a participação de agentes de segurança, ante os 316 (11% do total) verificados nos cinco meses anteriores.

O Observatório da Intervenção contabiliza que foram realizadas 280 operações monitoradas pelo Comando Conjunto da intervenção, que mobilizaram 105 mil agentes, nas quais foram apreendidas 260 armas de fogo, uma média de 0,9 arma por operação. Cada operação contou, em média, com 375 agentes envolvidos, embora algumas tenham mobilizado milhares de militares e policiais.

Uma menina, de 7 anos, foi a primeira criança vítima de tiro desde que foi assinado o decreto da intervenção, de acordo com os dados do Fogo Cruzado. Ela foi atingida durante um tiroteio no Imbariê, bairro de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em 21 de fevereiro. A última foi um bebê, de apenas seis meses de vida, ferido por uma bala pedida em uma escola no Cosme Velho, zona sul da cidade.

Ao todo, 44 pessoas foram vítimas da guerra às drogas na região metropolitana do Rio em cinco meses de intervenção federal. Nove delas morreram. A conclusão para o Observatório da Intervenção é de que:

"O resultado é o aumento daquilo de que a população tem mais medo: bala perdida, fogo cruzado e tiroteio. Até agora, a presença das Forças Armadas não resultou na percepção de que a segurança do Rio melhorou depois da intervenção", diz o estudo.

Essa intervenção significou nada mais que um estado de sítio contra os negros e pobres do Rio de Janeiro, estado onde a crise dos capitalistas no Brasil aprofundou mais duramente a miséria da população. Para afogar em sangue a revolta latente, em especial nos morros, dedicaram os mais violentos esforços, cujo resultado já sabemos. Mais violência contra os pobres, como uma medida para o governo Temer, Pezão e de Crivella dizerem que estão combatendo a violência e tráfico.

Mas essa guerra às drogas é só um pretexto para manter esse estado de terror. E também coibir o roubo de cargas, que, esse sim, prejudica os lucros dos capitalistas e por isso incomoda os poderosos. Os pequenos assaltos, que de fato atingem a vida dos trabalhadores e da população, são o fruto da absurda crise que eles mesmos criam. E ao invés de dar direitos, eles investem milhões para colocar mais repressão nas ruas. A população não tem nada a ganhar com isso. Legalizando as drogas para acabar com o tráfico, garantindo direitos e emprego, isso sim seria um combate efetivo à violência.

Com informações da Agência Estado




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