Política

JUDICIÁRIO

STJ nega habeas corpus de Lula: mais um capítulo da continuidade do golpe

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

terça-feira 6 de março| Edição do dia

Foto: José Cruz

Em um jogo de cartas marcadas o Supremo Tribunal de Justica negou o pedido de habeas corpus preventivo a Lula. No pedido Lula buscava impedir sua prisão caso esta venha a ser decretada pela segunda instância o TRF-4. Ontem, o Ministério Público demandou o TRF-4 a prender Lula imediatamente após o julgamento dos "embargos declaratórios" que ainda não tem data marcada, dando mais um passo dessa ofensiva autoritária. A prisão de Lula em um processo coroado das arbitrariedades do judiciário visa colocar uma pá de cal definitiva em seu objetivo principal: impedir que a população vote em quem ela quiser.

Apesar das reiteradas mostras de Lula e do PT que estariam dispostos a um governo que aplicasse ajustes e até mesmo uma Reforma da Previdência diferente da de Temer, ou seja, que seriam mais uma vez um governo para os capitalistas e absolutamente contrário aos interesses dos trabalhadores, essas demonstrações não bastam aos golpistas. Querem os ataques em maior rapidez e intensidade do que o PT pode lhes prometer. Não faz sentido ao judiciário, à mídia e as frações empresariais e do parlamento que se deram tanto trabalho para organizar o golpe de 2016 correr nenhum risco por isso avançam nesse ataque não somente para prender um poderoso ex-presidente sem provas mas, principalmente, para sequestrar o direito do voto da população.

Esse capítulo vem acompanhado da intervenção federal no Rio de Janeiro que dá superpoderes aos militares e permite fazer do Rio um "laboratório", como disse o interventor, de como utilizar as Forças Armadas para a repressão.

Para dar maior legitimidade popular à flagrante arbitrariedade do judiciário, que vem gerando crescente desgaste a esse poder cheio de milionários privilégios e eleito por ninguém, foi dada carta branca por Raquel Dodge (PGR) e pelo ministro Barroso do STF para que Temer seja investigado e tenha seu sigilo bancário quebrado. Tal como fizeram com Cunha depois do impeachment, atingir um golpista enlameado até o pescoço como Temer pode ser funcional a mostrar que o "judiciário atinge todos" enquanto garante seus objetivos políticos imediatos.

Com a conciliação com a direita, com os capitalistas e sua taxativa negação em mobilizar os trabalhadores contra o golpe e sua continuidade, o PT abre caminho para essa ofensiva que o toma como alvo, mas tem como alvo principal não ele, e sim a classe trabalhadora, atacando seus direitos sociais, econômicos e mínimos direitos políticos nesta democracia dos ricos como é o direito a votar em quem quiser.

Nós do MRT combatemos a direita e os golpistas, lutando contra o golpe e sua continuidade de forma independente do PT, buscando construir uma alternativa que supere o PT pela esquerda. Denunciamos essa conciliação do PT e das centrais sindicais, ao passo que exigimos das centrais sindicais mais uma vez um plano de lutas para combater a continuidade do golpe, garantindo o direito da população votar em que ela quiser, pelo fim da intervenção federal no Rio de Janeiro e a retirada de todas tropas, bem como para avançar a luta pela revogação da reforma trabalhista.

Neste 8 de Março, dia internacional de luta das mulheres, vamos às ruas como parte da "paralisação internacional de mulheres" levando essas reivindicações junto a luta pelos direitos das mulheres, como o direito ao aborto livre legal e gratuito, e por um plano de emergência de combate à violência contra as mulheres.




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