Educação

REFORMA TRABALHISTA

SEPE paralisa em 10/11, mas a base deve tomar a dianteira para que os capitalistas paguem pela crise

Ronaldo Filho

Professor da rede estadual do RJ

terça-feira 7 de novembro| Edição do dia

No dia 10 de novembro as centrais sindicais estão convocando nacionalmente um dia de paralisação contra as reformas de Temer. No entanto, como já vem acontecendo, elas não estão preparando as condições para organizar uma mobilização que seja realmente capaz de fazer os ataques, como a aprovação da reforma trabalhista que está programada para passar a vigorar no dia 11/11, efetivamente retrocederem. Muito pelo contrário. O que se anuncia é que tal como no dia 30/06 busquem reproduzir a traição realizada pela CUT, CTB e Força Sindical em troca da negociação do imposto sindical, para transformar o dia 10/11 em algo controlado e inofensivo para o governo golpista de Temer. Não podemos permitir que isso ocorra, enquanto a situação do país só piora, e os trabalhadores têm seus direitos arrancados.

No Rio de Janeiro a situação exige ainda mais que os trabalhadores tomem à frente das mobilizações. O estado passa por uma grave crise criada pelos capitalistas e seus políticos corruptos. Enquanto dão por certo que os servidores do Rio não receberão o décimo terceiro uma vez mais, querem avançar na privatização da CEDAE, na matança da polícia contra o povo pobre e negro nas favelas, a UERJ segue em grande crise e os escândalos não param de crescer. São denúncias de caixas dois e desvios para favorecer os capitalistas que não acabam mais, como a mais recente de que o “rei do ônibus” Jacob Barata financiou ilegalmente as campanhas de Pezão, Pedro Paulo e Cabral em troca da promessa de que se eleitos manteriam seus privilégios.

Enquanto isso, alega-se que não há verba para Saúde e Educação que não param de se deteriorar. A “reestruturação” das escolas imposta pela SEEDUC está fechando salas e realocando professores a seu bel prazer, além de ameaçar escolas de fecharem. E a perseguição aos professores que se manifestam contrários ao conjunto absurdo da situação não para de aumentar. O SEPE votou a paralisação dos professores e trabalhadores da Educação para aderir ao 10/11. É preciso que se convoque esse dia ativamente nas escolas, junto às bases, construindo o ato que está sendo chamado em dois momentos. Pela rede municipal do Rio em frente à prefeitura às 14h reivindicando a seguinte pauta: reajuste salarial, pagamento do 13º, implementação do 1/3 de planejamento, não a reestruturação da rede municipal, encerramento da sindicância e reintegração imediata às atividades da professora Flávia Rodrigues, entre outras coisas. Logo após, todos os professores, rede municipal e estadual, comporão o ato unificado as 17h na candelária.

Duas coisas aparecem como obstáculos imediatos a essa mobilização. Isso sem levar em conta a própria sabotagem das centrais.

A primeira é o ato chamado pelo MUSPE no dia 8/11. Essa entidade se diz uma frente de servidores, mas não passa de uma fachada, sem nada por traz, sem participação da base na construção das ações e com grande peso das forças de segurança. O objetivo real do dia 08 será o de comemorar aniversário da invasão da ALERJ ocorrida no ano passado em que policiais civis e militares e bombeiros tomaram a casa de assalto a gritos de “uhul é Bolsonaro”, e no mesmo ato agrediram estudantes e professores que usavam máscaras, além de por várias vezes trazerem faixas pedindo retorno da ditadura militar. Os professores não podem se prestar a participar de tal ação, fortalecendo grupos reacionários, quando estão sendo atacados com o Escola sem partido, defendido pela mesma família cultuada pelos membros ativos do MUSPE.

A segunda coisa é o peso financeiro de levar mais uma falta em um cenário de dificuldade econômica grande. Os governos municipais e estadual não tem respeitado o direito a greve das trabalhadoras e trabalhadores da educação. A cada dia de greve/paralisação, perdemos um dia de trabalho. Mas é preciso ter em conta dois fatores. Perde-se muito mais ao não parar, pois essa é a principal e mais legitima forma de resistência, e no dia 28 abril, dia da maior greve geral recente, ficou claro para quem resolveu parar que a mobilização amedronta o governo e garante o avanço das pautas, pois neste dia, por canta da ampla mobilização, o governo do estado acatou a paralisação, mostrando que só ampla mobilização pode garantir tanto o avanço da luta quanto impedir os descontos indevidos.

É preciso também que partamos de que não é com manifestações rotineiras que derrubaremos os ataques no Rio, e no país. É fundamental tomar o exemplo das lutas do Rio Grande do Sul, em que os professores das redes estaduais e municipal, além de rodoviários, estão se enfrentando com os ataques do governo de Sartori, que quer aplicar o mesmo plano para a crise do estado que já está sendo executado aqui no Rio. Fortalecer esse exemplo com nossa solidariedade ativa é parte da luta para retomar o caminho da greve geral abandonado pela burocracia sindical, e que pode derrotar os ataques, abrindo a perspectiva de que lutemos para que sejam os capitalistas e os corruptos os que paguem pela crise que criaram no Rio de Janeiro.




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