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ÁGUA CAMPINAS

SANASA lucra 119 milhões e população de Campinas é quem paga caro

A Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A., SANASA, publicou neste mês de março um relatório oficial de sua Administração com notícias de seu lucro de 119,176 milhões para o final do ano de 2017 e crescimento de mais de 50% em relação ao ano anterior. Entre os fatores a empresa aponta o aumento da tarifa que realizou de 10,67%.

quinta-feira 29 de março| Edição do dia

Nas estatísticas apresentadas sobram auto-elogios, promessas e até propaganda à gestão do prefeito Jonas Donizette, mas falta a realidade de uma empresa onde a corrupção e a liderança em cargos comissionados milionários faz fortuna sobre direitos tão elementares da população e nem sempre garantidos, como é a água potável e o saneamento.

Conta de água cara e milhares sem água e esgoto tratados em Campinas

O ano teve início em Campinas com surpresas caras para o trabalhadores e a população pobre. Um pacote de reajustes fez aumentar as contas do IPTU, transporte público e, com um aumento de cerca de 9% proposto pela SANASA, a conta de água não ficou de fora. Como uma tentativa de justificar tamanho absurdo,
a empresa não mediu esforços para que seu relatório anual “mostrasse serviço” à opinião pública, com listas de obras realizadas e promessa de conclusão de novas.

Entretanto, os próprios dados apresentados mostram que cerca de 80 mil pessoas sofrem com a falta de tratamento de esgoto sanitário e cerca de 5 mil não recebem serviço de água tratada, sendo que boa parte dessas pessoas se encontram em regiões bastante populosas e que sofrem com o descaso da administração pública, como a região do Campo Grande. Essa situação de dezenas de milhares de campineiros, bem como o aperto no bolso de dezenas de outros milhões com o aumento não tem justificativa além do lucro exorbitante de mais de 119 milhões de um punhado de privilegiados capitalistas.

Direção da SANASA e Jonas: lideranças em cargos comissionados

E a administração da SANASA manteve em seu relatório o bom costume de elogiar a prefeitura. Afinal de contas compartilham a liderança dos conhecidos “cabides de emprego”, os cargos comissionados que custam centenas de milhares de reais ao cofre público da cidade.

Apesar do prefeito Jonas Donizette (PSB) sair na mídia divulgando seu “interesse pessoal” de reduzir o limite de cargos comissionados de Campinas, o que em grande medida se deve ao questionamento da população diante de um limite de nada menos que 800 cargos permitidos à prefeitura, suas intenções é de manter ao menos uma centena e meia destes cargos, que na realidade servem aos seus interesses partidários e de seus aliados, pagos com dinheiro público.

No assunto também ganhou destaque da mídia o presidente da SANASA, Arly de para Romeo, que foi condenado por improbidade administrativa, por manter a seu dispor um reservatório de cargos comissionados que nomeava sem justificações técnicas. A condenação ainda prev ê que Arly pague uma multa e a estimativa do MP era de que a SANASA mantinha cerca de 130 cargos comissionados, quando seu limite é de 70- limite totalmente discutível, já que o exercício dessas pessoas também não está ligado aos interesses da população.

Corrupção e descaso com o direito à água e saneamento da população

Há alguns anos a SANASA foi também palco de um dos maiores esquemas de corrupção de Campinas, com desvio de mais de 200 milhões de reais, fruto da ação conjunta de sua administração e da prefeitura, à época sob a gestão do prefeito Dr. Hélio de Oliveira Santos (PDT). O sistema de corrupção tratava de direcionar licitações através da ação de lobistas que pagavam propina aos funcionários públicos do alto escalão da empresa e da prefeitura.

Dr. Hélio teve seu mandato cassado, bem como seu vice, Demétrio Vilagra (PT) sofreu impeachment e, junto a toda a administração da SANASA, foram condenados a cumprir vários anos de prisão. Recentemente foram a leilão carros de luxo apreendidos no esquema de corrupção, sendo que eram avaliados na época das apreensões em 7 milhões, um emblema que mostra como a vida que gozavam os políticos e diretores estava muito distante da maioria da população que sofre para manter em dia suas contas básicas como a de água.

A crise hídrica nacional de 2015 chegou a Campinas afetando a vida de muitas famílias. Eram dias sem uma única gota de água na torneira e um desespero generalizado que levou a inúmeros protestos, expressando uma enorme revolta da população que tem entre seus maiores gastos o consumo de água e tratamento de esgoto.

Os dados então alardeados do imenso desperdício de água potável fruto de estruturas sem manutenção e o uso inconsequente de grandes empresas se somam às recentes discussões sobre a privatização do Aquífero Guarani (um dos maiores reservatórios de água potável do mundo) e mostram que a lei do lucro está acima da vida para os golpistas e capitalistas de nosso país.

A imagem que a SANASA quer passar está muito distante da realidade. É preciso que os trabalhadores da SANASA, juntamente a população usuária de Campinas, se organizem para enfrentar os males e descaso com direitos que sua administração e a prefeitura promovem. A SANASA, bem como todos os serviços públicos essenciais de Campinas, devem ser estatizado e 100% públicos e controlados pelos trabalhadores e usuários, somente com esse enfrentamento à lógica do lucro acima da vida é que a população terá seus direitos garantidos.




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