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ELEIÇÕES NOS ESTADOS UNIDOS

Rússia contesta as acusações de Clinton sobre vazamento de e-mails

Sobre a acusação de ter responsabilidade no vazamento de 20.000 e-mails do Partido Democrata, Rússia afirma que a retórica de Hillary Clinton é para camuflar suas “travessuras” eleitorais. O episódio também demonstra apoio velado de Putin a Trump.

segunda-feira 1º de agosto de 2016| Edição do dia

O escândalo iniciou com o vazamento de 20.000 e-mails do partido democrata através do Wikileaks. Os e-mails mostravam como a direção nacional desse partido havia influído nas primárias estadunidenses para favorecer Hillary Clinton contra seu adversário, Bernie Sanders. Foi então que a candidata democrata acusou o governo russo de estar por trás desse “ciberataque” e acrescentou que “a Rússia atuou para que se publicassem muitas dessas mensagens", acusando o candidato republicano estadunidense, Donald Trump, de mostrar "uma alarmante disposição em respaldar Putin".

A resposta da Rússia

O Kremlin respondeu que as acusações dos Estados Unidos contra Moscou eram parte de uma manobra para ocultar o fato de que a campanha eleitoral dos Estados Unidos havia sido manipulada por forças internas.

Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, disse que as declarações de Clinton são “parte da retórica pré-eleitoral e não contém nada de palpável”. Concluiu dizendo que “Órgãos oficiais russos (...) não realizam "ciberterrorismo" e acrescentou que o Kremlin quer ver a normalização das relações entre Estados Unidos e Rússia”.

O governo russo negou em reiteradas oportunidades seu envolvimento no incidente de espionagem eletrônica e afirmou não favorecer nenhum dos candidatos na eleição presidencial estadunidense de 8 de novembro, de toda forma, apesar de sua postura oficial, a televisão encontra respaldo no Kremlin para inclinar sua cobertura a favor de Trump, a quem Putin qualifica como "muito talentoso".

A chancelaria agregou que as afirmações de Clinton são "insultantes e indignas de uma campanha eleitoral presidencial", e assegurou que seu único objetivo é "influenciar o eleitorado norte-americano com acusações não comprovadas".

"Considero que isto é simplesmente escandaloso e demonstra debilidade quando alguém recorre a tais argumentos", disse Andréi Krutskij, emissário russo para cooperação no âmbito da segurança da informática.

Desta maneira a Rússia se envolve na campanha eleitoral estadunidense praticamente convidada pelos próprios candidatos. Durante a semana passada Trump fez um chamado para que os hackers russos buscassem todos os e-mails de Hillary (em meio à convenção democrata). Hillary, por sua vez, havia acusado Moscou de estar por trás do vazamento de mensagens e o FBI abriu uma investigação, embora sem qualquer prova sólida contra a Rússia. Até agora Putin parece ter aproveitado o “convite” de ambos os candidatos e colocou seus funcionários a opinar abertamente sobre a corrida presidencial nos Estados Unidos.

Tradução: Adriana Paula




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