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GUERRA NA SÍRIA

Rússia, Turquia e Irã aprovam declaração sobre a Síria

“Chegamos ao consenso de uma declaração conjunta com medidas encaminhadas a relançar o processo político com um fim de por fim ao conflito sírio”, disse o ministro de relações exteriores russo, Serguéi Lavrov, pouco depois do fim da cúpula entre os três países.

quarta-feira 21 de dezembro de 2016| Edição do dia

Segundo Lavrov, os firmantes estão dispostos a elaborar um acordo de paz entre Damasco e a oposição armada, e garantir seu cumprimento. “Um autêntico acordo ajudará a dar novo impulso para o recomeço do processo político na Síria em consonância com a resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU”, disse. Além disso, agregou que os três países confirmaram sua “firme vontade” de combater conjuntamente ao Estado Islâmico e ao Frente AL Nusra.

Segundo o ministro das relações exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu, na reunião de Moscou também foi abordada a possibilidade de garantir a evacuação completa da cidade de Alepo e estender o fogo aberto a todo território nacional, ainda que tentativas anteriores tenham fracassado devido a reiterados ataques do exército, que respondem ao governo de Al Assad e aos bombardeios russos sobre as zonas que ocupava a oposição.

Segundo publicação feita pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos, que tem sua sede no Reino Unido, ao menos 10.746 pessoas morreram na Síria devido aos bombardeios da aviação russa, aliada ao governo de Al Assad, que se iniciaram em 30 de setembro de 2015. Destes falecidos, ao menos 4.653 eram civis, dos quais 1.140 eram menores de idade e 661, mulheres.

Enquanto o governo turco assegura que terminará em poucos dias a evacuação de Alepo, o comitê internacional da Cruz Vermelha (CICV) elevou nesta terça-feira a 25.000 o número de removidos da cidade síria de Alepo (norte) que tem sido transferidos à zonas do oeste da província de mesmo nome desde quinta-feira passada, data na qual se iniciou a operação. Desde a CICV asseguraram à agência EFE, que não se sabe precisamente a cifra de pessoas que permanecem em área sitiada e ainda sinalizou que “há milhares e o processo continua”.

O ministro das relações exteriores russo, Lavrov, considerou o firmamento do acordo trilateral um forma eficaz de chegar a extinção do conflito sírio e lamentou que os EUA não confirmaram sua vontade de encontrar uma saída para a crise no país árabe. Estas declarações parecem indicar uma intenção de pressionar à nova administração estadunidense do presidente Trump, que ainda é uma incógnita.

Rússia assegura que o assassinato de seu embaixador não afeta sua relação com a Turquia

Desde o Kremlin se assegurou que o assassinato do embaixador Russo Andréi Kárlov pela polícia turca, não afetará os atuais esforços diplomáticos para chegar à solução do conflito.

Apesar do assassinato esta segunda-feira de seu embaixador em Ankara, Rússia decidiu seguir adiante com as consultas tripartidárias junto aos ministros de Relações Exteriores e da Defesa da Turquia e Irã.

Segundo o governo Russo o crime é, sem dúvidas, uma provocação destinada a abortar a normalização das relações russo-turcas e atingir o processo de paz na Síria.

Além disso o assassinato do diplomata russo possa ser explicado também como a expressão de derrota que tem tomado o conflito na Síria. Do levantamento do povo sírio contra a ditadura de Assad, que foi parte dos processos da “primavera árabe”, terminou afogado entre a brutal repressão do regime e a ação de diversas frações armadas por potências ocidentais e atores regionais. Uma guerra civil reacionária que tem causado uma catástrofe, especialmente sobre a população civil sobre a qual a destruição de Alepo talvez tenha o impacto mais terrível.

Talvez possa te interessar: Três hipóteses sobre o assassinato do embaixador russo na Turquia.

Tradução: Zuca Falcão.




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