Política

PCdoB EM BUSCA DE ALIADOS NA DIREITA GOLPISTA

Rodrigo Maia, destruidor da CLT, tem assento de honra em congresso do PCdoB

A solenidade de lançamento do XIV Congresso do PCdoB que ocorreu na Câmara reuniu parte do que há de pior na política brasileira. Rodrigo Maia foi destaque, como "convidado de honra" do evento e, na qualidade de presidente interino, discursou por cerca de cinco minutos aos presentes.

Fernando Pardal

@fepardal

quinta-feira 31 de agosto| Edição do dia

Foto: Jorge William / Agência O Globo

Maia chamou Luciana Santos, presidente da sigla, de "minha amiga" e como parte de sua fala aos presentes, disse, em defesa do "novo centro" com seus "amigos" do PCdoB: "O centro não é o ambiente onde cada um de nós abre mão de suas ideias e convicções. O centro, penso eu, daqui pra frente, é o ambiente onde pessoas que pensam diferente têm a capacidade de dialogar. E é isso que eu tenho tentado fazer sempre e, principalmente agora, como presidente da Câmara (...) O centro é o espaço onde o PC do B pode conversar com o Democratas, com o PSDB, com o PT... onde todos precisam dialogar para que, em conjunto, possamos tirar o Brasil dessa grave crise política, ética e econômica em que vivemos".

Outro que discursou no evento foi André Fufuca (PP-MA), o presidente interino da Câmara. Falando de improviso - ou, como ele disse, "do coração" -, disse que o PCdoB é a "Fênix da democracia" brasileira.

Já o discurso de "oposição" ao governo coube à presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffman, que disse que o governo de Temer está "desmontando" o que foi feito pelos governos petistas e que ele não está melhorando o país em "absolutamente nada". Defendeu que a união que vai tirar o país da crise é formada por vários partidos "de esquerda e de centro-esquerda". Ela foi aplaudida por Maia.

Maia não foi somente uma presença de honra no evento: o seu destaque expressa a "amizade" que tem consolidado com o PCdoB. Foi graças à articulação deles que Maia conseguiu apoio entre a oposição ao governo Temer para se eleger e reeleger como presidente da Câmara.

O evento do PCdoB é uma amostra bastante clara de qual a estratégia que esse partido adota. Em que pesem suas bravatas contra o golpe, mesmo à frente de uma das principais centrais sindicais do país, a CTB, o partido não apenas não organizou nenhuma medida de luta efetiva contra o golpe, como ao longo de 2017 veio mostrando que também não tem interesse em colocar de pé uma luta séria contra as reformas de Temer e os imensos ataques aos trabalhadores. Boicotaram a greve do dia 30 de junho e antes disso já mostravam que não tem interesse ou disposição para conduzir os trabalhadores num combate sem trégua contra os absurdos ataques.

Da mesma forma que o PT, o PCdoB, que de "comunista" só tem o nome, tem como o centro de sua política a conciliação de classes. Senta para fazer seus acordos na surdina com Maia, líder dos golpistas na Câmara, e publicamente recebe afagos dele, de Fufuca e de quantos mais golpistas quiserem comparecer à sua solenidade congressual para elogiá-los e agradecer seus acordos e favores nojentos.

Os trabalhadores aguentam as duríssimas consequências dos ataques, com filas de desemprego imensas, os retrocessos históricos da reforma trabalhista, entre outros. As universidades estão caindo aos pedaços e crises imensas que ameaçam a educação pública no país. E enquanto isso, o PCdoB se prepara para ser o "novo centro" ao lado do partido que esteve na linha de frente desses ataques, e com o homem que conduziu as votações que os patronais ordenaram para que os trabalhadores paguem pelos custos da crise.

Um partido assim não merece nenhuma confiança dos trabalhadores e da juventude. Passa de hora de enterrarmos eles, e sua estratégia de tapinhas nas costas e acordos amigáveis com nossos piores inimigos. O que precisamos é retomar o caminho das greves para poder derrotar Temer e seus ataques, colocando a força dos trabalhadores para derrotar os patrões e seus políticos.




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