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COPA DO MUNDO

Ricardo Teixeira é investigado por novo desvio da CBF. Quais as consequências pro esporte?

Quatro anos após a Copa do Mundo de futebol realizada no Brasil, os personagens da organização do evento continuam envolvidos em esquemas de corrupção. A justiça espanhola acusa Sandro Rosell (ex-presidente do Barcelona) de abrir várias contas de empresas de fachadas para lavar dinheiro desviado por Ricardo Teixeira com a venda de direitos da seleção brasileira à uma empresa árabe nas Ilhas Caiman.

sábado 30 de junho| Edição do dia

A operação contra Sandro Rosell teve início em 2017, de acordo com a justiça espanhola, o esquema milionário, além da participação de Ricardo Teixeira, tinha ainda a participação de Jérôme Valcke (ex-secretário da FIFA, banido do futebol por 12 anos). A investigação apontou um desvio de recurso da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) de 8,5 milhões de euros por parte de Ricardo Teixeira e mais 6,5 milhões de euros por Sandro Rosell. Para aparentar a legalidade dessa operação, os investigados criaram uma série de contratos de fachadas, segundo o documento da justiça espanhola.

Outra forma de desvio, também foi apontada no contrato da fornecedora de material esportivo Nike com a CBF. Segundo as investigações, em 2011, houve um encerramento do contrato e foi estabelecido um pagamento de 26 milhões de dólares, porém esse valor refere-se à 12 milhões de euros que foram destinados à Sandro Rosell na condição de intermediário, que usou parte desse dinheiro para devolver um empréstimo que havia obtido com Ricardo Teixeira no valor de 5 milhões de euros. Segundo a justiça espanhola esse valor está relacionado com os supostos ingressos ilícitos da Copa do Mundo de 2014 obtidos por Ricardo Teixeira, canalizados por Sandro Rosell em benefício do próprio Ricardo Teixeira e Jérôme Valcke.

Notícias sobre corrupção no futebol são corriqueiras e aumentam cada vez mais com a globalização do esporte que movimenta muito dinheiro em todo o mundo. Em 2012, a FIFA anunciou um código de boa conduta para combater a corrupção no futebol durante o mandato do ex-presidente Joseph Blatter que em 2015 renunciou a presidência após acusações de corrupção envolvendo contratos de direitos televisivos e pagamento propina para o processo de escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022.

O esporte mais popular do mundo que mexe com a emoção de milhões de pessoas e vive inundado de acusações de corrupções, que são praticados por dirigentes que pouco importam com o sentimento dos torcedores e aproveitam do grande volume de dinheiro que movimentam em benefício próprio. Em meio a essa prática, o futebol vai ficando cada vez mais elitizado e vai se afastando do povo pobre e trabalhador. Para atingir seus próprios benefícios, os dirigentes utilizam de várias artimanhas para afastar o povo do esporte para atrair a elite. O maior ataque ao povo nesse sentido é o aumento nos preços dos ingressos que seleciona o tipo de público que deve frequentar os estádios. Outro artifício que afasta o pobre do futebol é a modernização dos estádios, onde o custo de funcionamento da estrutura para realizar uma partida é elevado, assim forçam os clubes aumentarem os preços dos ingressos para cobrir o gasto com o funcionamento dos estádios.

Aqui no Brasil por exemplo, o futebol que se popularizou, pois era um esporte acessível a todos, era fácil encontrar em cada periferia um campinho de terra onde os moradores podiam praticar o esporte e de lá saiam grandes craques que ajudaram o país a ser reconhecido pelo o mundo inteiro como o “país do futebol”.

Porém a realidade hoje é bem diferente, os campinhos de terra nas periferias quase não existem mais, culpa da especulação imobiliária que assola as grandes capitais, além da falta de segurança, consequência de uma desigualdade social imposta pelo capitalismo que impendem crianças de brincarem ao ar livre.

No Brasil o futebol vai se despopularizando, já não aparecem talentos como antigamente, o público elitizado que frequentam os estádios não vivencia o futebol da mesma maneira que o pobre vivencia, já que a elite tem outras opções de diversão, enquanto o pobre só tinha o futebol. O país que pegou o esporte bretão e moldou à sua maneira, hoje já não é mais referência para o mundo, culpa de dirigentes corruptos que utilizam do futebol para enriquecerem sem importarem com as consequências de seus atos.




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