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IDEIAS DE ESQUERDA

Ricardo Antunes, Souto Maior e Plínio Sampaio Jr participam de lançamentos da Revista Ideias de Esquerda

Nos dias 23 e 25 de setembro ocorreram em São Paulo e Campinas, respectivamente, importantes atividades com intelectuais brasileiros nos lançamentos do segundo volume da Revista Ideias de Esquerda, que traz um dossiê profundo sobre a anatomia da classe trabalhadora brasileira e o "Mundo do Trabalho", a discussão sobre o fetichismo da robótica e a teoria do valor, temas que se interligam com os debates sobre o comunismo no século XXI. Uma revista teórica marxista pensada como guia para a ação.

sexta-feira 29 de setembro| Edição do dia

Os lançamentos, que contaram com a participação de centenas de pessoas, mostra o espaço aberto existente para se discutir ideias teóricas e políticas do próprio marxismo frente à crise orgânica instaurada no país, mostrando que é possível hoje resgatar a teoria revolucionária, assim como colocar a enorme e potente classe trabalhadora brasileira a frente deste processo como sujeito independente da burguesia e transformador da realidade, como a mesma mostrou na prática este ano protagonizando duas greves gerais contra Temer e seus ataques.

Em São Paulo o lançamento contou com a participação do Juiz do Trabalho e professor de Direito da USP Jorge Luiz Souto Maior, Adailson Rodrigues, rodoviário de Porto Alegre, Daphnae Helena, metroviária e economista da UNICAMP e Marcello Pablito, trabalhador da USP e dirigente do SINTUSP. Em Campinas, na UNICAMP, o debate contou com Ricardo Antunes, professor de Sociologia do IFCH, Plinio de Arruda Sampaio Jr., ex-professor do Instituto de Economia da Unicamp e membro do PSOL, Iuri Tonelo, doutorando em Sociologia no IFCH e editor da revista e também com Daphnae Helena.

Jorge Luis Souto Maior iniciou sua fala reivindicando a importância do lançamento da revista e desenvolveu sobre os ataques colocados pelo governo golpista de Temer contra a classe trabalhadora com a aprovação da Reforma Trabalhista no que diz respeito aos danos dos direitos dos trabalhadores, assim como a resistência e ação política dos mesmos que pode se dar no próximo período. Comentou sobre as atualizações e regularização dos direitos trabalhistas nos últimos anos na CLT desvendando os avanços contra retirada de direitos e que tiveram como objetivo o aumento do lucro do grande capital mundial. Sobre a aprovação da Reforma Trabalhista "Esta lei é a explicitação do autoritarismo", comentou o professor, e seguiu dizendo que "O direito está sendo usado para fragilizar os trabalhadores e impedindo que os trabalhadores ingressem na Justiça do Trabalho para reivindicar seus direitos".

Adailson colocou sobre o enorme processo de luta protagonizado pelos trabalhadores no primeiro semestre deste ano no Brasil e denunciou o papel nefasto das grandes centrais sindicais que traíram a luta dos trabalhadores impedindo que estas seguissem avançando e pudessem derrubar Temer e suas reformas, abandonando à própria sorte todos os trabalhadores do país. Colocou sobre o importante exemplo que hoje os professores do Rio Grande do Sul estão dando com uma forte e importante greve que já mostra um grande questionamento por parte da categoria em relação às suas próprias direções sindicais, mostrando é possível que os trabalhadores tirem lições dos últimos processos de luta e que podem ultrapassar suas direções para seguirem lutando rumo à vitória.

Marcello Pablito colocou sobre a grande potencialidade da classe trabalhadora para mudar os rumos do país, denunciando os patrões que querem tirar até o último respiro dos trabalhadores para seguir aumentando seus lucros já exorbitantes, e desta forma aumentando a exploração dos trabalhadores de forma brutal, explicitando o que significa o capitalismo para os trabalhadores, para os LGBTs, para a juventude. Ao mesmo tempo relembrou da força destes trabalhadores e a potencialidade de novamente entrarem em cena, partindo de que se torna necessário apoiar cada foco de resistência e unificar as lutas mesmo contra a vontade das centrais sindicais que trabalham para dividir essa resistência. "É necessário uma revista como essa para mostrar para a classe trabalhadora a força que ela tem e um caminho por onde seguir, e ela já deu muitos exemplos na sua história de resistência que ela é capaz de agarrar com toda a força do mundo essas ideias", disse em sua fala.

EM CAMPINAS


O lançamento da revista, em Campinas, aconteceu no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. Ricardo Antunes trouxe elementos de muita qualidade ao debate, remetendo a caraterizações da classe trabalhadora a nível internacional, os novos tipos de contrato de trabalho, a volta de uma espécie “clássica” de exploração dos trabalhadores com uma exploração absoluta e profunda com trabalhos de tipo zero-hora, dentre outros mecanismos que a burguesia encontrou de transformar setores não produtivos da economia em produtivos. Colocou sobre a importância da classe trabalhadora da América Latina e Ásia hoje são para a burguesia, que os vê como um "laboratório" importante para aplicação dos ajustes, assim como a necessidade da esquerda de buscar transformar cada rebelião em revolução hoje. "Estamos vivendo uma era de novas rebeliões e novas revoluções", completou.

Plínio de Arruda Sampaio Jr. interviu e destacou a importância de um debate que atualiza definições fundamentais do marxismo para avançar sobre uma perspectiva programática e revolucionária, portanto intrinsecamente ligado a uma independência política dos trabalhadores. Reivindicou o lançamento da Revista Ideias de Esquerda número II, denunciou o papel nefasto de Lula e das centrais sindicais nos processos de luta dos trabalhadores e juventude, e remarcou a ofensiva do capitalismo sobre o trabalho com a retirada de direitos e a necessidade de se enfrentar com os altos níveis de desemprego atualmente no país.

Daphnae Helena desenvolveu suas falas sobre o estudo que fez para a revista sobre a anatomia da classe trabalhadora brasileira e sua massiva presença principalmente no trabalho informal e precário, que tem como principais ocupantes deste trabalho as mulheres e os negros. Desenvolveu sobre o enorme contingente de 5 milhões de trabalhadores empregados não renumerados no país, e sobre os desafios da esquerda hoje que segue fragmentada em suas lutas enquanto se faz necessário a unidade dos trabalhadores para enfrentar esta enorme fragmentação dos trabalhadores entre efetivos, contratados, terceirizados.


Apoio dos palestrantes à greve dos Correios

Iuri Tonelo, fez a sua exposição resgatando todo um cenário do desenvolvimento do capitalismo desde o início da ofensiva neoliberal e o fim dos estados socialistas, de modo a relacionar como ofensivas objetivas e subjetivas que esse período lançou sobre a classe trabalhadora está relacionado com as ilusões de que ela teria perdido o seu peso político estratégico. Colocou sobre o acúmulo de contradições que o capitalismo vêm carregando frente à sua crise estrutural, postergando-a até onde pode, e que hoje aplica ajustes sobre as costas dos trabalhadores com a chamada "uberização do trabalho".

Queremos fazer com que estas ideias cheguem a milhares de jovens e trabalhadores, e por isso colocamos esse poderoso instrumento nas bancas de algumas das principais metrópoles do país. Todos que se interessarem pela revista podem entrar em contato por inbox com o Esquerda Diário: https://www.facebook.com/esquerdadiario/?ref=br_tf




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