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Reunido à empresários, Bolsonaro defende militares de ministros e ataques aos trabalhadores

Em reunião com empresários, o presidenciável Jair Bolsonaro é aplaudido por propostas reacionárias e superficiais, que priorizam agradar a burguesia: atacar o povo pobre e os trabalhadores e dar ainda mais privilégios pros ricos.

quarta-feira 4 de julho| Edição do dia

Hoje (4), Jair Bolsonaro (PSL-RJ), candidato à presidente, depois de fugir de dezenas de debates públicos, se reuniu com uma corja de empresários para apresentar suas propostas de conteúdo completamente vago e que no mais mostra que sua candidatura estará a serviço da burguesia e da direita reacionária.

Na Confederação Nacional das Indústrias, Bolsonaro foi aplaudido cerca de dez vezes. "Vou botar alguns generais nos ministérios caso eu chegue lá [à Presidência da República]. Qual o problema? Os [presidentes] anteriores botavam terroristas e corruptos e ninguém falava nada", afirmou o atual deputado, ao defender que encherá os ministérios de figuras militares das quais é um assíduo defensor.

Para Bolsonaro, as chances de um militar ser corrupto são muito menores que de um civil. Evidentemente, o ex-militar que já deu declarações onde exaltava o Coronel Brilhante Ustra que torturou pessoas na ditadura militar, incluindo a ex-presidente Dilma Rousseff, faz questão de ignorar que na ditadura militar a corrupção não deixou de existir, mas era muito bem escondida pelo regime militar.

O Esquerda Diário reuniu aqui 10 escândalos de corrupção, como a construção da ponte Costa e Silva e da Transamazônica, grandes palcos de desvio de verba dos militares durante a ditadura.

Durante seu discurso, Bolsonaro afirmou diversas vezes não saber e não ter propriedade para responder perguntas, como relativas à economia. Entretanto, apesar da sua ignorância auto-declarada sobre aspectos econômicos, Bolsonaro não deixou de mostrar que sua política reacionária está completamente alinhada com a burguesia, como quando afirmou que não gostaria de ser patrão no Brasil e disse que irá levar à frente uma política de desregulamentação, desburocratização para que o governo não fique "no cangote dos empresários".

O candidato à presidência deixa claro suas intenções frente à crise e qual saída irá encabeçar: a saída da burguesia, que irá avançar ainda mais sobre os trabalhadores, com reformas e cortes, mantendo sempre intacto o pagamento sagrado da dívida pública. Para Bolsonaro, "O governo [tem que] entender que ele é o empregado, não o patrão", ou seja, é preciso um governo de ainda mais ajustes e ataques, ainda mais violentos que a reforma Trabalhista e a tentativa de Reforma da Previdência de Temer, para garantir o lucro dos patrões descontando a crise nas costas do povo trabalhador.

Como não poderia deixar de ser, Bolsonaro não passaria um dia sem despejar seu discurso conservador e reacionário, atacando setores oprimidos da sociedade. Para ele, o combate aos discursos racistas, machistas e LGBTfobicos, tem tirado a "alegria de viver", segundo ele próprio declarou. Reafirmou que seu governo, além de atacar os trabalhadores, também irá perseguir os setores oprimidos: "Vamos fazer um Brasil diferente. [...] falar ’ah, meu filho nasceu macho, vai ser igual ao Neymar’. ’Não, ele vai decidir o sexo dele quando tiver 13 anos de idade’. Vamos acabar com isso." Além disso, também saiu em defesa da política racista e xenófoba de enjaular crianças e separar famílias imigrantes adotada por Donald Trump nos Estados Unidos.

A direita reacionária, conservadora, o agronegócio, a bancada da Bíblia e da Bala, compram este discurso de ataque à toda a classe trabalhadora. A versão barata de Donald Trump, mostra que está à serviço do imperialismo, de prontidão para aprofundar os ataques do governo Temer e atacar negros, mulheres e a comunidade LGBT.




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