Mundo Operário

AEROVIÁRIOS

Retrospectiva da Aviação: terceirizações, demissões e risco de acidentes enquanto Temer e Bolsonaro entregam Embraer

Certamente o ano que finda foi um ano repleto de ataques brutais à toda classe trabalhadora e obviamente, os trabalhadores e trabalhadoras aeroviários sentiram na pele o peso da precarização, das demissões, baixa nos salários e da terceirização. Na mira do imperialismo, o setor aéreo tem sido alvo de privatizações brutais nos aeroportos e da entrega da Embraer ao imperialismo americano, que visam garantir os lucros dos grandes capitalistas às custas de que a crise seja descarregada nas costas dos trabalhadores. E para estes, o que resta, além do risco de vida com os crescentes acidentes de trabalho e casos de quase morte nos recentes pousos de emergência, são condições de extremo sucateamento nos postos de trabalho, o que lhes custa inclusive sua própria segurança, desemprego, agressões físicas e chantagens por parte dos patrões, alimentando cada vez mais o ciclo de que os lucros das grandes empresas sejam o grande norte, custe literalmente o que custar.

sexta-feira 28 de dezembro de 2018| Edição do dia

Acompanhamos durante todo o ano cada ataque e ao mesmo tempo, a luta dos trabalhadores, que não só aqui no Brasil como também na Argentina e Chile, demonstraram sua indignação diante dos absurdos ocorridos durante o ano. Apoiamos cada um desses trabalhadores em suas lutas, exigindo de forma intransigente que os sindicatos se coloquem ao lado de cada trabalhador e que sejam de fato um aparato que impulsione e organize comitês de luta, que sejam centenas de milhares de trabalhadores organizados para somente a partir de sua força e sua auto organização junto com os demais setores de trabalhadores, possam de fato enfrentar de frente cada ataque que Bolsonaro já deixou engatilhado para o ano vindouro. Somente assim a crise não mais será descarregada nas costas de quem trabalha. Nenhum capitalista deve sustentar seus lucros às custas de suor e sangue da classe trabalhadora!

2018: Um ano de profundos ataques. Trabalhadores aeroviários não suportam mais humilhações, demissões e precarização! É tempo de organização e luta!

Temer finaliza o ano com a indigesta cereja do bolo e autoriza MP que permite até 100% de investimentos estrangeiros em companhias aéreas nacionais.. Hoje o que vigora no Código Brasileiro de Aeronáutica é que 80% do capital com direito a voto deve estar sob o controle de brasileiros – permitindo que estrangeiros tenham, no máximo, 20% do capital da companhia, Temer pela via da medida provisória, entrega a aviação de bandeja ao imperialismo, já que a partir de agora, desde que a empresa seja nacional, não importará a origem do capital. Ressaltando que o para ser caracterizada “nacional”, uma empresa necessita apenas estar sediada no Brasil, mesmo que o capital seja estrangeiro. Como os trabalhadores aeroviários e os usuários dos serviços dos aeroportos já sentiram na pele o ano todo, o que está por trás de entregar de bandeja os serviços nas mãos imperialistas são milhares de trabalhadores sofrendo ainda mais pela via da terceirização, demissões em massa, precarização dos postos de trabalho e ainda mais degradação, como baixas nos salários, alterações nas jornadas de trabalho e as demais mazelas como acidentes de trabalho e insalubridade.

Bolsonaro vem para aprofundar os ataques de Temer: E o mês de dezembro trouxe consigo também a ingrata porém não surpreendente notícia de que Bolsonaro vem para sangrar ainda mais os trabalhadores e promete acelerar a liquidação da Infraero com privatizações massivas de aeroportos de todo o país.. Com mais um militar e declarado entusiasta das privatizações a frente da Infraero, o caminho ficará aberto para que em até três anos a estatal esteja liquidada. A proposta do futuro ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas é realizar em março o leilão dos 12 aeroportos do norte, nordeste e centro-oeste do país, plano já encaminhado pelo governo Temer, que elaborou o edital das concessões.Agora contando com o apoio do brigadeiro Hélio Paes de Barros o projeto é que se acelere o processo que desde o governo Dilma (PT) já vinha afetando diretamente os trabalhadores, que ao início do mesmo eram 12.000 funcionários sendo que hoje a estatal conta com apenas 9.000.

Funcionários da LATAM e Avianca agredidos, dura realidade cotidiana que os trabalhadores da aviação sofrem há anos

Enquanto isso e no meio do caos da alta temporada, foram diversos os casos que chegaram até a mídia sobre funcionários de grandes empresas aéreas sendo agredidos, como no famoso caso dos funcionários da LATAM, que relatamos aqui.

Conformismo dos sindicatos e da burocracia como barreira à auto-organização operária

Em novembro Guarulhos foi sede do Encontro Regional da ITF (Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes) que contou com a presença e participação de trabalhadores dos sindicatos de aviação civil do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Panamá, Paraguai, República Dominicana, Uruguai e Venezuela que se reuniram na sede do Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos (Sindigru). Apesar de admitirem os reflexos brutais para classe trabalhadora da vitória de Bolsonaro e caracterizarem como importante a construção de uma ampla frente de “resistência” em defesa de direitos dos trabalhadores, ideia no entanto, que não se viu concretizada na prática. À época, ressaltamos a importâmcia latente de organizar de fato os trabalhadores em frentes operárias anti-imperialistas, que tenham como foco, no caso dos aeroviários por exemplo, os processos brutais de terceirização e as privatizações. O que vimos no entanto, não foram chamados para assembléias que discutissem desde a base todos os ataques, e menos ainda, que tomassem de fato medidas de combate. Ao contrário, o que se colocou como resposta inclusive às agressões, demissões e acidentes de trabalho foram “atos pacíficos” fazendo ecoar o imobilismo histórico herdado do PT que alimentou e segue alimentando uma ilusão sem medidas na burocracia sindical e escondido detrás de um falacioso discurso de “resistência” parlamentar ao invés de centrar todas as suas forças para mobilizar milhares de trabalhadores para que através da força da organização e luta operária se construa o único caminho possível para enfrentar e derrotar cada ataque de Bolsonaro, e por fim, fazer que sejam os capitalistas a pagarem pela crise.

Esquerda Diário ao lado dos trabalhadores aeroviários: Recebendo uma série de denúncias, o Esquerda Diário esteve em contato com os trabalhadores, que denunciam os absurdos da precarização de seus postos de trabalho.

Um importante relato de um trabalhador aeroviário de SP já alertava antecipadamente a possibilidade dos riscos de acidentes de trabalho e com os voos graças a lógica capitalista desenfreada que prima na aviação nacional. Veja algumas das previsões apontadas pelo trabalhador aeroviário que se confirmou com a implementação ofensiva das terceirizações.

Patrões e grandes empresários comemoram

Em declaração ao portal FlightGlobal, Enrique Cueto, CEO do grupo LATAM afirmou que considera Bolsonaro "pró-business", ou seja, alinhado aos interesses dos grandes capitalistas e especuladores. O que os grandes empresários vislumbram com a posse de Bolsonaro é o aumento das taxas de lucros a partir de maior exploração dos trabalhadores, buscando menores custos com a força de trabalho, como o que lhe proporciona as terceirizações, a supressão de folgas para descanso dos trabalhadores e escalas desumanas. Os patrões comemoram pois sabem que será pela via de ainda mais exploração que poderão lucrar ainda mais, garantindo que a crise não recaia sob seus ombros mas sim que continue sendo descarregada nas costas dos trabalhadores.

Trabalhadores sofreram pressão por não apoiarem Bolsonaro

Mais um dos absurdos que os trabalhadores sentiram na pele no decorrer deste ano: Não à toa os chefes não perderam tempo em reprimir e coagir quem se colocasse contra a candidatura do atual presidente. Como denunciamos aqui..

Impulsionados pela promessa de que ainda mais ataques aos direito elementares dos trabalhadores se efetivem para que pela via de mais exploração os cofres dos patrões encham mais, absurdas humilhações foram denunciadas e retratadas pelos trabalhadores.


A luta dos trabalhadores é internacional!

Diante da eleição do reacionário Bolsonaro, trabalhadoras argentinas da LATAM paralisaram o trabalho em repúdio aos ajustes do FMI e contra Bolsonaro->trabalhadoras argentinas da LATAM paralisaram o trabalho em repúdio aos ajustes do FMI e contra Bolsonaro]. Foi e segue sendo um importante exemplo de auto-organização e luta dos trabalhadores, que deve continuar nos inspirando para que em cada local de trabalho ergamos forças de combate aos ataques que ainda virão.

Em setembro frente à mobilização aderida também por trabalhadores aeroviários, as empresas LATAM e Aerolineas Argentinas tiveram de cancelar todos os voos para a Argentina, oferecendo como alternativa a mudança de data ou reembolso, mostrando como a força dos trabalhadores afeta diretamente as empresas e a economia no país e também em outros locais do mundo.. No Chile também houve resistência quando em abril na Latam Airlines do Chile foi obrigada pela forte greve dos trabalhadores chilenos a cancelar mais de 400 voos de todo continente, mostrando na luta de classes a imensa força da classe trabalhadora quando se organiza e se levanta contra os mandos e desmandos da exploração capitalista.


Demissões, terceirização e entrega da Embraer.

Trabalhadores sentem na pele os ataques de Temer e Bolsonaro pegará carona para sugar nosso sangue ainda mais: Foi em agosto um dos maiores ataques do ano contra os trabalhadores aeroviários com as mais de mil demissões de funcionários da LATAM, que pela via da terceirização deixou milhares de famílias em condições de incerteza e milhares de trabalhadores sem emprego. Tal medida covarde e inaceitável além de escancarar a crueldade de que o capitalismo é capaz deixou às claras o cinismo do STF, que ao mesmo tempo que assinava embaixo de tal investida dos capitalistas, aumentava seus salários.

A entrega da Embraer foi ponto de pauta o ano todo, com idas e vindas no discurso dos golpistas e da própria direção. E assim como em diversos outros aspectos, Temer deixa como legado para Bolsonaro também o projeto de rifar a Embraer ao imperialismo, projeto este que obviamente o presidente eleito, fiel capacho do imperialismo, tentará com todas as forças levar adiante. Logo após as eleições o ministro da Defesa, que está mais para escudeiro imperialista, afirmou de pronto que também vê com bons olhos a entrega da empresa brasileira, descaradamente ignorando toda a precarização e massacre a centenas de trabalhadores que tal medida certamente causará.

Veja também:O servilismo de Temer e Bolsonaro no caso da liquidação da Embraer.

Aumento das passagens e caos também para os usuários. Uma engrenagem de precarização de serviços fazendo cair a máscara do “privatiza que melhora”. Alta temporada e os funcionários e usuários já sabem o que esperar: longas filas, atrasos e pouco caso das empresas tanto para com os “clientes” quanto para com sua “mão de obra”. Apesar de já evidente cada vez mais se escancara sua desenfreada corrida por ainda mais lucros, custe literalmente o que custar. Acontece que o caos já naturalizado da época de férias também fez parte da vida de passageiros e trabalhadores no decorrer de todo o ano. Desde voos cancelados por falta de segurança ou problemas nas aeronaves e na sobrecarga de trabalho de pilotos e copilotos até mesmo aumento das passagens, com levantamento divulgado pela Anac em julho, que trouxe a tona o aumento real de 6%, já descontado a inflação.

O escandaloso aumento joga na cara de toda a população que não será pela via da privatização e da terceirização que o setor aéreo será de fato acessível para toda a população, como deveria ser, já que nessa mesma época houve o caso de mais uma nova pane – a segunda em 1 mês – no radar do principal aeroporto do país e mais movimentado da América Latina, em Guarulhos. Foram mais de 200 voos cancelados e cerca de 500 atrasados em todo o país em apenas dois dias. Além de Guarulhos, o aeroporto de Campinas, Viracopos que é também símbolo da precarização como reflexo direto da privatização e da terceirização.

EM CADA AEROPORTO SEJAMOS UMA FORÇA MILITANTE DA CLASSE TRABALHADORA, CONTRA AS TERCEIRIZAÇÕES, AS DEMISSÕES, A ENTREGA DA AVIAÇÃO AO IMPERIALISMO E POR UM SERVIÇO AÉREO PÚBLICO E ESTATAL VOLTADO PARA A MAIORIA DA POPULAÇÃO

Por mais que tentem, tanto Temer com os brutais ataques já aplicados quanto Bolsonaro com os ataques mais profundos que pretende desferir, não apagam as fagulhas de auto-organização da classe trabalhadora. Esta já demonstrou no decorrer do governo golpista diversos momentos de resistência de luta de extrema importância para alimentar o espírito de luta que deve em cada local de trabalho fazer ecoar uma voz anti-imperialista, que exija dos sindicatos assembléias e comitês operários capazes de multiplicar em todo o país essa força, de modo que assim, Bolsonaro sinta o peso e a força da organização dos trabalhadores.

Nós do Esquerda Diário e do MRT (Movimento Revolucinário de Trabalhadores) convidamos cada trabalhador e trabalhadora aeroviário a construir conosco, ombro a ombro, essa força com raízes profundas na luta de classes para que nenhum ataque passe! Para que mais nenhum trabalhador seja demitido por conta da terceirização. Para que cada posto de trabalho seja digno e seguro. Para que por fim, sejamos muitos e muitas em todo o país a enfrentar essa extrema direita abjeta, os golpistas e capitalistas para que sejam eles a pagarem pela crise.




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