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PRIMÁRIAS EUA

Retrocede Donald Trump?

A derrota em Winsconsin complica o caminho de Donald Trump à nomeação. Do lado democrata, crescem os atritos entre Clinton e Sanders. Todos apostam nas primárias de Nova York.

Celeste Murillo

Argentina | @rompe_teclas

sábado 9 de abril de 2016| Edição do dia

A derrota de Donald Trump em Winsconsin deixou dúvidas sobre quem seria o favorito, que parecia encaminhar-se sem obstáculos à nominação de candidato presidencial republicana. Sem contar com o apoio do establishment partidário, o multimilionário Donald Trump se transformou no porta-voz do descontentamento da base conservadora, que vê com desconfiança e antipatia a elite políca.

O triunfo do ultracristão Ted Cruz conseguiu que muitos se agarrassem à esperança de destronar Trump. Desde a queda em desgraça de Jeb Bush e Marco Rubio, os favoritos tirados da corrida, Cruz se transformou na última oportunidade para acalmar a “revolta eleitoral” da base republicana. No entanto, o discurso de Cruz vem provando, ao contrário das expectativas da ala moderada do partido, que seu êxito inclui a apelação às posições de direita mais radicais, que caracterizaram a campanha de Trump.

De fato, a briga em Nova York, próxima parada das primárias, se concentra numa discussão sobre “os valores”. Cruz tem do seu lado o triunfo de Winsconsin, mas Trump tem nada menos que o apoio do ex-prefeito Rudolph Giuliani, um “semi-heroi” republicano que conseguiu um enorme consenso depois dos ataques de 11 de Setembro em 2001. Giuliani declarou que votaria em Trump.

Trump cancelou sua viagem à Califórnia para centrar suas energias em Nova York porque sabe que é decisivo vencer neste estado. Até o dia de hoje, Trump conta com 743 delegados, seguido por Cruz com 517. Este último aproveitou o momento e chamou Trump a retirar-se da corrida caso ele não alcance ao menos 50% dos votos em Nova York, onde os republicanos disputam 95 delegados (a divisão é proporcional).

A disputa não terminará neste dia, mas é certo que uma derrota desta magnitude complicaria os números para Donald Trump. Somado à isto, a impossibilidade de qualquer dos candidatos (sem esquecer de John Kasich que se mantém em campanha) de alcançar os 1237 delegados necessários para a nomeação confirmaria o cenário de uma convenção aberta (onde pode haver mais de um turno de votações e o resultado é incerto).

Até agora, Trump era o favorito indiscutível das primárias. O apoio à sua campanha, infestada de retórica populista de direita, foi levado a diante pelos principais candidatos do partido (primeiro por Jeb Bush e mais tarde por Marco Rubio). Hoje, ainda com o apoio da base republicana e amplos setores conservadores, sua candidatura começa a enfrentar questionamentos ante a possibilidade de não contar com a quantidade de delegados que lhe garantiria a nomeação.

Cresce a tensão na interna democrata

Embora muitos prenunciem o final da interna democrata há semanas, a competição se mantém. Hillary Clinton conta hoje com a maioria dos delegados e uma liderança “indiscutível” com o apoio dos superdelegados, mas não tem conseguido acabar com o entusiasmo que está gerando a campanha de Bernie Sanders.

Bernie Sanders ganhou 7 das últimas 8 primárias, algumos por uma margem estreita, mas com grande impacto político. Assim, conseguiu semear preocupação na “Máquina”, como ficou conhecida a campanha de Hillary Clinton. Há vários dias, ambos candidatos concentraram sua campanha em Nova York, com atos e comícios e endureceram, especialmente depois da derrota de Clinton em Winsconsin, as acusações.

Hillary apela ao questionamento da experiência de Sanders para transformar em políticas concretas suas promessas de campanha. Isto se explica pelas consignas que fazem eco ao descontentamento da base eleitoral que impulsiona a campanha do senador de Vermont: educação e saúde gratuitas, a retórica contra a desigualdade e as elites políticas em Washington e financeira em Wall Street.

Como adiantou em seu discurso de vitória em Winsconsin, Sanders aponta contra os SuperPac e os grandas aportes que financiam a campanha de Hillary, seus laços com Wall Street e personagens da elite política e financeira, como o próprio Donald Trump (a quem Hillary se referiu como um “amigo”). Isto tem aumentado a tensão entre os candidatos a caminho da próxima batalha em Nova York, de onde ambos são de alguma forma “locais”.

Hoje a principal preocupação para Clinton talvez seja que pela segunda ou terceira vez, numa pesquisa nacional ela ficaria abaixo de Sanders se a eleição para presidente já acontecesse agora. E o que é mais alarmante é que uma pesquisa da consultora McClartchy-Marist mostrou que 1 em cada 4 votantes de Sanders não votariam em Clinton nas gerais se ela fosse nomeada. É provável que isto não altere hoje suas possibilidades e talvez seja cedo demais para fazer definições, mas o que confirma é que o descontentamento que canaliza hoje a campanha de Bernie Sanders poderia estender-se para além das primárias. E esse é o verdadeiro “Fell the Bern” (como se referem à campanha de Sanders) que preocupa o establishment político.

Os democratas se enfrentam em 9 de abril em Wyoming (14 delegados) mas todoas os olhos estão postos na primária de 19 de abril em Nova York, onde Clintin e Sanders disputarão 247 delegados da convenção.




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