Cultura

Resistência cultural em São Bernardo

quinta-feira 13 de abril de 2017| Edição do dia

No dia 12/4 (quarta-feira) foi realizado mais um ato e um cortejo compostos por estudantes, artistas e trabalhadores da cultura em São Bernardo em resistência aos ataques à cultura e arte de rua. O ato promoveu alguns quilômetros de congestionamento e o cortejo se dirigiu a histórica praça da matriz obtendo a simpatia da população de São Bernardo, mesmo com chuva.

Estes retrocessos culturais são também ataques à educação, pois com o fechamento dos centros culturais dezenas de professores das escolas ficarão desempregados, impondo-se uma lógica sem diálogo em um cenário que já conta com um dos maiores índices de desemprego no ABC. Este contexto tem como pano de fundo um desmonte e sucateamento da cultura e arte em São Bernardo de Orlando Morando, que não por acaso se orgulha de ser comparado com Dória, mas também em Santo André, de Paulinho Serra, sobretudo com os cortes orçamentários na Escola Livre de Teatro. E faz parte de um contexto desde o golpe institucional, que acabou com o ministério da cultura, levando a ocupação da Funarte e à resistência dos movimentos culturais.

Sobre o CAV (Centro Audiovisual de São Bernardo), Morando disse na imprensa que foi feito um chamamento público para a contratação de uma organização social para voltar às aulas dentre 30 a 40 dias, que este problema teria sido herdado da administração do PT, do Luiz Marinho e que as aulas seriam mantidas pela Telem, que demitiu os professores e não pagava salários desde outubro de 2016. Pode até ter sido herança do PT, mas não há interesse de Morando em melhorar as condições dos centros culturais já sucateados. Com seu fechamento reduzem-se as possibilidades de formação artística para juventude da periferia, assim como encerra uma importante história da formação artística e cultural da cidade de São Bernardo. A ideia é fechar centros como CAJUV, que é formador de artistas, dançarinos, músicos, grafiteiros, desenhistas de importância internacional, além de deixar indefinida a situação do CLAC (Centro Livre de Artes Cênicas), dando abertura para iniciativa privada.

Importante pensarmos também que este desmonte e precarização dos centros culturais de SBC não estão por fora do cenário das reformas de Temer, como a reforma do ensino médio, que tem como objetivo fundamental a formação voltada diretamente ao mercado de trabalho, de baixa qualificação. Assim como a lei da mordaça, projeto de lei da escola sem partido, que contou nas últimas semanas com a blitz de Fernando Holliday, que tem como objetivo criar um clima de hostilidade e desconfiança contra os professores, em particular, e contra o pensamento de esquerda, em geral.

Com a desculpa da crise econômica os governos do PSDB buscam de todas as formas destruir qualquer tipo de ensino que estimule o senso crítico, que quer trabalhemos até morrer, terceirizados com os cortes orçamentários na cultura em diversas cidades que restringem o que se entende por “cultura” e arte consequentemente a eventos isolados em pavilhões e paços municipais, muitas vezes com objetivos meramente eleitorais com a velha fórmula do “pão e circo”. Mas que não que tem por objetivo a formação da juventude trabalhadora, tampouco que a arte seja vista como estimuladora da sensibilidade, da criação e reflexão humana.

Os estudantes, artistas e trabalhadores da cultura de São Bernardo demonstraram uma importante disposição em continuar resistindo aos ataques e retrocessos à cultura. Importante seguir com força, se somando ao dia 28/4, dia em que está sendo chamada a paralisação nacional contra as reformas de Temer e dos golpistas!




Tópicos relacionados

Cultura

Comentários

Comentar