Sociedade

REINTEGRAÇÃO DE POSSE

Repúdio a atuação da Brigada Militar, da Justiça (burguesa) e do Governador J. Ivo Sartori.

Primeiramente, deveríamos antes de chamá-los de trabalhadores, analisar qual a função da polícia dentro do Estado Burguês: resumidamente, defender a propriedade privada - e, como vimos ontem (14), do Estado e também da classe dominante - até porque uma coisa não exclui a outra.

quinta-feira 15 de junho| Edição do dia

Primeiramente, deveríamos antes de chamá-los de trabalhadores, analisar qual a função da polícia dentro do Estado Burguês: resumidamente, defender a propriedade privada - e, como vimos ontem (14), do Estado e também da classe dominante - até porque uma coisa não exclui a outra.

Qual será a função social a qual o prédio deverá cumprir agora? Não sabemos bem. Se alugado, vendido, usado pelo seu valor de troca, veremos, mais uma vez, a maldita especulação imobiliária, de caráter burguês, lançando mão do poderio bélico estatal.

"A Justiça", que da última vez foi utilizada para impedir a reintegração, dessa vez, não foi suficiente. Como se é sabido, algumas celebridades globais e prefeitos têm casas em regiões de preservação ambiental ou em áreas as quais não são de sua propriedade. Frente a isso, o que fez "a Justiça"? Levou a polícia para a frente da casa do Dória até que ele devolvesse a área que ele tomou?

E, ao Governador, que desde que assumiu ao cargo, não tem o mínimo de vergonha ao reprimir manifestações de trabalhadores. E mais, tem orgulho da polícia que tem, como ele mesmo disse após reprimir um ato de professores que tinham seus salários atrasados e, posteriormente, parcelados.

Disse também, em sua campanha que "seu Partido era o Rio Grande" e indago: "Que Rio Grande é esse de Sartori? O Rio Grande dos brancos? O Rio Grande das Elites”?

A mesma especulação imobiliária citada no início desse texto pressiona o Estado para que venda a área do Jardim Botânico para que ali seja construído um condomínio de luxo. O Partido que Sartori faz parte é o partido das grandes empresas: das empreiteiras à JBS; é o mesmo partido de Temer (PMDB), de Jucá (PMDB), de Aécio (PSDB) e todos os envolvidos nas últimas delações; partido de Gilmar Mendes (STF e TSE) que, na esfera da “Justiça” serve a esses interesses.

Expresso também, por meio dessa postagem, minha tristeza com a desocupação da Lanceiros e lamento a minha incapacidade de aderir ao corpo de pessoas que resistiram junto aos moradores.

Visitei a Ocupação Lanceiros Negros duas vezes; uma delas para doar roupas e calçados por ter organizado, junto a amigos, este evento. Fui logo após a primeira tentativa de reintegração de posse e, há pouco, tinham construído uma creche dentro daquele espaço. Exemplo do quanto presavam pelas vidas das crianças e mulheres; é um de tantos outros exemplos de como se organizavam para manter o “direito” de morar. Aliás, vale lembrar que o direito à moradia é “garantido” pela Constituição de 1988 e lanço mão da pergunta: será que essa Constituição representa os trabalhadores? É hora de pensar em uma Assembleia Constituinte imposta pela luta, já!

Para concluir, as ocupações, além de prover a moradia a quem precisa sair de áreas de risco (de enchentes, desabamentos) e até mesmo da rua, são capazes de transformar a essência do Ser, de produzir, dentro do modo de produção capitalista, uma outra ontologia, tornando-os seres solidários e de luta. Dentro da ocupação, cria-se uma identidade comum entre moradores; essa identidade corrobora com o “espírito” humanitário e comunitário, de “você precisa de mim e eu de você”, que mantem a organização do lugar.

Resiste e reside, Lanceiros, em nossos corações. Experiência que jamais esqueceremos!

Foto: Guilhermes Santos/Sul 21

Links:

Sobre o ocorrido: [1] - [2]

Texto que escrevi para o Esquerda Diário sobre a Ocupação

Ajude a Lanceiros através da Ocupação de Mulheres Mirabal

Sobre Dória: [1] - [2]

Sobre Luciano Huck

Sobre Sartori, Aécio e JBS




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