Internacional

REINO UNIDO UE RESULTADOS DO REFERENDO

Repercussões internacionais frente ao Brexit

As repercussões após o Brexit se expressaram em declarações das principais autoridades e referências políticas internacionais.

sexta-feira 24 de junho de 2016| Edição do dia

Foto: REUTERS

Angela Merkel convoca a “reunião de urgência” para segunda-feira

A chanceler alemã, Angela Merkel, em uma coletiva de imprensa sobre o “brexit” na Chancelaria em Berlim, lamentou o resultado do referendo no Reino Unido, que classificou como “ponto de inflexão” para a Europa, e pediu “calma” e “moderação” para as negociações que começarão em breve entre a União Europeia (UE) e Londres.

Da sua parte, convocou para a próxima segunda-feira uma reunião da cúpula, em caráter de urgência, com os mandatários da França, Itália e da União Europeia em Berlim para analisar as consequências do Brexit e começar um processo de negociação com o Reino Unido. “Faz falta fazer uma análise com calma desse resultado, temos que fazer com que os cidadãos vejam a função da União Europeia, os desafios são grandes mas precisamos saber como enfrenta-los”, assegurou.

E acabou sua mensagem dizendo que “a UE é o suficientemente forte para encontrar respostas para o desafio de hoje” e que “a ideia de uma unidade europeia, é a ideia da paz europeia e isso não podemos esquecer”.

Jean-Claude Junker: “Estou triste por ser uma situação sem precedentes”

O chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em uma coletiva de imprensa em Bruxelas, em resposta à pergunta de se o resultado do Brexit é o fim da União Europeia, respondeu com um “não”.

Enquanto assegurava que o “Reino Unido deve efetivar sua decisão o mais rápido possível, por mais dolorosa que seja. Estamos preparados para negociar. Estou triste por ser uma situação sem precedentes”. Sublinhou a unidade da Europa: “nos entristece, mas tem que ser respeitada a decisão dos britânicos. A UE seguirá existindo para outros 27”, pronunciou Juncker em Bruxelas.

François Hollande lamentou “profundamente pela França e pela Europa”

O presidente da França, François Hollande, em uma declaração institucional no Palácio do Eliseu, sede da presidência, disse que “o perigo é imenso ante os extremismos e os populismos”, e que seu país não permitirá essa deriva. “Sempre leva menos tempo para desfazer do que fazer, para destruir do que para construir. A França, país fundador da Europa, não aceitará.”

Hollande também adiantou que seu país tomará a iniciativa para que a União Europeia “se concentre no essencial”, que é “a segurança, o investimento para o crescimento e o emprego, a harmonização fiscal e social e o reforço da zona do euro”.

Também assinalou que “os procedimentos previstos pelo tratado (para a saída do Reino Unido) serão rapidamente aplicados” e lamentou “profundamente pela França e pela Europa” a saída do Reino Unido da União Europeia, lembrando ainda que é “sua decisão, e deve ser respeitada”. Além disso confirmou uma reunião com Angela Merkel dizendo que “a história nos bate a porta”.

Matteo Renzi: Europa é “a casa do nosso amanhã” mas tem que ser reformada

O primeiro ministro italiano, Matteo Renzi, manteve em sua coletiva de impresa que a “Europa é a nossa casa, a casa de nossos filhos, de nossos netos. Dizemos hoje mais do que nunca, convencidos de que essa casa tem que ser reestruturada, mas ainda é a casa de nosso amanhã”.

Joe Biden assegura que os EUA manterá sua “relação especial” com o Reino Unido

O vice-presidente dos Estados Unidos , Joe Biden, assegurou em Dúblin durante uma visita a República da Irlanda, que a “relação especial” que mantem seu país com o Reino Unido não mudará, apesar de sua saída da União Europeia (UE). E reconheceu que tanto ele como o presidente dos EUA, Barack Obama, “confiavam que Londres permaneceria” no bloco comunitário.

Donald Trump, “É grandioso que os britânicos tenham recuperado o controle”

O candidato pelo Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, qualificou como “grandioso” que os britânicos tenham “recuperado o controle de seu país” ao votar pela saída do Reino Unido da UE, após chegar na Escócia com o fim de inaugurar um luxuoso complexo de golf. E remarcou, “Creio que seja algo muito, muito; algo realmente fantástico” e que “as pessoas estão com raiva em todo o mundo; estão furiosos. ”. “Ninguém sabe nem se quer quem é, este não será o último passo”, reafirmou em referência ao Brexit.

Mariano Rajoy e Pedro Sánchez

O presidente do Estado Espanhol do PP, Mariano Rajoy, em uma declaração desde o Palácio de la Moncloa disse querer enviar “uma mensagem de tranquilidade a todos os cidadãos espanhóis e aos que por sua residência e suas atividades no Reino Unido se sintam particularmente afetados” pelo Brexit.

E aproveitou a data das eleições no próximo domingo para dizer que “qualquer que seja o resultado, creio que representará o sentimento da imensa maioria dos espanhóis defendendo o compromisso da Espanha com o processo de integração europeu, a importância da estabilidade da zona do euro e a continuidade do processo de reforma de nossa união econômica e monetária”.

Para o dirigente do PSOE, Pedro Sánchez, a causa do Brexit está em uma “confluência entre a direita irresponsável e o populismo” e pediu o voto para evitar isso no Estado Espanhol. “Eu não quero isso para Espanha, a saída é um PSOE forte e ganhador que aposte pela socialdemocracia”.

Pablo Iglesias: “Dia triste para Europa. Devemos alterar o curso”

O secretário geral do Podemos e candidato a Moncloa pelo Unidos Podemos, Pablo Iglesias, afirmou que é um “Dia triste para Europa. Devemos alterar o curso”, e que “De uma Europa justa e solidária ninguém gostaria de sair”.

No mesmo sentido, o secretário de Política do Podemos, Íñigo Errejón, em uma mensagem nas redes sociais assegurou que é “um dia triste para a Europa” e que “Nosso compromisso é restaurar seus valores: defender a democracia, os direitos sociais e a fraternidade”.

Para Alexis Tsipras “A política deve recuperar a supremacia sobre a economia e os tecnocratas na União Europeia”

O primeiro ministro grego, Alexis Tsipras, afirmou que o resultado do referendo britânico demonstra que faz falta uma “mudança de rumo” urgente e uma “grande aliança progressista para fazer frente ao euroceticismo e a extrema direita”. “A política deve recuperar a supremacia sobre a economia e os tecnocratas na União Europeia”, disse Tsipras em uma mensagem televisionada a todo o país.




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